O ÓDIO por Luísa Lobão Moniz

Atualmente fala-se muito no “discurso do ódio”. E que é o “discurso do ódio”?

 O ser Humano, e no geral todos os mamíferos, exprimem o ódio que sentem quando têm medo de enfrentar o desconhecido, ou quando são contrariados nas mudanças que desejam realizar.

O Ser Humano nasce com a capacidade de ter emoções, positivas ou negativas. No corpo humano surgem reações que nos fazem sentir tristes ou alegres, com medo, com pânico…aqueles que estão à sua volta podem perceber o que se passa em termos emocionais, pois é algo que se demonstra através das expressões faciais, dos movimentos do corpo.

Essas emoções, que todos podem ver, podem construir sentimentos que escapam aos outros. As emoções podem-se ver, mas os sentimentos não.

Quando se está em situação de tensão cultural entre o desconhecido e o medo podem-se construir, precipitadamente, preconceitos porque não há conhecimento do que se tem medo.

Hoje, o tempo passa tão rapidamente que, não se consegue a paz necessária para se pensar no que acontece na realidade à nossa volta. Reage-se depressa demais não sabendo gerir as emoções E, logo, os sentimentos que são mais complexos e perduram no tempo, mais do que as emoções, são de difícil desconstrução.

As vivências anteriores contribuem para o sentimento que se vai sentir.

A regulação das emoções é essencial no surgimento dos sentimentos.

As atitudes são reguladas pelas emoções, ou seja, um conjunto de reações químicas e neuronais, e o sentimento é a interpretação que se faz a essas alterações fisiológicas.

As emoções são independentes das realidades sociais. São universais e têm fundamentos biológicos iguais em todas as culturas.

O “discurso do ódio” pode produzir efeitos nefastos sobre as pessoas a nível psicológico, identitário, e autoestima dos atingidos. O grupo cultural, étnico, religioso, género pode ficar vulnerável, com medo ou pânico de ser discriminado ou excluído.

Pode criar clivagens na sociedade onde vivem pondo em causa a legitimidade multicultural.

A Discriminação, a Intolerância religiosa, o Fascismo, o Racismo, provocam uma sociedade dividida sem a noção de Vida que é criar o bem estar entre todos.

Ainda faltam muitos estudos para se compreender o comportamento humano, no entanto, hoje já há muito mais conhecimento do que há trinta atrás.

 Os crimes contra a paz e a humanidade, o discurso do ódio, o incitamento à violência, a negação ou apologia de crime, a publicidade são fruto da realidade em que se vive e da falta de regulação das emoções.

São fenómenos complexos que não são apenas um, mas vários.

Um dia, a neurociência explicará e saberá prevenir este flagelo universal, mas não querendo ser pessimista a verdade é que o ser humano vai-se modificando à medida que a realidade se transforma, veja-se agora a Inteligência Artificial…

Que razão leva à existência de tantas guerras pelo mundo inteiro, todas com a mesma intenção: matar seja quem for para atingir os seus objectivos, sejam eles quais forem.

Há quem queira ser poderoso e ditador, há quem queira ser pacifista e livre… A vida está do lado destes.

Em Portugal vivem-se momentos de tensão social provocados por agitadores que reclamam a abolição de direitos já conquistados, que apelam à discriminação e exclusão dos diferentes, dos que não nasceram cá, apelam à expulsão de quem veio de longe.

Agitadores que contaminam outros a serem violentos e criminosos, que contaminam uma sociedade que se ergueu pela Liberdade e que se sente perdida, dividida entre uma justiça feita na rua e uma justiça feita nos tribunais, entre a corrupção generalizada nos governantes e no deixa andar porque são todos iguais, menos aqueles que querem a discriminização, a exclusão, a provocação, a falta de respeito pelas instituições democráticas.

Estes agitadores querem ter mãos manchadas de sangue, não as suas, mas dos que os seguem sem terem tempo de pensar.

Apesar de tudo acredito que a transformação que as sociedades vão tendo e que influenciam as atitudes humanas irão no caminho da Vida. Acredito na Humanidade que não quer a exclusão nem a guerra.

 

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