Nota de editor:
Ver a nota prévia do texto anterior de hoje “Macron dinamitou a Política Francesa – mesmo com Le Pen neutralizada, outras ameaças já estão à espreita” (aqui).
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
2 min de leitura
Quando a “esquerda” vota ainda Macron
Publicado por
em 8 de Jujho de 2024 (original aqui)
Em 30 de junho último, o RN obteve 34% dos votos numa eleição em que se verificou uma forte mobilização (em comparação com votações anteriores). O que não tínhamos visto era que isso significava que 66% dos franceses eram contra o RN e as classes trabalhadoras que o apoiam. Esquecemo-nos da sua passividade perante o massacre policial e judicial dos Coletes Amarelos e dos 58% de Macron em 2022.
Portanto, é verdade que, em alguns aspetos, o RN não é muito apetitoso. Mas fingir que é um partido fascista dos irmãos sombrios dos anos 30, é simplesmente uma piada. Teatro, como dizia Lionel Jospin. Então perguntamo-nos: porque é que Mélenchon, os ecologistas, os cocos falsos, os traidores genéticos do PS mais uma vez salvaram o traseiro de Macron? A votarem discretamente, sem qualquer estado de alma em Darmanin, Borne e na maioria dos gangsters que cercavam Macron. Sem esquecer, naturalmente, a eleição da lesma que dá pelo nome de François Hollande. É que, de facto, são como a maioria dos franceses e adaptam-se muito bem ao neoliberalismo macroniano e ao seu tecnofascismo corrupto. O colapso do seu país não representa para eles um problema grave.
A votação de 7 de julho não tem nada a ver com um verdadeiro “antifascismo”, mas mais simplesmente com o desejo de continuar como se está. O que quer que se pense das suas capacidades e das suas orientações, a própria possível chegada do RN ao poder teria constituído uma rutura e provocado uma crise política que poderia conduzir a uma mudança de direção. Envolvendo as classes trabalhadoras e retardando o colapso. Para tentar libertar a França do pântano belicista pestilento em que o Ocidente sob a liderança americana a está a afundar. Mas disso, os estratos das classes médias e aqueles que os representam não querem ouvir falar sequer.
«Não chores sobre o leite derramado, camarada. A luta de classes, essa, existe e tu estás do lado equivocado da História, é tudo”.
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O autor: Régis de Castelnau [1950 – ], advogado francês nascido em Rabat (Marrocos), de uma antiga família da nobreza de Rouergué, é licenciado pela Universidade de Paris Pantheón Assas, especializado em direito social e económico. Advogado empenhado, tornou-se próximo do movimento operário francês e nos anos 70 tornou-se um dos advogados do Partido Comunista Francês (PCF) e da CGT. Em especial, liderou a defesa dos trabalhadores da indústria siderúrgica entre 1978 e 1982. Os seus compromissos valeram-lhe no Eliseu a alcunha de “Barão Vermelho. A partir dos anos 90 reorientou as suas actividades para o direito público local.
Desde 2012, tem uma coluna regular na revista Causeur e, desde Setembro de 2015, a secção “À qui profite la loi” na Internet para o Le Figaro. Dirige o site Vu du droit, Em 2019, aderiu ao Partido da República Soberana de Djordje Kuzmanovic, uma cisão de La France insoumise.



