A Guerra na Ucrânia — O Parlamento da Ucrânia aclama colaborador nazi. Por Peoples Dispatch

Seleção e tradução de Francisco Tavares

2 min de leitura

O Parlamento da Ucrânia aclama colaborador nazi

Mesmo a vizinha Polónia, um aliado ferrenho de Kiev na guerra em curso com a Rússia, criticou a celebração do 1 de Janeiro pelo parlamento da Ucrânia do aniversário de Stepan Bandera.

Por  em 5 de Janeiro de 2023 (ver aqui)

Republicado por  em 6 de Janeiro de 2023 (ver aqui)

 

Uma colagem de uma fotografia de um comício de direita em homenagem a Stepan Bandera e o tweet do parlamento ucraniano a 1 de Janeiro de 2023. (Foto: via Labor Heartlands)

 

Desde 2014, o regime pós-Maidan na Ucrânia e as suas milícias de extrema-direita têm vindo a glorificar o legado de extrema-direita, hiper-nacionalista da Segunda Guerra Mundial, do colaborador nazi Stepan Bandera.

O apoio da Ucrânia aos grupos neo-nazis e as suas tentativas de reconhecer oficialmente legiões pró-nazis e colaboradores nazis da Segunda Guerra Mundial têm sido firmemente criticados pelos comunistas e outros grupos antifascistas da região. Embora os apoiantes de Kiev na Europa e América do Norte tenham até agora mantido um silêncio cúmplice sobre estas manobras, o último gesto do parlamento ucraniano, aplaudindo o aniversário do colaborador nazi Stepan Bandera, atraiu fortes críticas mesmo da vizinha Polónia, o seu fiel aliado na guerra em curso com a Rússia.

No dia 1 de Janeiro, um post comemorativo do 114º aniversário de Stepan Bandera – célebre líder ucraniano de extrema-direita e colaborador nazi na Segunda Guerra Mundial – foi tuitado pelo sítio do parlamento da Ucrânia, Segundo relatado, o tuit continha “uma citação de Stepan Bandera e uma foto do chefe das Forças Armadas ucranianas, General Valery Zaluzhny, com um grande retrato do colaborador nazi no fundo”. Depois de receber uma quantidade significativa de críticas, foi posteriormente apagado do twitter da Rada Suprema (Parlamento ucraniano).

O tuit desencadeou uma indignação espontânea da Polónia, um firme apoiante de Kiev e Volodymyr Zelensky. A 2 de Janeiro, o Primeiro Ministro polaco Mateusz Morawiecki denunciou a glorificação de Stepan Bandera pelo parlamento ucraniano. No mesmo dia, o jornal Haaretz de Israel também criticou as autoridades ucranianas por terem celebrado e citado um colaborador nazi anti-semita.

Ao dirigir-se aos meios de comunicação social a 2 de Janeiro, Morawiecki declarou, segundo a RT, que “não eram possíveis nuances que tornassem a glorificação contínua do colaborador nazi Stepan Bandera aceitável”, acrescentando que os nacionalistas de Bandera tinham cometido “crimes terríveis”. Foi relatado que ele teria dito que a Polónia não toleraria a minimização desses crimes.

Sucessivos governos que chegaram ao poder na Ucrânia na sequência do golpe anti-russo Euromaidan de 2014 iniciaram uma virulenta campanha de descomunização. Tentaram também normalizar o apoio às legiões nacionalistas ucranianas de extrema-direita, e aos seus líderes, da Segunda Guerra Mundial, que eram colaboradores nazis e assassinos em massa de judeus, polacos e compatriotas ucranianos. Grupos neonazis como o Sector Direita e o Batalhão Azov têm estado activos na Ucrânia pós-Maidan e continuam a ser beligerantes activos na actual guerra Ucrânia-Rússia.

Bandera era o líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), um grupo militante ucraniano ultra-nacionalista de extrema-direita que colaborou com os nazis durante a Segunda Guerra Mundial, lutou contra os soviéticos, e perpetrou assassinatos em massa de judeus étnicos, polacos, e ucranianos pró-soviéticos. Após a Segunda Guerra Mundial, Bandera instalou-se na Alemanha Ocidental e cooperou com os serviços secretos ocidentais, incluindo o MI6, nas suas actividades anti-soviéticas.

Em 2010, o Presidente ucraniano Viktor Yushchenko concedeu a Bandera o título póstumo de “Herói da Ucrânia” – para agradar às secções hiper-nacionalistas do país. Mesmo isto suscitou críticas da UE, Polónia, Israel, Rússia e muitos outros países. Mais tarde, a decisão de atribuir o prémio a Bandera foi anulada pelo Presidente Viktor Yanukovych. No rescaldo do golpe Euromaidan de 2014, que derrubou o presidente pró-Rússia Yanukovych, as milícias de direita que consideram Bandera um herói, tiveram rédeas livres no país e o apoio dos governos de Petro Poroshenko e Volodymyr Zelensky. Desde então, os nacionalistas ucranianos têm celebrado regularmente o aniversário de Bandera no dia 1 de Janeiro com marchas e manifestações à luz de tochas.

A 4 de Janeiro, Roman Kononenko do Partido Comunista da Federação Russa (CPRF) disse ao Peoples Dispatch que “se alguém hoje ainda não é capaz de traçar um paralelo elementar entre as acusações contra a Ucrânia de se ter tornado um estado neonazi, e a glorificação a nível estatal neste país do cúmplice nazi e carrasco sangrento dos povos Stepan Bandera, então esta pessoa ou é criminalmente estúpida ou fecha deliberadamente os olhos a coisas óbvias”.

 

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