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A luta pela recuperação dos antigos, da economia dos clássicos, por um saber que documenta e interpreta os tempos, que ilumina as múltiplas faces da verdade, é uma luta bem atual, uma luta contra os ventos dominantes no ensino universitário (e não só universitário) que, em Portugal, optou pela erudição apressada em vez da maturação paciente e transdisciplinar, subjugando-se o seu rumo ao imediatismo do mercado.
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Nota de editor: dada a extensão do texto, o mesmo será publicado em duas partes, hoje a segunda.
15 min de leitura
Texto 3. Economia e interdisciplinaridade: Um passo em frente, N passos atrás? (2/2)
Extracto de Economics Imperialism and Interdisciplinarity: The Watershed and After
Critical Reconstructions of Political Economy, Volume 2
Contribuidor: Dimitris Milonakis
Série: Studies in Critical Social Sciences, Volume: 267
Este volume foi-me disponibilizado apenas para consulta por Ben Fine a quem pedi sugestões de textos para analisar a importância da Escola de Chicago no ensino de economia. Disse-me: consulte este texto e veja as muitas referencias que aí pode encontrar.
Penso ser um texto muito importante para o momento que atravessa o ensino de economia nas universidades portuguesas pelo que assumi como minha obrigação divulgar esta obra de Ben Fine. E para que o leitor tenha consciência da importância da obra decidi publicar por minha conta e risco este capítulo. A todos peço desculpa pela liberdade tomada.
Agradeço ainda ao Fernando Ribeiro pela revisão efetuada sobre o presente texto.
JM
(conclusão)
Assim, surgiu a primeira fase do imperialismo da economia, um reflexo desta lógica histórica, cujo expoente mais notável é Gary Becker. O que caracteriza esta primeira fase, o velho imperialismo da economia, é que este procura aplicar a TA2 não só ao seu problema inicial das implicações do comportamento individual optimizador num contexto de mercado (oferta e procura), mas a outros problemas económicos e sociais, em princípio sem limites. Acontece tratar o que está fora do mercado, o social, como se um mercado existisse, como se, por exemplo, os membros de uma família comercializassem entre si, ou se a atividade criminosa fosse simplesmente uma questão de comercializar na margem potenciais recompensas contra potenciais punições. Inicialmente, as aplicações mais salientes encontravam-se na teoria do capital humano (tratar as competências e a aprendizagem e a sua aplicação como se de um ativo fixo se tratasse), na nova história económica (ou cliometria, que analisa o passado como se de modelos de oferta e procura se tratasse) e na teoria da escolha pública (a política como se de mercados se tratasse). Mas, no contexto do boom do pós-guerra e do triunfo intelectual do keynesianismo, a microeconomia permaneceu subserviente à macroeconomia (sob a forma de funções IS/LM), e a economia aplicada conservou uma certa força, da mesma maneira que se manteve o respeito, e possivelmente a intimidação intelectual, pelas fronteiras disciplinares.
Mas a estagflação da década de 1970 deu origem à contra-revolução monetarista mais estreitamente associada a Milton Friedman. No entanto, em última análise, de modo igual mas intelectualmente muito mais importante ou abrangente, algo mais estava a ganhar força, possivelmente menos suscetível de ser reconhecido devido ao dramático desaparecimento do keynesianismo anteriormente hegemónico, tanto como campo de estudos macroeconómicos como sendo o fundamento para um intervencionismo muito mais abrangente. De um modo geral, a contra-revolução monetarista assinalou também um ponto de viragem para a inversão da hierarquia macroeconómica/microeconómica no seio da disciplina. Por sua vez, esta inversão esteve associada a dois efeitos importantes para a nossa narrativa. Em primeiro lugar, os campos aplicados ficaram sujeitos à “teoria”, isto é, à microeconomia, e foram excluídos como alternativas, sobretudo na apropriadamente designada Nova Economia do Desenvolvimento e no Consenso de Washington, exemplos da primeira fase do imperialismo da economia (tratar tudo como se, e para ser transformado em mercados perfeitamente funcionais) por excelência. Isto significava até que ponto o imperialismo da economia estava a colonizar internamente a disciplina da economia, sobretudo a própria macroeconomia, com a sua redução à microeconomia. Com a Nova Economia Clássica (NEC), e a emergência das expectativas racionais, dos indivíduos representativos, etc., a macroeconomia foi cada vez mais levada aos extremos da microeconomia, e as hipóteses assumidas passaram a adequar-se mais à teoria económica do que ao tema da economia que estava a ser objeto de análise.
Em segundo lugar, e subsequentemente, deu-se a restauração do keynesianismo (hidráulico) [11] através da informação assimétrica, da economia das imperfeições de mercado, consolidando-se (em vez de romper com) a dependência em termos da microeconomia e muitos dos pressupostos extremos associados à Nova Economia Clássica, tais como expectativas racionais, indivíduos representativos e redução das finanças à oferta e procura de moeda. Entretanto emergiu o Novo Consenso Macroeconómico, que se tornou hegemónico até ser brutalmente abalado pela crise financeira global, expondo, mesmo para os seus defensores acérrimos, o quão empobrecida se tinha tornado a macroeconomia em termos de conteúdo e de âmbito [12]. Com ciclos económicos reais e mudanças nas tecnologias a serem tratadas como choques aleatórios, a Nova Economia Clássica é a macroeconomia tratada como sendo microeconomia, e não só levada a extremos, mas também de formas extremas. Lucas (2003) declara que a microeconomia tem a perspetiva de tornar a macroeconomia supérflua, possivelmente ao definir como economia apenas o que pode ser feito pela microeconomia [13].
Inevitavelmente, houve reações keynesianas (ortodoxas) contra esses extremos, embora sejam notáveis por incorporarem, em vez de rejeitarem, muitas das iniciativas associadas à Nova Economia Clássica (especialmente em termos de confiança contínua na microeconomia e nas expectativas racionais, quando não em mercados que funcionam perfeitamente e numa intervenção estatal completamente ineficaz) [14]. Essas foram as bases da imperfeição do mercado para o que viria a dar origem à segunda fase, o novo imperialismo da economia. Ao contrário do velho imperialismo da economia, que tratava o não-mercado como se fosse mercado (a escolha entre maçãs e peras é exatamente o mesmo tipo de escolha que entre guerra e paz, para o prémio Nobel da escolha pública James Buchanan), o novo imperialismo da economia trata o não-mercado como se fosse uma resposta às imperfeições do mercado. Assim, por exemplo, a família, o Estado, as instituições, os costumes e a cultura devem ser explicados como a resposta ao facto de os mercados não funcionarem perfeitamente. Consequentemente, surgem relações não mercantis, ainda que com base em comportamentos optimizadores. Estas relações têm o potencial de melhorar os resultados de equilíbrio ou mesmo de os piorar (como argumentariam aqueles que acreditam na perfeição do mercado, em que as intervenções para melhorar o mercado apenas o fazem funcionar pior).
Isto abriu a perspetiva de um imperialismo da economia mais generalizado e mais aceitável, na perspetiva de outras ciências sociais, à luz da não redução de tudo ao mercado, dando assim origem a toda uma série de “novos” ou renovados campos para o ensino dominante em economia – como a nova sociologia económica, a nova economia do bem-estar, a nova economia institucional, a revitalização da nova história económica (liderada por Douglas North com a surpreendente afirmação de que as instituições são importantes), a nova teoria do crescimento e a mudança da nova para a “mais recente” economia do desenvolvimento (da de Washington para a do pós-Consenso de Washington) [15]. Tudo isto se reflete naquilo a que se pode chamar um “trazer de volta”, ou a síndrome bbi (“bringing back in”). Isto é paradoxal, ou mesmo perverso, uma vez que, dado que a TA2 só podia ser estabelecida por omissão de legiões de considerações para poder estabelecer resultados fundamentais, este aparato devia agora ser aplicado de forma mais alargada, precisamente para abordar essas considerações de que a sua legitimidade dependia da sua ausência.
Como é sabido, o exemplo emblemático da nova economia das imperfeições do mercado é o mercado de Akerlof para os automóveis usados considerados “limões”. A informação assimétrica entre compradores e vendedores significa que o mercado é ineficiente. Aqueles que pretendem juntar-se para trocar um automóvel superior (inferior) a um preço superior (inferior) não o podem fazer, uma vez que esses automóveis são indistinguíveis uns dos outros para o comprador e, por conseguinte, devem ser vendidos ao mesmo preço. Os automóveis de qualidade superior podem ser excluídos do mercado a um preço demasiado baixo, e os automóveis de qualidade inferior podem ser introduzidos a um preço superior ao seu valor. Esta situação é ineficaz enquanto tal, mas também é possível que se verifique um excesso de oferta (procura) se os preços se fixarem a um nível elevado (baixo) ou a ausência total de mercado se ninguém confiar suficientemente na qualidade. Mas isto não tem nada a ver com os veículos em segunda mão em particular. O mesmo poderia acontecer em qualquer mercado. Os concessionários interessados poderiam agrupar-se e oferecer um sistema de garantia, uma solução coletiva e não mercantil. É a forma embrionária do Estado, da cultura, dos hábitos, das instituições, etc. As imperfeições microeconómicas do mercado permitem explicar o não mercado como resposta a essas imperfeições.
Assim, a microeconomia e as imperfeições do mercado permitem incorporar mais ou menos qualquer variável económica e social com base na otimização dos indivíduos. Esta inclusão potencial de variáveis como resposta à imperfeição do mercado é a chave para a atual, terceira e mais recente fase do imperialismo da economia, que surgiu antes da crise global, mas foi por esta acelerada. Esta fase caracteriza-se, relativamente à fase das imperfeições do mercado, por aquilo a que chamo “suspensão”. O bbi só poderia tornar-se cada vez mais significativo quando a TA2 estivesse implantada de forma de tal modo forte e inquestionável que o bbi pudesse ser levado a cabo sem ser ameaçado pelo confronto, ou mesmo pela combinação com hipóteses ou conceptualizações inconsistentes sobre o que foi deixado de fora. O mais notável, por exemplo, é a racionalidade limitada, a economia comportamental em geral e a teoria dos jogos (tratada com desconfiança quando a TA2 estava a ser consolidada devido às suas interdependências comportamentais). Mas o bbi associado à nova fase do imperialismo económico é semelhante a um pecado original, motivando a inclusão de qualquer variável como objeto de otimização. Mas, da mesma forma, uma vez introduzidas estas variáveis nesta base, é simples continuar a utilizá-las, seja qual for a base escolhida, sem necessariamente se basear total e exclusivamente no comportamento optimizador.
Assim, a preocupação exclusiva com a otimização pode ser suspensa, mas não eliminada. Pode ser combinada com outras motivações e condicionalismos que não o mercado. Mesmo quando a otimização (especialmente a maximização da utilidade) é completamente abandonada, há uma tendência para que continue presente sob a forma do que os indivíduos fariam se eles ou o mundo em que vivem fossem perfeitos. Esta suspensão enriquece a escala e o âmbito da bbi, permitindo teorias mistas na formulação dos modelos mais flexíveis – introduzir variáveis e fazer estimativas, em sintonia com a presença crescente da econometria, que permite uma mudança correspondente no significado de modelo, de teoria para uma equação ou para seis. O mundo torna-se uma função Cobb-Douglas, ou CES (elasticidade de substituição constante), se o conseguirmos, sobretudo nas aplicações empíricas da nova teoria do crescimento endógeno. E, com a suspensão, o economista da corrente dominante pode afirmar que já não é neoclássico, que se tornou mais realista e até que é interdisciplinar e heterodoxo ao afastar-se do que foi feito antes – embora a realidade seja que os métodos, as teorias e as conceptualizações da última fase do imperialismo da economia continuam a ser indiferentes e hostis às outras disciplinas e à heterodoxia, especialmente no que diz respeito à análise do que é sistémico, do poder, do conflito, da classe, etc., que levam a suspensão para muito longe da dependência central da TA2 [16].
3. Reconhecer os pontos fortes, expor e explorar os pontos fracos
Em suma, a economia e o imperialismo da economia, na sua última fase de suspensão, são tão poderosos e confiantes no seu núcleo, TA2, que são capazes de o quebrar à vontade, estendendo-se a cada vez mais áreas de aplicação. De certa forma, é uma notícia falsa no domínio académico. Também se projeta a partir de uma posição extraordinariamente poderosa de força institucional, americanizada, sobre a formação de doutorados, o controlo das revistas, a indicação para os prémios Nobel, etc.
Mas, da mesma forma, a par do esmagador e até crescente domínio institucional da corrente dominante sobre a disciplina, há fraquezas intelectuais notórias e cada vez mais evidentes. A primeira, e a mais óbvia, é a incapacidade relativa à crise económica mundial – a incapacidade de explicar, mesmo depois do acontecimento, como é que foi possível que tenha acontecido. Em segundo lugar, a falta de uma visão do mundo coerente – seja ela ricardiana, keynesiana ou mesmo monetarista – que mereça o apoio geral, apesar da unanimidade em relação a métodos inquestionáveis, centrados, ainda que suspensos, na TA2. Em terceiro lugar, a incapacidade da teoria económica dominante para explicar a economia, a necessidade de recorrer a outras ciências sociais e a variáveis não económicas para o fazer, uma aceitação implícita de que a economia, enquanto tal, é inadequada para a economia sem funções suplementares das ciências não económicas e das outras ciências sociais. Em quarto lugar, quando a corrente dominante invade outras disciplinas, fora dos seus métodos, conceptualizações e pressupostos extremos, expõe-se a alternativas críticas provenientes de outras ciências sociais. Em quinto lugar, os aspetos sistémicos e interpretativos das outras ciências sociais e das humanidades são os menos recetivos ao imperialismo da economia, embora sejam e possam ser feitos ataques fracos; a economia dominante sente-se extremamente desconfortável com o não-individualismo ou com o que dele pode ser derivado, sobretudo no que diz respeito a questões de poder e conflito, e igualmente pouco à vontade com o exame crítico do significado e da reconstrução dos seus conceitos e do seu conteúdo normativo.
O exemplo mais recente e óbvio da maioria destas fraquezas é dado pelo conceito de financeirização. Este conceito explodiu nas ciências sociais ao longo da última década, mas ainda não teve qualquer presença na corrente dominante [17] com a presunção de que tudo o que aconteceu no período intermédio pode ser suficientemente resolvido através das suspensões anteriormente sugeridas, e em particular com os pressupostos comportamentais mais alargados a ganharem destaque. Mas, embora compreensivelmente evidente como uma deficiência do mainstream, trazida à luz pela crise financeira global, esta é apenas a ponta do icebergue de uma legião de deficiências impulsionadas até por um individualismo metodológico suspenso: como lidamos com a inovação, a distribuição, a monopolização, a globalização, a neoliberalização, o exercício do poder, os conflitos, os seus significados, a contextualização e os correspondentes determinantes.
Isto permite uma viragem mais positiva no nosso relato, especialmente no que diz respeito à interdisciplinaridade que permite à economia dominante ser exposta às ciências sociais dominantes et a fortiori às ciências sociais radicais. Porque é precisamente com a sua concetualização estreita e reduzida da economia que as fraquezas da economia dominante têm as suas imagens de outro mundo noutras ciências sociais. Não se trata apenas de uma questão de lógica e de diferenças nas fronteiras interdisciplinares e no conteúdo interno. Após um período de pós-modernismo, sem nunca eliminar completamente os seus sucessores fecundos (variedades de pós-isto e aquilo – ismos) nos últimos vinte anos, as ciências sociais tomaram um rumo mais material ou realista, como refletido nos tratamentos do neoliberalismo e da globalização e, como já foi mencionado, da financeirização. A atenção voltou-se para a forma como estes desenvolvimentos relativos ao neoliberalismo, à globalização e, cada vez mais, à financeirização, afectaram tudo, desde o funcionamento sistémico até à vida quotidiana dos indivíduos situados em oposição à vida dos indivíduos definidos pelas funções de utilidade exogenamente consideradas nas suas análises.
O resultado tem sido um florescimento da economia política nas ciências sociais e uma espécie de Guerra Fria entre esta e a economia dominante, na qual se verificam poucos compromissos sérios, para além das exigências não satisfeitas dos estudantes no sentido de repensar a economia e o seu ensino mais pluralista. É por isso que a formação de associações de Economia Política é tão importante para reunir as críticas à corrente dominante, à sua pretensa interdisciplinaridade e à sua intolerância às alternativas. Isto tem estado na base da minha própria motivação intelectual durante várias décadas, sobretudo no que diz respeito à forma de manter e reproduzir tradições e conhecimentos alternativos, com conhecimento crítico do (e para ser considerado contra o) monopólio cada vez mais intolerante da corrente dominante.
Em termos retóricos, onde é que isto deixa estrategicamente a economia política e a interdisciplinaridade, dado o enorme espaço para a crítica analítica? Não se deve, portanto, especialmente através da “suspensão”, subestimar o quanto a corrente dominante é capaz de contra-atacar fazendo concessões mínimas através do próprio imperialismo da economia, como se tais desenvolvimentos fossem capazes de negar todas as críticas de perspetivas pluralistas. Há, portanto, a necessidade de continuar a expor e a criticar a corrente dominante, mesmo que isso seja árduo e pouco compensador em certos aspetos. Além disso, tal como se reflete no movimento para uma economia pluralista, é preciso ter em conta que existe um potencial considerável tanto para a unidade como para a divisão, apesar do que poderia parecer ser um objetivo comum. Em quase todos os critérios, a economia convencional está metodológica, concetual, teoricamente, e até pelos seus pressupostos de referência, posicionada em extremos distantes das várias perspetivas de outras ciências sociais, para não falar da economia política. Consequentemente, há tanto para criticar de tantos pontos de vista diferentes que, muitas vezes, a única coisa que as críticas precisam de ter em comum é a multiplicidade de formas (e não necessariamente partilhadas) de discordar da corrente dominante, seja minimamente ou como rejeição total. Com a última fase do imperialismo da economia como suspensão, agora somos todos pluralistas – embora seja comum descobrir que os economistas da corrente dominante aceitam o pluralismo em princípio (ou como uma resposta estratégica ao que se considera serem resmungos desinformados), enquanto a sua prática consiste em rejeitar as alternativas como não científicas por alguns critérios não especificados ou mal formados (geralmente falta de modelização matemática em torno de TA2, suspensa ou não).
Em suma, com a suspensão, agora somos todos pluralistas, embora alguns sejam muito mais pluralistas do que outros. Em certa medida, esta situação favorece a última fase do imperialismo da economia e de várias formas. Em primeiro lugar, pode pilhar seletivamente a economia heterodoxa de forma marginal, tal como anteriormente pilhava as ciências sociais, para obter variáveis a incluir na sua implantação (suspensa) da TA2. Em segundo lugar, isto permite aquilo a que se poderia chamar heterodoxia mainstream como defesa da disciplina – considere-se que estamos a responder a críticas, que estamos a tornar-nos mais realistas, que estamos a interagir com outras ciências sociais. Em terceiro lugar, isto dá origem a afirmações de que, longe de perpetuar o imperialismo da economia, a ciência económica está a tornar-se mais adaptativa, e mesmo sujeita, a um imperialismo inverso (como se a adoção da cozinha indiana no Reino Unido, em particular os “take aways”, em detrimento do peixe e batatas fritas, fossem prova de uma inversão histórica do imperialismo cultural britânico).
A esta luz, um debate vigoroso sobre a natureza atual da corrente de pensamento económico dominante e a sua relação com outras ciências sociais é vital para situar e promover alternativas. E esse debate existe, sobre o qual têm surgido divergências consideráveis. Um exemplo disso é a forma como Tony Lawson, o principal expoente do Realismo Crítico em Economia (CRE), tem defendido que a economia neoclássica não existe ou, pelo menos, é um termo enganador, na medida em que não tem um núcleo teórico e concetual comum e, certamente, não continua as tradições nem renova a economia (política) clássica. No entanto, eu sugeriria que uma visita a qualquer sala de aula, livro de texto ou revista, para não falar dos departamentos de economia, indicaria o contrário, pelo menos no que diz respeito à Economia e à Interdisciplinaridade [18]. Para Lawson, a teoria económica dominante é definida pela sua metodologia determinística e dedutiva, em oposição à teoria da substância, e isso reflete-se na sua crescente dependência da modelização matemática. Uma interpretação diferente, se até certo ponto consistente, é oferecida por Colander (2010), na qual ele vê a economia neoclássica como estando a desintegrar-se a partir do exterior, à medida que novos métodos e fatores entram em jogo, trazidos de outras ciências sociais (i.e. reverter o imperialismo e muito mais).
Como é evidente, discordo de ambas as interpretações e posso explicar porque é que elas podem ser chamadas de uma verdadeira ilusão. No caso da matemática (e da econometria), a disciplina baseia-se na falsa presunção de que está a emular alguma noção inventada dos métodos das ciências naturais e físicas. Mas, como tenho procurado realçar, juntamente com o aumento da matemática, permanece um conteúdo analítico central em torno da TA2, mesmo que em suspensão na última fase do imperialismo da economia. E a ideia de que isso representa a desintegração do mainstream a partir do exterior é contrariada pela simples observação de que, à medida que o mainstream expandiu o seu campo de intervenção e os seus métodos, tornou-se ainda mais (e não menos) tolerante de alternativas, para além de que a expansão dos seus limites é muito estreita, se é que se alargou mesmo os seus limites. De facto, coloque a questão da desintegração da economia dominante perante qualquer economista heterodoxo que anda à procura de um emprego, ou estudante que anda à procura de um curso de economia política ou história do pensamento económico, método económico, etc. Em vez disso, como eu argumentei, no coração da economia mainstream encontra-se TA2, embora agora esteja embutido em suspensão, dando a ideia de que não há nenhuma coisa que possa ser chamada de economia neoclássica (Lawson) ou que exista e esteja em desintegração provocada pelo exterior (Colander).
Tais diferentes abordagens da natureza da economia dominante e da sua interdisciplinaridade, têm implicações significativas sobre como situar a oposição e alternativas. Para Lawson, a principal linha de ataque é através da ontologia social, onde o mainstream é reconhecidamente fraco, mas não tão debilitante como isso. Surpreendentemente, a economia dominante tem ignorado primária e cuidadosamente, tem mesmo descartado, questões metodológicas durante décadas. Quaisquer que sejam os méritos intelectuais da abordagem de Lawson – e estes são consideráveis – devemos ter dúvidas sobre o seu impacto em persuadir aqueles que pertencem ao pensamento dominante a abandoná-lo, e se o fossem será que não seria melhor que eles fossem atraídos para questionarem muitas das suas características extremas, além daquelas derivadas da sua metodologia empobrecida e mal considerada? Em suma, CRE é apenas um entre um qualquer número de caminhos para a avaliação crítica do pensamento dominante em economia e para afirmar alternativas [19] . E contra Colander, a ideia de que o pensamento económico dominante se desintegrará a partir do exterior através da contribuição concertada, mas flexível, da heterodoxia, diremos que é uma ideia muito rebuscada [20].
Contudo, a minha tendência, e de forma inequívoca, é de ser tolerante com todas as formas de heterodoxia, ao mesmo tempo que me envolvo num vigoroso e crítico debate sobre alternativas, consciente da extensão do monopólio da ciência económica pelo pensamento económico dominante que torna qualquer oposição extremamente difícil, frágil e que deve ser acolhida e alimentada. Sob esta luz, há muito a ser dito tanto em relação à integridade intelectual – dizendo que ela é oposta ao que é aceitável para o pensamento económico dominante – e nunca esquecendo que o pluralismo é uma postura de voz igual em circunstâncias muito desiguais, dado o domínio do pensamento económico dominante [21]. Mas no domínio do saber, pelo menos em princípio, é o poder das ideias e dos argumentos que deve prevalecer, e nós temos armas superiores através da metodologia, do realismo e da interdisciplinaridade, seja qual for a sua interpretação, especialmente quando a teoria económica dominante, dita mainstream, expõe as suas fraquezas através do imperialismo da economia. Assim, embora devamos estar conscientes dos perigos do oportunismo intelectual que se apresenta como compromisso estratégico, no domínio das ideias, a integridade intelectual deve ocupar um lugar de destaque, juntamente com a tolerância do seu florescimento por todo o lado e pelos meios que lhe forem possíveis.
Como resultado, aqueles que estão envolvidos em economia política heterodoxa, pluralista e/ ou interdisciplinar não devem subestimar os desafios que enfrentam de um pensamento económico hostil e dominante. Mas as oportunidades serão abertas e fechadas, possivelmente dentro da própria economia (em resposta às motivações dos alunos, por exemplo), bem como dentro de outras áreas. No Reino Unido, por exemplo, a economia política é forte dentro das escolas de negócios e gestão por razões peculiares; é interdisciplinar e bem-sucedida (os alunos acham que lhes dá um emprego), que corresponde à independência financeira e, portanto, intelectual e tem alguma ligação ao mundo real (de negócios ou não), ou que representa uma força institucional de heterodoxia (Estudos Críticos de Gestão) e uma história de reestruturação de muitas disciplinas sob um único guarda-chuva, às vezes sob a orientação de universitários radicais da década de 1960, à medida que atingem a antiguidade institucional. De um modo mais geral, e mais importante ainda, o posicionamento contra o pós-modernismo (onde ele não está a ser reinventado) e para o real à luz das falhas do neoliberalismo, e das duras realidades da GCF e das suas consequências, significaram que a economia política tem sido colocada no centro de muitos disciplinas e temas nas ciências sociais.
Diferentes países terão diferentes trajetórias e contextos disciplinares, embora a tendência geral em todos os lugares tenha sido a redução e a marginalização da economia política, mesmo onde anteriormente poderia ter sido forte e vibrante. A nível individual, à medida que as oportunidades se abrem ou se fecham, são necessários compromissos no que diz respeito às publicações e ao ensino, e estes devem ser tolerados enquanto defendem o progresso em direção a alternativas ao ensino dominante. Tais desenvolvimentos são muito mais fortes e seguros quanto mais estes compromissos estão ligados e apoiados por associações de economia política, e com estas, por sua vez, empenhadas não só com a crítica do ensino dominante, mas também com a interdisciplinaridade. Tendo desempenhado um papel na criação da Iniciativa Internacional para a Promoção da Economia Política, iippe.org, há uma década, e sendo agora o seu Presidente, tenho-me congratulado com o facto de esta ter conseguido estabelecer contactos com organizações semelhantes, nomeadamente a Association française d’économie politique, afep (http:// assoeconomiepolitique.org/), a Associação Turca de Ciências Sociais, TSSA (tsbd.org.tr/ ), e a Sociedade Brasileira de Economia Política, SEP (sep.org.br). A Iniciativa Internacional para a Promoção da Economia Política. IIPPE, realizou conferências conjuntas com a AFEP (outra em 2019) e com a TSSA, e tem relações de longa data com a SEP. O mesmo se aplica à recém-formada Rethinking Economics for Africa, (http://www.rethinkeconomics.org /re-group/rethinking-economics-africa-wits/), onde se acabou de realizar uma conferência com a sua fundação. A IIPPE realizou a sua conferência de 2016 em Lisboa e uma futura conferência conjunta representará certamente um passo promissor para a promoção da economia política dentro e fora das fronteiras nacionais e disciplinares.
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Notas
[11] E por isto entendemos aqui e noutros lugares o quadro hegemónico IS/LM do período keynesiano, em oposição às muitas variedades de keynesianismo que coexistiram e lhe sucederam depois. (ver Fine e Dimakou 2016).
[12] Para Blanchard (2008, p. 1), ex-economista-chefe do FMI: “durante muito tempo após a explosão da macroeconomia na década de 1970, o campo parecia um campo de batalha. No entanto, ao longo do tempo, em grande parte porque os factos não desaparecem, surgiu uma visão amplamente partilhada tanto das flutuações como da metodologia. Nem tudo está bem. Como todas as revoluções, esta veio com a destruição de algum conhecimento, e sofre de extremismo e de simplismo extremo. No entanto, nada disto é mortal (sic). O estado da macro é bom”. Posteriormente, cinco mea culpas foram confessados ao explicar como é que o estado da macro já não era bom – que uma fraca inflação deveria ser um objetivo principal da política económica; isso poderia ser alcançado através do instrumento único da taxa de juros; a política orçamental era de importância limitada; a regulamentação financeira não era uma questão de macroeconomia; e, com a Grande Moderação, a estabilidade continuada foi mais ou menos garantida (Blanchard et al 2010).
[13] Assim, ao contrário do risco estocástico, ” em casos de incerteza, o raciocínio económico não terá qualquer valor ” (Lucas 1981, 224).
[14] Assim, para o Neoclássico keynesiano, Solow, um enormíssimo desgosto pela NCE é expresso e amplamente citado da seguinte forma (Klamer 1984, p. 146): “suponha que alguém se senta onde você está sentado agora e me diz que é Napoleão Bonaparte. A última coisa que quero fazer com Napoleão é envolver-me numa discussão técnica sobre táticas de cavalaria na batalha de Austerlitz. Se eu fizer isso, vou ser tacitamente arrastado para o jogo de que ele é Napoleão Bonaparte”. Mas a própria promoção de Solow da economia como uma única função de produção, e o tratamento do progresso técnico como um resíduo na década de 1950 não são coisas menos extremas e, de facto, isso facilitou ainda mais os extremos que se lhe seguiram, tanto na macro como na micro, por mais desagradável que isso seja para ele como keynesiano.
[15] Também foi encontrado espaço para a teoria dos jogos e a sua aplicação à economia comportamental (estratégias para otimizar em vez de permitir outras motivações comportamentais em primeira instância).
[16]Há gente que diz entender o mundo não só como um derivado dos mercados, funcionando perfeitamente ou não, mas também de capacidade para criar mercados com melhor desempenho através de uma conceção e regulamentação adequadas dos mercados e dos comportamentos. Aqui, há afinidades com a tese da performatividade (por exemplo, o papel de Black-Scholes na criação de mercados financeiros), mas veja-se Fine (2016b) para uma crítica a esta argumentação.
[17] Veja-se Dymski (2015) embora, e sem surpresa, começaram a aparecer na literatura económica dominante compreensões diluídas sobre a financeirização. Veja-se igualmente Mader e al (eds) (2020).
[18]Sobre a minha própria crítica e sobre um debate mais geral sobre a posição de Lawson, ver Fine (2015) e Morgan (ed.) (2015), respetivamente.
[19]Curiosamente, Hodgson (2018) apoia fortemente a ideia de que o TA2 continua a ser primordial, pelo menos através da dependência da maximização da utilidade se, ironicamente, ignorar o papel das funções de produção. Ele atribui isso à incapacidade de falsificar empiricamente a hipótese Umax. Hogdson argumenta que a referência à ética e à motivação individual mais ampla pode ser a estratégia mais eficaz para deslocar a corrente de pensamento dominante em economia. No entanto, com esta posição ignora-se então em que medida o pensamento dominante continua comprometido com o seu núcleo central, mesmo onde pode ser falsificado; não menos importante, é a crítica da teoria do Capital da Escola de Cambridge (Inglaterra) na qual ele próprio, Hogdson, anteriormente escreveu uma peça esclarecedora ao apontar para a negligência de suas implicações (Hodgson 1997).
[20]Para uma crítica espirituosa de Colander, e especialmente que a heterodoxia não tem nada a oferecer além da crítica, ver Lee (2013).
[21]Considere, por exemplo, quantos departamentos de economia se juntariam a uma Associação de Economia Pluralista.
Referências
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Ben Fine [1948-], é um economista inglês. Estudou matemática na Universidade de Oxford. Fine formou-se aos 20 anos e depois foi recrutado por Sir James Mirrlees, concluindo um diploma de economia. Doutorou-se em economia na London School of Economics, sob a supervisão de Amartya Sen, em 1974. Mudou-se para o recém-criado departamento de economia em Birkbeck, Universidade de Londres, depois trabalhando a tempo parcial como economista industrial no Greater London Council antes da sua abolição. Foi membro do Comité de Investigação em Ciências Sociais da Food Standards Agency do Reino Unido, que se reuniu até 2016. Atualmente, Ben Fine é professor emérito de economia no departamento de Economia da SOAS, Universidade de Londres. Faz parte do grupo de supervisão dos Economistas do Conselho Económico dos Cidadãos da Royal Society of Arts, Commerce and Manufacturing (RSA).
Fine trabalhou inicialmente na teoria da escolha social, que mais tarde informou vários estudos sobre a escolha do consumidor e os padrões de consumo. Desenvolveu a estrutura ‘sistemas de produção’ para entender as maneiras pelas quais os bens são produzidos e consumidos, trabalhando com E. Leopold. Ultimamente, voltou-se para a compreensão da economia do trabalho e das desigualdades no sector extractivo da África do Sul, com base em alguns trabalhos anteriores sobre a indústria britânica do carvão, que estava em declínio.
É autor de uma série de obras na ampla tradição da economia marxista, e fez contribuições sobre o imperialismo económico e críticas ao conceito de capital social. Talvez o seu livro mais significativo até à data seja o Capital de Marx (6ª ed. 2016, primeira edição. 1975), com Alfredo Saad-Filho. O seu trabalho é citado mais de 39.000 vezes (Google Scholar, 2018) e os seus livros foram traduzidos para treze idiomas. Assessorou a UNCTAD, a UNDESA, o PNUD, a UNRISD e a Oxfam e atuou como consultor especialista na Comissão do mercado de trabalho Sul-africano de 1995-1996 do Presidente Nelson Mandela.
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