A Guerra na Ucrânia — Guerra das Barragens Apoia as Tentativas Ucranianas de Contra-ataque, por South Front

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 min de leitura

Guerra das Barragens Apoia as Tentativas Ucranianas de Contra-ataque

Por em 6 de Junho de 2023 (original aqui)

 

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Os primeiros dias da contra-ofensiva ucraniana não conduziram a quaisquer vitórias para o exército ucraniano. Após dois dias de ataques maciços nas frentes da região de Zaporozhye e do sul da República Popular de Donetsk, as unidades ucranianas sofreram pesadas perdas, mas não conseguiram tomar o controlo de nenhuma das povoações.

No dia 5 de Junho, as forças ucranianas conseguiram entrar na aldeia de Novodonetskoye, mas não conseguiram impor-se e recuaram após prolongados combates. Na manhã de 6 de Junho, as linhas da frente no Donbass e nas regiões do sul permaneciam inalteradas.

Os militares ucranianos pagaram um preço elevado pelas tentativas falhadas de romper a defesa russa. O Ministério da Defesa russo estimou as perdas do inimigo em 1,5 mil soldados, bem como em 28 tanques e 109 veículos blindados de combate.

Os principais tanques de batalha ocidentais não ajudaram o avanço dos ucranianos. O Ministério da Defesa russo anunciou a destruição de pelo menos 8 tanques Leopard alemães. O equipamento da NATO está agora a arder nas estepes ucranianas, nomeadamente o MaxxPro MRAPS [n.t. veículos que incorporam o mais recente design em tecnologia de blindagem, proteção contra emboscadas de minas], veículos de combate blindados franceses como o AMX-10RC, etc.

A situação continua tensa nas linhas da frente. São esperadas tentativas ucranianas de abrir uma frente auxiliar na região de Kherson.

Na noite de 6 de Junho, as forças ucranianas atacaram a central hidroelétrica de Kakhovskaya. De acordo com dados preliminares, o ataque foi efectuado por mísseis táticos ucraniannos Vilha MLRS.

Como resultado, várias comportas foram destruídas. Até 80 povoações podem entrar na zona de inundação.

Kiev, como sempre, acusou a Rússia de destruir infra-estruturas, apesar de a central hidreléctrica estar sob o controlo das forças armadas russas; a margem plana e inferior oriental do Dnieper, onde se situam as posições russas, é a mais perigosa; e um ataque deste tipo não beneficia as forças russas do ponto de vista militar.

Há alguns meses, tornou-se óbvio que Kiev tentaria utilizar o controlo das barragens ao longo do rio Dnieper durante a sua contra-ofensiva. Em Abril, a água transbordou das margens do Dnieper na região de Kiev, o que os meios de comunicação ucranianos explicaram com uma alegada precipitação intensa. No entanto, a chuva deste ano não foi invulgarmente forte na Ucrânia.

De facto, as autoridades de Kiev acumularam deliberadamente água sem abrir as comportas das barragens. Assim, a barragem ucraniana de Dneprodzerzhinsk não descarregou água durante mais de duas semanas, pelo que as aldeias locais também ficaram inundadas e a população teve de ser evacuada.

Tudo isto era necessário para a contra-ofensiva em curso. Tendo danificado a única barragem sob o controlo das forças russas, Kiev pode inundar a margem oriental controlada pelos russos na região de Kherson, abrindo todas as comportas e drenando a água a montante do Dnieper. Kiev não está claramente preocupada com as povoações civis, que alegadamente está a tentar libertar dos cruéis russos.

 

 

O equipamento da NATO está a arder na estepe, enquanto Kiev faz tentativas para obter ganhos reais (publicado por em 7 de Junho de 2023, ver aqui)

 

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As Forças Armadas da Ucrânia prosseguem as suas tentativas de acções ofensivas num vasto sector da frente. Os fracassos dos primeiros dias da ofensiva ucraniana nas linhas da frente meridionais levaram aparentemente a uma mudança de visão por parte do comando ucraniano. Kiev apercebeu-se de que as suas forças não conseguiram alcançar nenhum êxito decisivo num sector da frente num curto espaço de tempo.

Isto não significa que o comando ucraniano e o Ocidente tenham abandonado a ideia de reconquistar o território perdido no Verão de 2023, mas foram forçados a rever o calendário das operações ofensivas planeadas.

Foi por isso que a central hidroeléctrica de Kakhovskaya foi atingida, para destruir os campos de minas e as posições avançadas do exército russo neste sector da frente. A água desaparecerá definitivamente em meados do Verão. Aparentemente, Kiev acredita que isso não dará tempo aos russos para reforçarem as suas posições na margem oriental do rio Dnieper.

Outra razão para a destruição da barragem de Kakhovka foi o lançamento de uma nova onda de histeria anti-russa nos meios de comunicação social ocidentais, o que permitirá ao gabinete de Zelensky exigir mais fornecimentos militares e assistência financeira.

Nos próximos dias, espera-se que as Forças Armadas da Ucrânia intensifiquem as batalhas na região de Zaporozhye, bem como lancem novos ataques em grande escala em território russo na região de Belgorod. O êxito destas acções dependerá não tanto das forças e meios disponíveis das Forças Armadas da Ucrânia, mas da eficácia da resposta do exército russo a estes desafios.

A julgar pelos maus resultados dos últimos ataques ucranianos, tanto na região de Belgorod como na de Zaporozhye, o comando russo aprendeu lições com os seus erros anteriores. Nos últimos quatro dias, Kiev sofreu perdas significativas em termos de efectivos e equipamento militar. De acordo com o Ministério da Defesa russo, o exército ucraniano perdeu mais de 4.000 militares mortos e feridos e dezenas de peças de equipamento militar, nomeadamente os principais tanques de guerra da NATO.

Os russos mantêm a supremacia aérea nas linhas da frente e Moscovo conseguiu alcançar alguma paridade na utilização de drones de ataque e de reconhecimento nas batalhas.

As Forças Aeroespaciais Russas continuam a efectuar ataques de alta precisão tanto na retaguarda operacional do agrupamento de tropas ucranianas como na profundidade estratégica do território ucraniano, destruindo instalações de infra-estruturas militares fundamentais. Em 6 de Junho, foi declarado um ataque bem sucedido a outro centro de comando ucraniano.

A actual estratégia de Kiev assenta na esperança de que a Rússia esgote o seu potencial militar mais rapidamente do que a máquina militar colectiva da NATO. Esta ideia só parece razoável se a NATO decidir entrar directamente na guerra com a Rússia. Actualmente, o fluxo de armas da NATO é simplesmente queimado estupidamente nas frentes, sem quaisquer resultados.

 

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