HOJE É DIA 1 DE JUNHO, O DIA DA CRIANÇA por Luísa Lobão Moniz

Faço um apelo para que se faça 1 minuto de silêncio por todas as crianças maltratadas em casa, na escola, no bairro, na cidade, em Portugal e por todas as outras. As que estão a ser mortas e feridas em todas as guerras, as que são vendidas, transformadas em escravas, as que servem de escudo humano… as que estão à espera de serem adotadas e as que foram devolvidas depois de serem adotadas …por tantas, tantas as razões…

Porque hoje é o Dia da Criança desejo que os adultos façam uma reflecção sobre o que é ser criança, o que é ser pai ou mãe.

Que os Estados façam cumprir os Direitos da Criança, ou seja os Direitos Humanos.

Reproduzo, aqui, um poema escrito por Vinicius de Moraes e cantado por Ney Matogrosso, Rosa de Hiroshima. É um hino ao Mundo pela Paz, é uma chamada de atenção, à Humanidade, para as consequências das Guerras.

Criança, meu amor, minha esperança num Mundo Novo!

 

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças mudas, telepáticas

Pensem nas meninas cegas, inexatas

Pensem nas mulheres, rotas alteradas

Pensem nas feridas como rosas cálidas

 

Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa

Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária

A rosa radioativa, estúpida e inválida

A rosa com cirrose, a anti rosa atómica

Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada

 

Nuno Júdice ia às Escolas, nas Experiências Educativas, projeto da Câmara Municipal de Lisboa chamado” Os escritores de Lisboa” .

É verdade, aceitou a minha sugestão de ir à Escola onde eu lecionava, escola do 1º ciclo situada num bairro tido como muito problemático, mas cujas crianças estavam ávidas de atenção e de carinho. Nuno Júdice foi recebido com muita alegria pelas crianças. Iam ter um poeta para lhes ler poesia e falar com elas. E assim foi, ainda hoje se lembram.

Escola

O que significa o rio,
a pedra, os lábios da terra
que murmuram, de manhã,
o acordar da respiração?

O que significa a medida
das margens, a cor que
desaparece das folhas no
lodo de um charco?

O dourado dos ramos na
estação seca, as gotas
de água na ponta dos
cabelos, os muros de hera?

A linha envolve os objetos
com a nitidez abstrata
dos dedos; traça o sentido
que a memória não guardou;

e um fio de versos e verbos
canta, no fundo do pátio,
no coro de arbustos que
o vento confunde com crianças.

A chave das coisas está
no equívoco da idade,
na sombria abóbada dos meses,
no rosto cego das nuvens.

In Meditação sobre Ruínas (1995) Editora: Quetzal

 

Para o poeta a Escola é um local de aprendizagem e de vida e da passagem do tempo. 

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