Faço um apelo para que se faça 1 minuto de silêncio por todas as crianças maltratadas em casa, na escola, no bairro, na cidade, em Portugal e por todas as outras. As que estão a ser mortas e feridas em todas as guerras, as que são vendidas, transformadas em escravas, as que servem de escudo humano… as que estão à espera de serem adotadas e as que foram devolvidas depois de serem adotadas …por tantas, tantas as razões…
Porque hoje é o Dia da Criança desejo que os adultos façam uma reflecção sobre o que é ser criança, o que é ser pai ou mãe.
Que os Estados façam cumprir os Direitos da Criança, ou seja os Direitos Humanos.
Reproduzo, aqui, um poema escrito por Vinicius de Moraes e cantado por Ney Matogrosso, Rosa de Hiroshima. É um hino ao Mundo pela Paz, é uma chamada de atenção, à Humanidade, para as consequências das Guerras.
Criança, meu amor, minha esperança num Mundo Novo!
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças mudas, telepáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres, rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida e inválida
A rosa com cirrose, a anti rosa atómica
Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada
Nuno Júdice ia às Escolas, nas Experiências Educativas, projeto da Câmara Municipal de Lisboa chamado” Os escritores de Lisboa” .
É verdade, aceitou a minha sugestão de ir à Escola onde eu lecionava, escola do 1º ciclo situada num bairro tido como muito problemático, mas cujas crianças estavam ávidas de atenção e de carinho. Nuno Júdice foi recebido com muita alegria pelas crianças. Iam ter um poeta para lhes ler poesia e falar com elas. E assim foi, ainda hoje se lembram.
Escola
O que significa o rio, a pedra, os lábios da terra que murmuram, de manhã, o acordar da respiração?
O que significa a medida das margens, a cor que desaparece das folhas no lodo de um charco?
O dourado dos ramos na estação seca, as gotas de água na ponta dos cabelos, os muros de hera?
A linha envolve os objetos com a nitidez abstrata dos dedos; traça o sentido que a memória não guardou;
e um fio de versos e verbos canta, no fundo do pátio, no coro de arbustos que o vento confunde com crianças.
A chave das coisas está no equívoco da idade, na sombria abóbada dos meses, no rosto cego das nuvens.
In Meditação sobre Ruínas (1995) Editora: Quetzal
Para o poeta a Escola é um local de aprendizagem e de vida e da passagem do tempo.