Valham-nos as boas notícias porque, de há uns anos a esta parte, espanta-me a normalidade com que vamos convivendo com as pandemias, as putinices, os wagnerianos não músicos, as artificiais inteligências e os chatgpt, as secas e as chuvas torrenciais e outras coisas mais que, antes, nos punham os cabelos em pé e obrigavam a acções dissuasórias, individuais ou colectivas, mas agora continuamos a ver as pessoas mergulhadas nas redes, trabalhando, a entrar e sair nos centros comercias –os novos templos do consumo–, também em bares e restaurantes, a namorar e a desenhar futuros que nem sabem se virão a ter, nem ninguém que os possam garantir.
Sabemos como aumentam os preços das casas, das rendas e das hipotecas, e como são muitas as mãos que temos metidas nos bolsos, até porque – a ver pelos títulos de um diário já este mês, ‘Cada português deu bónus de 883 euros em impostos ao Estado’, ou este outro ‘Tabelas de IRS. Solteiros com filho deficiente perdem salário para o fisco’, e ainda este comentário do final de Maio, de um cronista bem conhecido ‘Os banqueiros nacionais cavalgam a onda de euforia com taxas de juro nos empréstimos que são um garrote para famílias e empresas e remuneram a poupança dos clientes com taxas a rondar o zero’.
E nada digo da vaga de greves que se vão continuando, grande parte nos serviços públicos, nas escolas, saúde e estabelecimentos hospitalares, transporte ferroviário e até nos tribunais. Mas não esqueço outro comentário de um professor de Direito também num jornal diário, a propósito dessas greves, ‘Ainda bem que o presidente da República, esse “entertainer” de cabaré, finge agora um amuo que procura vender como exigência e seriedade. Serão devidamente recompensados, sem dúvida’.
Aliás, esta série de títulos tem como ‘cereja em cima do bolo’ um outro que mereceria tratamento à parte, mas não passo de mais um contador dos dias que faltam para o pagamento do mês, ‘Em 20 anos, salários de mil euros perderam 42% de poder de compra’, tendo como subtítulo, ‘Crise após crise, as remunerações dos portugueses perdem valor. Jovens qualificados são empurrados para fora, porque tecido empresarial não acompanhou a sua evolução’.
De acordo com o economista que fez o estudo sobre a actvidade económica no nosso país, ‘Até 2019, foram “criados 520 mil postos de trabalho, mas 314 mil foram nestes ramos de baixa produtividade. O país desindustrializou-se mal e terciarizou-se através de ramos de baixa produtividade”. Exemplo disso é o sector do alojamento, restauração e similares, onde o salário médio corresponde a 69% do salário médio nacional’.
Mas tenho de voltar ao primeiro parágrafo –valham-nos as boas notícias– devido à divulgação de dados do INE, salientando a destruição de empregos nas profissões mais qualificadas; mais de 6% nas intelectuais e científicas e uma razia de quase 20% nas profissões técnicas com uma taxa de desemprego a subir desde o final da pandemia, para os 23%, mas, acrescenta ainda o INE, ‘O salário médio líquido em Portugal só não estagna porque subiu um euro no 1º trimestre’.
Aleluia!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor