Marriner Eccles, os New Dealers e a criação das Instituições de Bretton Woods — Introdução b) Troca de correspondência com Randal Quarles de 23 e 25 de Janeiro de 2022

3 min de leitura

Introdução

b) Troca de correspondência com Randal Quarles de 23 e 25 de Janeiro de 2022

 

Caro Randal Quarles

Tenho o prazer de vos enviar por e-mail a longa declaração que enviei anteriormente a Lisa Eccles e também a Spencer F. Eccles sobre a longa série de textos que vamos publicar em torno da importância que Marriner Eccles teve nos dias de ontem, de hoje e, como é fácil de prever, também nos dias de amanhã.

Este é um trabalho de meses e meses de compilação, selecção, tradução, revisão por mim e por um antigo aluno, Francisco Tavares, um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, agora reformado.

Gostaríamos, por respeito a Marriner Eccles e a nós próprios, de tornar este trabalho o mais completo possível e sentimos que não conseguimos esclarecer a importância que Marriner Eccles teve na construção dos acordos de Bretton Woods. Sobre este assunto só conhecíamos referências vagas que não nos levaram a lado nenhum. Depois da série estar quase terminada, lemos o artigo de Spencer Eccles sobre o 70º aniversário de Bretton Woods onde ele se referiu à discussão entre Marriner Eccles e Keynes e isto aumentou o nosso interesse em conhecer mais detalhes sobre a importância de Eccles na arquitectura da Nova Ordem Internacional estabelecida em Bretton Woods em 1944.

Consequentemente os textos que temos prontos a editar revelam claramente esta falta, que gostaríamos de preencher. Daí o nosso pedido de ajuda com referências bibliográficas que tratem deste assunto – a importância de Marriner Eccles no estabelecimento da Nova Ordem Internacional da época. Se nos puder ajudar, ficar-lhe-íamos gratos, muito gratos.

Agradecendo desde já uma sua resposta, os nossos melhores cumprimentos

Júlio Marques Mota

 

Randal Quarles enviou-nos em 25 de Janeiro de 2022 a seguinte mensagem:

Caro Dr. Mota:

Obrigado por esta investigação sobre a participação de Marriner Eccles na conferência de Bretton Woods. Como observou, os registos formais da conferência de Bretton Woods subestimam o papel que Eccles desempenhou na conferência (como evidenciado pelo facto de que na governação das instituições estabelecidas em Bretton Woods – o FMI e o Banco Mundial – o Secretário do Tesouro era o governador dos EUA em ambas as instituições e Eccles era o governador suplente). Recomendo o seguinte para mais material sobre o papel desempenhado por Eccles:

    1. Sydney Hyman, Marriner Eccles, pp. 307 – 308 (Motor de Inflação) a respeito das dúvidas de Eccles sobre o Banco Mundial, mas o entusiasmo pelo FMI.
    2. The Diaries of Henry Morgenthau (editado por Leon Blum), volume 3, pp. 232, 251, 260, 262, 262, 265 sobre o papel de Eccles em Bretton Woods, especialmente o seu papel influente na calibração das quotas do FMI, e a grande controvérsia em torno da quota russa.
    3. Ben Steil, The Battle of Bretton Woods, pp. 299 – 301, com citações de Eccles e descrição da sua participação, mais uma vez especialmente no que diz respeito à questão das quotas.

Embora não fazendo directamente parte da conferência de Bretton Woods, o esforço britânico para refinanciar as suas obrigações para com os EUA perto do fim da guerra foi visto como criticamente relacionado com o sucesso de Bretton Woods, especialmente pelos britânicos, e o livro de Hyman (capítulo 32, pp. 316 – 321) tem uma boa discussão sobre as negociações entre Keynes e Eccles sobre o empréstimo britânico. Estas negociações foram a fonte de alguma da tensão entre Keynes e a tenacidade de Eccles em negociar termos aceitáveis para o lado americano, o que desencadeou a observação de Keynes de que “não é de admirar que o homem seja um mórmon, uma vez que nenhuma mulher o suportaria”.

Finalmente, ao perguntar sobre referências mais amplas de outros escritores económicos sobre Eccles, uma das suas contribuições mais importantes para o nosso sistema actual é a de garantir a independência da Reserva Federal no Acordo do Tesouro Federal de 1951, e o artigo de Thorvald Moe, Marriner S. Eccles and the 1951 Treasury – Federal Reserve Accord, é muito bom sobre isto (disponível no website do Levy Institute). Aftershock, um livro de Robert Reich (o economista de Berkeley e Harvard e Secretário do Trabalho de Clinton) (2010) começa com um capítulo intitulado “Eccles’s Insight” e descreve num capítulo as opiniões pré-keynesianas de Eccles sobre finanças compensatórias.

Espero que isto seja útil. A família sente-se honrada pelo seu interesse e pelo esforço que dedicou a este trabalho, e como Vice-Presidente do Fed, recentemente reformado, posso dizer-lhe que a comunidade da Reserva Federal também o está.

Com os melhores votos

Randal Quarles

 

1 Comment

Leave a Reply