Em terras de Belém
presépio desfeito
estrelinha apagada.
Magos sem rumo
Jesus nascido pr´a nada.
Na coroa os espinhos
nas mãos as chagas
Cristo perdido entre os homens
o Gólgota erguido.
Um muro de ódio
feito de mortos
amassado de sangue.
O massacre de inocentes
crivados de balas
corpo dilacerado
heróis sem nome
Herodes ressuscitado.
Natal…
papel rasgado
negro
sem luz
sem Messias anunciado.
Mataram-no.
Jaz nos escombros de Gaza
cruelmente crucificado.
Na Palestina sem terra
apenas o céu do Oriente
onde se ergue a lua em forma de crescente.
Lá no alto
o mavioso cântico
Paz na terra aos homens de boa vontade…
E a lua faz uma careta
dizendo
tudo isso é treta.


