CARTA DE BRAGA – “de Beirute ao Pará” por António Oliveira

Anoto algumas notícias, para além das destruições de cidades à bomba e consequentes genocídios, que parecem não ter fim, enquanto algum milagre ou acontecimento inesperado, não libertar este mundo dos autocratas que os ordenam, até de um pequeno escritório nas Nações Unidas, devidamente documentado pelos servidores, como foi o bombardeamento em Beirute dois dias antes de acabar Setembro. Também fiquei a saber quem são ‘As sete grandes empresas que socavam a democracia, pelos seus vínculos com a extrema-direita’.

Estas palavras não são minhas, são da Conferência Sindical Internacional (CSI), numa denúncia publicada pela maioria da imprensa interessada, mais salientando os sindicatos, que se trata de um poder corporativo (o que isto me faz lembrar!), ‘Uma força que fomenta a visão competitiva do mundo, que preserva as desigualdades e a impunidade de agentes mal-intencionados, financia a extrema direita e atribui maior valor ao lucro privado que ao bem público e planetário’.

El Roto

El País, 24.10.02

E a CSI aponta e descreve as razões todas que a leva a identificar a Amazon, o Grupo Blackstone, a Exxon Mobil, a Glencore, a Meta, a Tesla e o The Vanguard Group, pelos seus gastos com políticos autocráticos, financiar grupos e organizações que neguem a alteração climática e apoiem a extracção de carvão, financiamento de algumas das empresas mais antidemocráticas do planeta, oposição aos sindicatos e difundir propaganda carregada de ódio, tudo a contribuir fortemente para o aumento das desigualdades no mundo.

Por estar certamente ligado a toda esta situação, não posso deixar de citar um artigo do DN, do passado 29 de Setembro, onde se afirma ‘Os 1% mais ricos do mundo possuem mais riqueza do que 95% da humanidade’. Afirmação decorrente da uma análise da Oxfam, vinda a público nesses dias, ‘As 50 maiores empresas do mundo – avaliadas em 13,3 mil milhões de dólares – são agora geridas por um bilionário ou têm um bilionário como principal accionista’.

A Oxfam que apela a uma acção multilateral para promover um novo quadro global em matéria fiscal, cancelar dívidas e reescrever as regras de propriedade intelectual para pandemias, salienta também, ‘Os países do hemisfério sul possuem apenas 31% da riqueza global, apesar de albergarem 79% da população global’.

Voltando ao tema com que comecei esta Carta, o drama do povo palestino, tanto em Gaza como no Líbano –de algum modo ligado a todas estas questões– não posso deixar de avocar para aqui o filósofo e linguista Noam Chomsky que, em poucas palavras, explicou na rede X do controverso Musk, ‘A falta de apoio de outros estados ao povo palestino, tem a ver com a falta de riqueza, que conduz a uma falta de poder e, em última instância, a uma ausência de reconhecimento dos direitos humanos na comunidade internacional’.

O Director Executivo da Oxfam International, Amitabh Behar, também refere estes problemas, referindo as Nações Unidas, com quem a sua organização colabora intensamente, ‘Os ultra ricos e as megacorporações que controlam, estão a moldar regras globais para servir os seus interesses em todo o mundo, à custa das pessoas. O icónico pódio da ONU sente-se cada vez mais diminuído, num mundo em que os multimilionários são os que mandam’.

E também por tudo isto –e se eu pudesse– atribuía 1º lugar no Grande Prémio da Idiotice para governantes, a Edmilson Rodrigues, presidente da câmara de Belém do Pará, no Brasil, por ter afirmado a 24 do passado mês, ‘Ninguém se atreve a dizer que a alteração climática é uma invenção de esquerdistas ou de ambientalistas radicais’.

Não será apenas, uma cópia reles e barata do trumpa ou do boçalnaro?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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