Quatro democracias em crise profunda: França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos — Estados Unidos – Texto 12. Jill Biden tem mais fome de poder do que o marido, Joe Biden.  Por Madeline Fry Schultz

 

Nota prévia:

Continuamos a fazer circular textos sobre as Democracias em profunda crise. Hoje publicamos o décimo segundo da série de textos sobre as Estados Unidos da América do Norte.

 

Júlio Mota


Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

4 min de leitura

Estados Unidos – Texto 12. Jill Biden tem mais fome de poder do que o marido, Joe Biden

 Por Madeline Fry Schultz

Publicado por  em 3 de Julho de 2024 (original aqui)

 

               Jill Biden não é a salvadora. Crédito: Getty

 

Antes de entrar na Casa Branca, a Primeira-Dama Jill Biden passou os seus anos como educadora a ensinar estudantes do ensino médio e universitário. As competências que aí ganhou, sem dúvida, ajudaram-na na semana passada, quando ela disse suavemente ao marido: “Joe, fizeste um ótimo trabalho”, após o seu desastroso desempenho no debate com Trump. “Respondeste a todas as perguntas”, garantiu-lhe  ela. “Conhecias todos os factos.”

Nos últimos dias, Jill Biden tornou-se uma figura cada vez mais proeminente na campanha eleitoral. Ainda esta semana, a Vogue divulgou um perfil brilhante da Primeira-Dama, apresentando na capa a citação “decidiremos o nosso futuro”. Um escritor de moda do Washington Post chamou à imagem de Jill de “Santa”, dizendo que “brilha a imagem da primeira-dama como uma mulher dedicada, mas não arrogante. Pura. Uma salvadora, mesmo: a única pessoa que realmente o marido ouve”.

Mas quem, exatamente, ela está a salvar? Para grande desgosto de muitos quadros do Partido Democrata e para o deleite dos Republicanos, parece que Jill não está a deixar Joe aceitar a ideia de abandonar a corrida à Presidência, o seu pôr do sol ainda estará longe. Os conselheiros de Biden afirmam que a família de Joe, incluindo Jill e o seu filho Hunter, “imploraram ao Presidente que continuasse a lutar na sua aposta pela reeleição”. A família está a culpar a equipa de Biden, não os seus 81 anos de idade, pelo seu fraco desempenho no debate da semana passada com Trump.

“As pessoas não a mencionam quando falam sobre os principais conselheiros de Biden, mas ela é a sua intuição e a sua confidente mais próxima”, disse Katie Rogers, correspondente da Casa Branca do New York Times, à Vogue. Ou, para citar o meu Big Fat Greek Wedding, ” O homem pode ser o chefe da família, mas a mulher é o pescoço, e ela pode virar a cabeça da maneira que quiser.”

Aparentemente, Jill decidiu enquadrar o desempenho do debate de Joe como “uma noite má”, de acordo com Rogers. O que significa que o perfil bajulador da Vogue sobre a única pessoa com o poder de encorajar Joe a desistir, pelo menos de acordo com o campo de Biden, não o fará. Como Jill disse à Vogue, ” não deixaremos que esses 90 minutos definam os quatro anos em que ele foi presidente. Vamos continuar a lutar” (sendo nós a palavra significativa aqui).

É óbvio que a Jill pensa que pertence à Casa Branca. Joe afirmou na primeira reportagem de capa da Vogue sobre Jill, há três anos, que foi ela quem lhe disse para concorrer em 2020. “Ficou claro para mim que ela sabia exatamente o que faria se fosse a primeira-dama”, acrescentou. “E então ela entrou, eu acho – conhecendo a experiência de ser vice-presidente, conhecendo o poder da Presidência – sabendo que ela poderia mudar as coisas.”

A Casa Branca nunca admitiria até que ponto Jill parece estar no comando, mas alguém se pergunta se ela algum dia receberá hagiografias semelhantes às de Edith Wilson, a primeira-dama que substituiu a administração do seu marido Woodrow Wilson. Por enquanto, porém, o campo de Biden afirma que essa narrativa de controle é uma teoria da conspiração. A diretora de comunicações Elizabeth Alexander considera o trabalho de Jill de “um ato de serviço, em vez de uma tomada de poder mítica inventada pelos cantos escuros da internet”. Se for revelado que Jill está a desempenhar um papel maior no poder executivo do que ela deixou transparecer, a narrativa dos media mudará rapidamente para elogiá-la por fazer o que tinha que ser feito para salvar a democracia.

Só podemos imaginar o que seria dito sobre Melania Trump, que nunca recebeu uma capa da Vogue, se ela e o marido se encontrassem em circunstâncias semelhantes. Do jeito que está, a Vogue e o resto dos media estão perfeitamente felizes em apoiar Jill, não importa que ela seja mais convincente na campanha do que um marido que só está “comprometido de forma segura” a partir das 10h até às 16 horas, de acordo com Axios.

Jill Biden, que insiste em ser chamada de” Doutora”, apesar de não ser doutora em medicina nem ter um doutoramento. (Ela tem um diploma de Doutor em educação), provavelmente lutará até ao fim, por amargo que este possa ser. A pergunta que os democratas deveriam fazer a si próprios não é, pois, como podem parar Joe Biden, mas sim como podem parar Jill.

 

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A autora: Madeline Fry Schultz é a editora colaboradora do Washington Examiner. Anteriormente, trabalhou na Philanthropy Roundtable, onde ajudou a editar a revista Philanthropy e a gerir o blog do site. Antes disso, ela foi a escritora de comentários culturais do Washington Examiner. Estudou Francês e jornalismo no Hillsdale College.

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