Na antiga Grécia, a ‘sofística’ era a maneira como alguns filósofos que dominavam a eloquência e a sabedoria, usando conscientes e sabiamente nas polémicas argumentos falsos, (sofismas), ou como empregavam subtilezas e espertezas de todos os tipos, para levarem a sua avante. O catedrático em Filosofia Parra Montero, serve-se de um paradoxo comum entre os sofistas para o explicar.
E expõe assim tal paradoxo, ‘Não há qualquer diferença entre um mentiroso e um veraz’, uma vez que os dois sabem igualmente a verdade, só que o primeiro dissimula, sabendo-a, e o outro a diz porque a sabe; mas na lógica sofista o mentiroso é superior ao homem verdadeiro, porque dissimula com conhecimento e vontade, enquanto o segundo se pode enganar involuntariamente, pelo que o embusteiro vale mais, por saber quando e como decide falsear e enganar.
Esta pequena introdução porque, na próxima terça feira, vamos assistir a uma pugna onde não estão em causa apenas os EUA, mas também a Europa e o resto dos continentes, pois o equilíbrio mundial dependerá de quem sair vencedor, mesmo atentando que o trumpa não perceberia nada do que até aqui foi dito.
Mas hoje esta questão reveste-se de especial importância, pois e seguindo o cronista Vidal-Folch da Cadena Ser, ‘Sabíamos que Trump e Putin, incorporam alguns interesses, mas agora o assunto está agora mais complicado; são já um trio, tendo como terceiro sócio, o magnata Musk, tão conservador como excelente na informação. É o homem mais rico do mundo, o dono do X, e o grande padrão são as farsas e insultos nas redes. É o primeiro doador da campanha de Trump, que lhe prometeu uma posição chave na administração, se for eleito’.
Até aqui tudo normal, mas de acordo com o ‘Wall Street Journal’, está bem próximo de Putin, ‘Tem conversas regulares com ele desde 2022, sobre negócios, assuntos estratégicos e, ah, assuntos pessoais. A tal ponto que o líder russo lhe pediu que impedisse a cobertura da Internet em Taiwan, para cair mais nas boas graças do governo chinês’. O jornal adianta ainda, que a notícia tem maior amplitude por Musk ter acesso a informação classificada dos EUA, vínculos com agências militares e de espionagem, bom como contractos com a NASA.
Por outro lado, um relatório fundamentado num artigo do general John Kelly, ex-chefe de gabinete de Trump na Casa Branca, aponta que Trump ansiava pela lealdade dos generais de Hitler; a atmosfera tensa em torno de uma eleição acirrada, aumentou significativamente após um artigo do editor Jeffrey Goldberg, onde se contava de numa conversa privada enquanto presidente, ‘Preciso do tipo de generais que Hitler teve’, fixação já apontada por outros autores em livros vários.
E o cronista John Carlin, no seu artigo do passado domingo, no ‘La Vanguardia’, garante que também se atribui a mesma ideia ao general Mark Milley, número um do Estado Maior conjunto dos Estados Unidos, nos últimos 15 meses da presidência de Trump, por ter afirmado ‘É fascista até à medula e a pessoa mais perigosa do país’.
Talvez seja bom voltar ao problema dos sofistas e ver de que lado estará a competência ou a mais valia –do lado do embusteiro que sabe a verdade, mas domina todos meios, subtilezas e espertezas, se decide enganar, ou do lado das veraz, (Kamala Harris) sem idênticas condições e a ter de se desensarilhar sozinha, apesar do apoio de figuras importantes no mundo do espectáculo e da cultura dos states.
Mas termino com um outro título bem elucidativo, também do passado domingo, ‘O homem mais rico do mundo quer comprar-se umas eleições’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
Nos Estados Unidos fabrica-se propaganda; nada de novo à face da terra. Mas talvez seja menos comum que, para além de um público vasto, os autores acreditem nela. A tal ponto que até conseguem convencer alguns portugueses, pouco dados a sofismas e naturalmente cépticos.
O problema está na velocidade com que se obtêm respostas, muito mais rápidas que o
pensamento! E pensar é complicado e faz doer a cabeça! É o cepticismo com dor! Tudo
às costas do dr. Google!
A.O.
Nos Estados Unidos fabrica-se propaganda; nada de novo à face da terra. Mas talvez seja menos comum que, para além de um público vasto, os autores acreditem nela. A tal ponto que até conseguem convencer alguns portugueses, pouco dados a sofismas e naturalmente cépticos.
O problema está na velocidade com que se obtêm respostas, muito mais rápidas que o
pensamento! E pensar é complicado e faz doer a cabeça! É o cepticismo com dor! Tudo
às costas do dr. Google!
A.O.