O FOGO E A TERRA
o chão queimou a lua com as mãos sujas
do homem surdo e do homem louco.
os rios e as nuvens vestiram a mudez da rotação triste.
o horizonte ficou luto e sombras aflitas.
as palavras subiram as montanhas e espalharam
a buzina do perigo.
todas as coisas esperaram por todas as forças
e algumas forças vieram para que todas as coisas
abrissem a janela que dá para a Terra ferida.
junto da água
as árvores repousam agora no palácio da noite
onde o regaço é um astro azul a naufragar
como um barco entre os peixes e a neblina.
o pólen brilha ao redor da luz
o dia enxuga os olhos e as ovelhas procuram juntas
a pulsação das pequenas folhas.
chove.
uma nova infância pode ser raiz.

