MÃE, de ADÃO CRUZ

MÃE

 

Mãe

a palavra universal

a palavra mais consensual da humanidade.

Nem Deus…

Deus é de uns e não de outros

Deus é conceito de muitos

e negação de outros tantos.

A mãe é de todos sem exceção

a mãe é de todos e é só nossa

a mãe é do crente e do ateu

a mãe é do pobre e do rico

do sábio e do ignorante.

A mãe é dos poetas

dos filósofos e artistas

dos bons e dos maus

a mãe é do amigo e do inimigo.

Não há mãe de uns e não de outros

não há ninguém sem mãe

e não há mãe de ninguém.

A mãe é de toda a gente

a mãe é de cada um

a mãe é do mundo inteiro

e do nosso mais pequeno recanto.

A mãe é do longe e do perto

da água e do fogo

do sangue e das lágrimas

da alegria e da tristeza

da doçura e da amargura

da força e da fraqueza.

A mãe é certeza e aventura

medo e firmeza

dúvida e crença

a haste que se ergue no céu

ou se aninha rente ao chão

para que a morte a não vença.

A mãe é a outra parte de nós

sem mãe somos metade

sem mãe nada é exato

igual a um

igual a infinito

onde se tocam princípio e fim

onde os tempos se encontram

sem presente passado e futuro.

A mãe é a lágrima que não seca

no sorriso que não se apaga

a nuvem que chove no sol que aquece

a mensagem da luz e da harmonia

e dos acordes matinais

com que abre o nosso dia.

A mãe levanta-se nas lágrimas da noite

e mesmo cansada

não perde a voz nem a cor da madrugada.

A mãe é a voz que se não teme

a voz que se confia

a voz que tudo diz

nas consoantes do grito

nas vogais do silêncio

nos abismos da agonia.

Mãe

primeira palavra a nascer

a última palavra a morrer.

A mãe é sempre a mesma

a mãe nunca é outra

na sua infinita diferença.

A mãe é criação

a mãe é sempre o fim

da obra-prima inacabada

a mãe nunca é ensaio

nem esboço nem projeto.

A mãe é um milagre

no milagre do mundo

o único milagre concebido

real e concreto.

Chora para que outros riam

ri para que a dor a não mate

mistura-se com a luz das estrelas

para vencer a escuridão

devora as nuvens por um raio de sol.

A mãe é beleza e poesia

aurora fulgurante

aurora adormecida

a mãe é bela porque é simples

porque nasce da silenciosa lógica da vida.

A mãe é fragilidade da semente

a força do tronco

a beleza da flor

a doçura do fruto

o dom de renascer.

A mãe é tudo numa só coisa

AMOR.

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