CARTA DE BRAGA – “amanhã é já futuro” por António Oliveira

Hoje é um dia dedicado à meditação, aquela atitude corporal e mental (não se exige estar sentado ma posição de lótus) pois amanhã é dia de ir botar um voto numa das urnas das eleições europeias.

Até é bom para variar, porque, ‘Agora até o ócio nos aborrece. Demasiadas plataformas, montes de ofertas de canções, de filmes, de séries, de informação, conselhos… A avalancha enterra-nos em nada. O que cansa não é a vida, pelo contrário, o que cansa é não viver’ garantia um cronista, num texto do passado dia 1.

É também uma questão tratada com frequência pelos psicólogos e outros profissionais de endireitar mentes, por se ter tornado estrutural, assinalando que o que nos deita abaixo, é o ‘modo’ como levamos a vida, trabalhamos e nos tentamos distrair. Convém salientar que aquele ‘modo’, deve ser analisado como método ou sistema, o que lhe confere uma carga emotiva diferente que, sem sabermos, nos vai afectar outros valores do nosso dia-a-dia.

E mais ainda, este cansaço está a transformar-se em num sintoma colectivo, devido ao fenómeno irrecusável da conexão permanente, com ou sem ecrã, transformada já em modus vivendi.

Mas voltando atrás, hoje dia daquela meditação, para amanhã não se trocarem os escolhidos, as farpelas e outras coisas onde se enroscam, é estar atento aos ecrãs pois, garante também António Carlos Cortez, professor e poeta, numa das suas crónicas no DN, ‘Perante o aumento de 47 % de comentadores na televisão portuguesa, dois factos são absolutamente claros: é a televisão quem está a determinar o sentido dos votos em Portugal. Esse fenómeno ocorre acima dos 40 anos de idade’.

Sem me atrever a usar os adjectivos qualificativos ‘rurais’, ou aqueloutro ‘lentos’, para não cair numa escrita ‘marceloscamente’ elaborada (aprendi este qualificativo num escrito com o título Arranhadelas assinado pelo gato Serafim, no jornal digital Página um do passado dia 27 de Maio!), não posso negar e até creio, naquilo que acrescenta António Carlos Cortez, ‘A verdade dos factos morre no meio de tanto comentário, de tanto comentador’.

A questão agora não é saber de ‘alhos e bugalhos’, mas de pensar em quem explora e é explorado, das verdades de quem está em cima, nem das agruras de quem está em baixo, mas que cada um dos que vai botar um voto na tal urna das europeias, tenha bem ciente o que escreveu um dia Teixeira de Pascoaes, ‘O passado está sempre connosco. O futuro é a aurora do passado’.

Amanhã também há sol, e amanhã é já futuro!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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