Lembrando o Carlos Loures por António Gomes Marques

Lembrando o Carlos Loures

por António Gomes Marques

 

Há dois anos, que hoje se completam, deixaste-nos, mas a lembrança de ti não desaparece; no entanto, prefiro recordar momentos que vivemos juntos, com as nossas famílias ou/e com os nossos amigos comuns, momentos em que mostravas toda a tua vitalidade e todo o conhecimento de que eras detentor.

Alguns desses momentos já os recordei neste nosso blogue, de que foste o principal criador, sendo um dos mais significativos o que ocorreu em Santa Clara, Cuba, em frente do túmulo de Che Guevara, que me levou a escrever, uns dias depois da tua morte e neste blogue publicado, o que transcrevo:

Em Santa Clara, o túmulo de Che Guevara tem gravada na parede exterior da entrada, a letras de ferro, a carta de despedida que o Che enviou a Fidel de Castro. Lendo a carta, que eu já conhecia, as lágrimas brotaram dos meus olhos de forma quase incontrolada, o que levou o Carlos, logo que se apercebeu, a aproximar-se de mim, colocando-me uma mão num dos meus ombros, sem proferir qualquer palavra, gesto bastante para que as lágrimas parassem. Mais tarde falámos do episódio, o que me deu a oportunidade de dizer ao Carlos que as lágrimas não eram pelo Che ou pelo seu bárbaro assassinato a mando da CIA, pois ele tinha escolhido voluntariamente o caminho que pretendia seguir, consciente dos perigos de vida que iria correr; as minhas lágrimas eram pelo sonho que a Revolução Cubana tinha ajudado a criar em nós e que nós, perante toda a realidade que víamos no país que visitávamos, tomávamos consciência de que não seria realizado durante toda a nossa vida. Mais uma vez o nosso acordo foi total, pois o Carlos pensava exactamente como eu, não cabendo agora aqui comparar a vida dos cubanos com a deplorável vida dos povos de outros países, a começar pela América Central ou América do Sul.

São momentos como este que mostram a amizade e a comunhão de valores que sempre nos uniram.

Carlos Loures

Outros momentos poderiam ser por mim invocados, e eles «atrapalham-se» uns aos outros na minha memória.

As guerras que mais atenção merecem actualmente seriam, sem qualquer dúvida, os principais motivos das nossas conversas, caso estivesses ainda entre nós. O teu rigor histórico estaria presente como sempre esteve em todas as discussões. O «pensamento único ocidental, made in USA» levar-nos-ia à divulgação de textos o mais rigorosos possível para que o contraditório fizesse luz na cegueira seguida em praticamente todos os governos do chamado mundo ocidental, não apenas em relação à guerra na Ucrânia, mas também no genocídio praticado pelos sionistas de Israel contra os palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, no cumprimento do plano de extermínio e expulsão do território ainda dividido entre Israel e o Povo Palestiniano, embora as terras ocupadas por este não sejam mais do que campos de concentração a céu aberto. A tua contribuição faria muito mais luz do que aquilo que temos procurado fazer com o mesmo objectivo.

A invocação por parte dos sionistas e de muitos dos seus apoiantes do que é dito pelos vários autores da Bíblia para justificar a ocupação planeada que vêm desenvolvendo, dizendo que todo o território que pretendem ocupar é seu por razões históricas que a Bíblia comprova, transformando a ficção criada pelos seus muitos autores em documento histórico irrefutável, esquecendo ou procurando fazer esquecer, e são apenas alguns exemplos, que de muitas das figuras bíblicas, incluindo Abraão, Moisés e outras personagens, não há qualquer prova da sua existência real; esquecendo que hoje já se demonstrou que muitas das narrativas na Bíblia colocam factos em determinadas datas que não são compatíveis com as datas em que factos com alguma semelhança aconteceram de facto.

Perante o que acabo de escrever, estou já a ver-te a investigar minuciosamente tudo o que acabo de afirmar para reforçar com muito mais precisão as mentiras com que querem enganar o Mundo.

Será apenas a ignorância que leva os sionistas e os seus apoiantes, onde os USA têm o papel principal, a começar pela conivência no genocídio que está a acontecer na martirizada Palestina? É evidente que não. Eles sabem que são apenas mentiras o que nos querem impingir.

Após a tua morte — física, note-se! —, volto a escrever o que escrevi de outras vezes: que falta que tu me fazes, meu amigo, meu irmão.

Portela (de Sacavém) 2024-01-03

1 Comment

  1. Associo-me à memória afectuosa de um Amigo e de um lutador no sentido da transformação social, companheiro de tantas iniciativas de âmbito político e cultural.
    Manuel Simões

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