Um título incoerente, se calhar ilógico, talvez bem longe do senso comum, (poderá haver consenso no que passa hoje em lugares que as imagens dos horrores da guerra os ecrãs nos servem e abeiram a toda a hora?), mas com origem em duas notícias, por acaso lidas no mesmo dia (13 de Outubro próximo passado), uma de Granada, a cidade espanhola que não esquece Lorca, e outra vinda do Líbano, onde se refere o primeiro ministro israelita Netanyahu, por ter mandado atacar uma missão da ONU, no sul do país.
Foi o terceiro dos ‘incidentes’ atribuídos a Israel, de onde resultaram ferimentos em cinco dos ‘capacetes azuis’, assim chamados por fazerem parte da FINUL, o contingente de tropas de vários países que as Nações Unidas mantêm no Líbano, para proteger a população. Acontece que Netanyahu acusa tal contingente de ser ‘escudo humano do grupo xiita do Hezbollah’ quando, ao mesmo tempo, também declara António Guterres ‘persona non grata’, lhe proíbe a entrada em Israel, e pede urgência na retirada das tropas da FINUL, das áreas de combate no Líbano.
Mas no dia 15, as notícias referem a intensificação dos bombardeamentos em Gaza, num centro de distribuição de alimentos, uma escola da ONU, uma zona de acampamento anexa ao hospital de Al Aqsa, que provocou dezenas de mortos, muitos de eles crianças. As tendas de campanha foram devoradas pelo fogo e os ocupantes queimados vivos.
El Roto
El País’, 04.05.24
A segunda notícia nada tem a ver com este problema, mas refere um estudo de investigadores das Universidade de Granada, onde se afirma que o ADN de Cristóvão Colombo, é ‘compatível’ com a sua origem judaica e sefardita. O mesmo estudo explica que, na Idade Média, viviam em Espanha uns 200.000 hebreus, enquanto na península itálica, na República de ´Génova, o lugar mais aceite para o nascimento do navegante, não passavam de 15.000 e na Sicília uns 40.000, mas todos expulsos no século XII, quando em Espanha foi em 1492.
A mesma investigação analisou as 25 possíveis origens do almirante, entre as quais salienta Itália, Suécia, Noruega, Portugal, França, Inglaterra, Escócia, Hungria, Irlanda, Croácia, Galiza, Castela, Catalunha, Valência, Navarra e Maiorca. Os investigadores acabaram por os limitar a oito, como possível lugar do nascimento de Colombo, só do ponto de vista étnico, mas sem certeza do lugar onde nasceu. De qualquer maneira não deixam de afirmar que Colombo era um judeu sefardita, que se fazia passar por cristão, para evitar a Inquisição.
Ora bem, nestes tempos em que exigem perdões e desculpas, sem ter em grande conta de onde vêm e quem têm por detrás, tempos, situações, envolvimentos geográficos, históricos, evolutivos e sociais, que atingem de qualquer maneira, a maioria dos povos acima do Equador e alguns mais, cá está a tal ‘absurdez politicóide’ referida no título desta Carta –e se o tal primeiro ministro resolver reclamar a América como território israelita, atendendo a origem étnica do almirante, às mortes e prejuízos morais e materiais provocados pela Inquisição, dependendo ainda e até do vencedor das próximas eleições nos states?– quem se atreveria a dar-lhe uma resposta, quando nem Guterres é tido em conta!
Como afirmava recentemente um outro cronista, ‘Creio que esse senhor tem a moral intacta, mas só por nunca a usar’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor