AS CRIANÇAS EM NÚMEROS…
O primeiro Dia Mundial da Criança foi celebrado em Roma, em 25 e 26 de maio de 2024. Em Portugal, o Dia da Criança é comemorado todos os anos em 1º de junho, com o objetivo de promover a felicidade, saúde e bem-estar das crianças.
A Declaração dos Direitos da Criança é um documento adotado pelas Nações Unidas em 1989. Ela enuncia um amplo conjunto de direitos fundamentais para todas as crianças, incluindo direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais. A Convenção é guiada por quatro princípios gerais: não discriminação, melhor interesse da criança, direito à vida e direito de ser ouvida. A criança tem direito a proteção especial e oportunidades para um desenvolvimento saudável e digno.
O Dia Universal dos Direitos da Criança assinala-se todos os anos a 20 de novembro – um dia de ação e sensibilização mundial para todos os assuntos que afetam diretamente as crianças. É um dia para as crianças e para o seu futuro.
Tradicionalmente o Dia da Criança em Portugal reveste-se de uma certa solenidade nas escolas e infantários com a realização de atividades culturais e de recreio. É também a ocasião em que os meninos levam lembranças para casa e para os pais, objetos ou prendas que salientam e distinguem o facto de serem crianças; uma etapa importante da vida, uma etapa transitória na qual se descobrem novos mundos, amizades, cumplicidades e conhecimentos…não ficam de fora as brincadeiras, os jogos com os amigos, as partilhas de brinquedos que os aproxima aos outros e também, na acepção de Jean Chateau, ao mundo futuro do adulto!
As crianças em números? …coloquei perguntas na internet, e os dados que publico são aqueles que estão mais atualizados; no fim de cada pergunta, estão as fontes consultadas.
Quantas crianças temos em Portugal?
A resposta é: em 2022, Portugal tinha 1,3 milhões de pessoas com menos de 15 anos. Destas, 51% eram do sexo masculino e 49% do feminino. Em cinco décadas, o país perdeu quase metade dos seus habitantes mais jovens. Em 2022 viviam em Portugal 1,3 milhões de crianças e jovens até aos 15 anos, dos quais 51% do sexo masculino e 49% do sexo feminino. Portugal perdeu mais de um milhão de crianças e jovens nos últimos 50 anos e tornou-se no segundo país europeu mais envelhecido, salienta a Pordata, cujo retrato demográfico mostra que quase 5% dos 1,3 milhões de jovens são estrangeiros.
Portugal perdeu mais de um milhão de crianças e jovens nos últimos 50 anos – CNN Portugal (iol.pt)
Sobre a guerra em Gaza, quantas crianças já morreram em Gaza?
Estimativas da ONU apontam para que mais de 12,3 mil jovens tenham morrido no enclave desde 7 de outubro; a UNRWA alerta para uma “guerra contra as crianças”; apelos pelo cessar-fogo imediato são reiterados; ONU busca aliviar a crise, incluindo assistência alimentar e hospitalar.
Quantas crianças não têm a alimentação suficiente no dia a dia?
Estima-se que 45 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade sofram de desnutrição aguda, a forma mais severa de desnutrição, o que aumenta o risco de morte das crianças em até 12 vezes. Além disso, 149 milhões de crianças com menos de 5 anos tiveram atraso no crescimento e desenvolvimento devido à falta crônica de nutrientes essenciais, enquanto 39 milhões estavam acima do peso.
Relatório da ONU: Números globais de fome subiram para cerca de 828 milhões em 2021 (unicef.org)
Quantas crianças refugiadas e/ou deslocadas?
No final de 2022 havia 43,3 milhões de crianças em situação de deslocamento forçado em todo o mundo, o maior número de sempre, segundo estimativas da UNICEF. Muitas destas crianças passam toda a infância longe das suas casas, sem acesso aos direitos e serviços essenciais. Conflitos, violência e outras crises deixaram um recorde de 36,5 milhões de crianças deslocadas dos seus lares no final de 2021, de acordo com as últimas estimativas da UNICEF. Trata-se do número mais alto registado desde a II Guerra Mundial.
A realidade em Portugal não deve ser muito diferente daquela da nossa vizinha Espanha, e eu pergunto sobre as aldeias nas quais já não há crianças a brincar nas ruas (?)
Em mais de 1.000 aldeias não nascem crianças desde 2012. Em Salamanca, León e Valladolid, onde o peso dos maiores de 65 anos é mais elevado e em Parla, Fuenlabrada e Dos Hermanas, as cidades com menos jubilados. O processo de envelhecimento demográfico e a baixa natalidade fazem com que cada vez mais povoações fiquem sem crianças. Segundo os dados do INE a 1 de janeiro de 2017, em Espanha havia 1.027 aldeias nas quais não se recenseou nenhuma criança menor de cinco anos. Isto significa que em 13% dos municípios espanhóis não se registrou nem um só nascimento desde o 1 de janeiro de 2012. E mais, existem 633 povoações de Espanha que não contam com menores de 11 anos.
Em más de 1.000 pueblos no nacen niños desde 2012 – Solidaridad Intergeneracional
E as crianças nas creches?
Há milhares de crianças sem vaga nas creches. O problema é um quebra-cabeças para os pais que já equacionam despedir-se para poderem ficar com os filhos em casa…
O Governo afirma ter criado 9.000 novas vagas gratuitas em creches nos últimos dois meses, graças à portaria para aumento da capacidade de resposta, havendo atualmente, no global, 85 mil vagas, segundo a ministra do Trabalho. (Expresso 05 setembro 2023)
As crianças e a violência infantil
Todos os anos, pelo menos 55 milhões de crianças na Europa sofrem alguma forma de violência física, sexual, emocional ou psicológica, informou a Organização Mundial da Saúde, OMS. Ainda assim, a agência afirma que “muitos casos de violência interpessoal não são notificados” e que o número total deve ser bem maior.
A cada ano, 55 milhões de crianças são vítimas de algum tipo de violência na Europa | ONU News
As crianças e o trabalho
O número de crianças envolvidas em trabalho infantil subiu para 160 milhões em todo o mundo, com um aumento de 8,4 milhões nos últimos quatro anos. Cerca de nove milhões a mais de crianças estão em risco devido aos efeitos da COVID-19, segundo os resultados de um novo relatório conjunto da OIT e da UNICEF. O relatório Child Labour: Global estimates 2020, trends and the road forward (Trabalho Infantil: estimativas globais de 2020, tendências e o caminho a seguir), divulgado por ocasião do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, assinalado a 12 de Junho, salienta que a evolução da erradicação do trabalho infantil inverteu o seu sentido pela primeira vez em 20 anos, quebrando a tendência de queda registada entre 2000 e 2016, em que assistimos a um decréscimo de trabalhadores infantis na ordem dos 94 milhões… O número de crianças, com idades entre 5 e 17 anos, envolvidas em trabalhos perigosos (atividades laborais que podem prejudicar a sua saúde, segurança física ou desenvolvimento cognitivo) aumentou 6,5 milhões desde 2016, atingindo os 79 milhões de crianças.
Crianças-soldado, uma dramática realidade que continua
O dia de hoje quer enfatizar acima de tudo a necessidade de resgatar e reintegrar essas crianças que estão passando por uma das mais graves violações dos direitos da infância. Hoje celebra-se o Dia Internacional contra o uso de Crianças Soldado e Crianças Escravas, um fenômeno dramático com dimensões globais: em todo o mundo estima-se que existam cerca de 250 mil crianças usadas em conflitos, mas não há números oficiais.
Carregam espingardas e Kalashnikovs, usam facas e facões e são recrutados por forças armadas ou grupos armados. E são muito pequenos, até mesmo com 6 anos de idade, as crianças-soldado são usadas em conflitos como combatentes, como espiões, mensageiros ou, no caso de meninas, como escravas sexuais. (12- de fevereiro de 2021-Francesca Sabatinelli – Vatican News)
Crianças-soldado, uma dramática realidade que continua – Vatican News
As crianças sem-abrigo!
Aproveitando a data de 12 abril – Dia internacional das Crianças de rua – queremos refletir sobre números que falam da vida destas crianças. De acordo com estatísticas recentes: aproximadamente 150 milhões de crianças espalhadas pelo mundo, vivem em situação de rua; 356 milhões vivem em situação de extrema pobreza, sobrevivendo com menos de 1,90 dólares por dia; e 1 bilhão são pobres em diversas áreas (educação, habitação, etc.). Este fenômeno é originado por causas diversas, como o abuso ou abandono familiar (parental), problemas de saúde mental, tráfico e exploração criminal. Algumas ainda vivem com suas famílias nas ruas, outras órfãs e não têm para onde retornar à noite. (2023/04/30)
Se estes dados não nos ajudam a tomar consciência da realidade das crianças, as festinhas, as comemorações académicas, não passarão de uma atitude hipócrita e vazia …Não posso deixar de recordar aqui dois escritores, grandes escritores, que nos falaram e falam do mundo das crianças; aos doze anos, Charles Dickens foi obrigado a trabalhar em uma fábrica de graxa para sapatos, após seu pai ser preso por dívidas. Essa experiência traumática deixou uma marca profunda em sua vida e inspirou seu ativismo social posterior. Ao longo de sua vida, Dickens escreveu uma série de romances. Suas obras mais famosas incluem “Oliver Twist” (1837-1839), “David Copperfield” (1849-1850), “Grandes Esperanças” (1860-1861) e “Um Conto de Duas Cidades” (1859), entre outros.
Oliver Twist é visto como o fim da inocência, a criança que cresce no mundo adulto obrigado a ser um adulto, comportar-se como um adulto. Numerosas versões no cinema, na TV, e uma adaptação para um musical teatral que tive a oportunidade de ver há alguns anos atras. Uma das últimas versões para o cinema foi realizada por Roman Polanski, também ele uma criança que sofreu os horrores da guerra no Gueto de Varsóvia.
Também Hans Christian Andersen o dinamarquês, autor de A Pequena Sereia, nos narra na Rapariguinha dos Fósforos, os momentos derradeiros da vida da sua personagem iluminada por breves e efémeros fulgores de luz. Aqui a inocência não teve tempo para se extraviar, a vida foi demasiada curta e fria, mesmo gélida.
…O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos.
— Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém.
Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo


