As sociedades são cada vez mais multiculturais e cada vez mais têm falta de capacidade de tratar todos por iguais, não ignorando as diferenças que todos nós transportamos nas nossas emoções, sentimentos, autoestima, bem-estar, atitudes, preconceitos, conhecimentos, expectativas de vida, noção de família, de educação, de pertença, de vida percorrida…
Fala-se muito em integração como se fosse um fim em si mesmo e não um caminho, ainda sem fim, para uma sociedade mais livre, com mais conhecimento e mais justiça.
“À Educação cabe fornecer, de algum modo, a cartografia de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele” – Jacques Delors, 1996
A diversidade cultural dos grupos humanos é também explicada pelos sistemas de educação das crianças, desde a maneira como nascem, como são alimentadas, para que função o seu corpo é educado, e para que função é exigida essa educação corporal no sistema educativo da sociedade maioritária (exemplo: estar sentado segundo determinadas regras, saber pegar num lápis e segurar uma folha de papel).
Os comportamentos não podem ser considerados únicos, sabemos porque que é que em determinado contexto o comportamento se construiu, se manteve ou foi posto em causa?
Os padrões de comportamento são, pois, relativos, a questão do estatuto da criança, dos ritos da adolescência, da escolaridade são considerados de múltiplas maneiras, o respeito mútuo pela diversidade de género e suas relações sociais podem provocar sentimentos de superioridade do grupo maioritário e de exclusão dos grupos minoritários.
Dentro de uma cultura uns indivíduos selecionam determinados comportamentos, considerando os mais relevantes, no sentido da sua inclusão, do seu bem-estar, do reconhecimento positivo pelo outro.
Outros indivíduos escolhem outros comportamentos para se distanciarem do grupo maioritário.
Assim, desta mistura, surgem novas potencialidades, resultantes do cruzamento de muitas relações; por isso não basta conhecer o comportamento de determinada sociedade para se saber os conflitos, as tradições, os modelos de governação política, o envolvimento em atos violentos, por exemplo racistas, ou a segurança em determinadas sociedades.
Sabemos ainda pouco dessa multiplicidade de relações para compreendermos os motivos que movem as sociedades.
“Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro.” Boaventura Sousa Santos
Incluir não é estar junto, é estar com, é interagir com o outro.