ADÃO CRUZ – REFLEXÃO SOBRE A CIÊNCIA

Sem ter a veleidade de pretender ensinar o que quer que seja, gosto de comunicar o que penso.  Ler muito sobre Ciência e falar sobre a Ciência é para mim uma espécie de contemplação do luminoso nascer do sol.  A Ciência oferece-nos perspectivas francamente inovadoras, mesmo sem contribuir com respostas directas e imediatas para todas as questões. A Ciência, desde o mais singelo empirismo, foi e será sempre o longo caminho racional do conhecimento. Embora a Ciência e os factos, moralmente neutros, não nos possam oferecer uma Ética e uma Educação propriamente ditas, constituem a mais segura contribuição para a função racional e adaptativa do ser humano. Em qualquer campo da Educação, a Cultura deveria estar permanentemente em interacção com a evolução dos conhecimentos científicos, e os temas de natureza científica deveriam fazer parte, na medida do possível, da vida dos educandos. A Ciência, em permanente desenvolvimento, interfere constantemente em múltiplos domínios do quotidiano, criando a necessidade de superiores critérios de regulamentação em qualquer dos campos da sociedade. Só assim, ela consegue alargar o conhecimento e tornar mais fácil o entendimento da vida e do progresso. Sem a Ciência e a credibilidade no seu apoio, não há educação que resista, não há educação sinónimo de verdade, não há verdade que não esteja conspurcada de crendice. Uma das características do ser humano, praticamente indelével, é a curiosidade. Por isso, o caminho da investigação científica não tem fim e é parte integrante da Ciência da Evolução. Todavia, nem a Ciência nem a técnica têm sentido, se não forem instrumentos para a realização plena da humanidade. Ao apresentar-me, assim, como apologista da Ciência, caminho do conhecimento e da verdade, não deixo de ter em atenção a posição dos que atribuem à ciência um cunho nefasto, considerando-a parte de uma invenção elitista que apenas serve de instrumento neoliberal, indispensável à melhoria das performances económicas. Desta forma, seria apenas uma força de produção mais associada à exploração e ao enriquecimento do que à criação do saber. Daqui a grande confusão, ou mesmo contradição, entre a maravilha da ciência e a perversidade das suas aplicações em projectos que em nada contribuem para o bem-estar da humanidade. Não podemos conceber, no entanto, um desenvolvimento sem ciência, a grande luz contra todos os obscurantismos. Podemos e devemos, isso sim, ter sobre ela uma visão dialéctica, reconhecendo o seu incomensurável papel na procura da verdade e no desenvolvimento da humanidade, não desprezando os seus grandes perigos. Um campo infinito, apaixonante e imparável, que tanto poderá ser usado para a consolidação de um poder dominante e opressivo, como para a consolidação da democracia e de uma sociedade mais justa, mais verdadeira, mais progressista e igualitária. O mal não está na Ciência, mas no uso negativo que Homem lhe pode dar.

 

Leave a Reply