Immanuel Kant, nome maior do Filosofia, e dos seus ‘ramos’, ética, estética, epistemologia e metafísica, cujas considerações perduram ainda na nossa época, embora a grande maioria das pessoas, se pergunte quem terá sido, nasceu em Abril, há trezentos anos. E de tais considerações relevam-se as que falam sobre os antagonismos no seguimento histórico, da vida, das relações na sociedade e da necessidade de uma paz perdurável.
Talvez haja por aí, muito ‘mandante’ com necessidade de o reler –se algum dia o tiver feito, e ter conseguido juntar e interpretar as letras que formam cada palavra– agora que a unidade e a paz europeia parecem ter regredido, devido ao avanço do eurocepticismo e negacionismo, empurrados por um nacionalismo extremista, mesmo contrários aos interesses de cada país.
Numa das suas crónicas, talvez premonitória, no DN, o professor e filósofo Viriato Soromenho Marques, escrevia já em Março, ‘O europeísmo foi engolido pela máquina trituradora do belicismo. Nos próximos anos, pendularmente, o nacionalismo regressará em força. A Alemanha será comprimida entre uma França ressentida e uma Polónia militarista, atrelada a Washington. Se, ou quando, o euro vacilar, a “balança da Europa” entrará em ebulição (…) O crepúsculo ocidental é desolador. Nem um pingo de transcendência. Uma ruidosa e amnésica vontade de poder, sem alma nem culpa’.
Os mesmos antagonismos referidos por Kant? Aliás, parece estarem a repetir-se os dramas de 1938, a condicionar a política ocidental, com os pacifistas a fazer o papel de Chamberlain, a ceder às petições territoriais de Hitler, e os resistentes como Churchill, mas numa posição mais difícil; os políticos que querem resistir ajudando a Ucrânia, os que se põem ao lado de Putin, e do gordo norte-coreano Kim Jong-Un, e uma opinião pública que não está minimamente interessada nem preparada para uma guerra declarada com a Rússia.
Amorim – ‘Munição norte-coreana’
Le Monde, 23.06.24




Talvez não seja má ideia voltar a ler “A paz perpétua”, de Emmanuel Kant, para identificar um caminho que para ela conduza ou, pelo menos, para uma transitória. Certamente não é o que os Estados Unidos desejam ,nem aquilo a que a UE se presta. Diabolizar a Rússia e criminalizar os seus dirigentes, a nada conduzirá, salvo a uma guerra total. Do artigo, registo com agrado que em relação ao líder da Coreia do Norte se aplicou o epíteto de gordo. Coisa que até poderá ser encarada como positiva se lhe apresentarem o velho ditado “Gordura, Formosura”