Li já há alguns dias, um escrito de um cronista de um jornal daqui ao lado, que a arrasadora vitória do trumpa, poderá ser uma daquelas crises que ajudaram a forjar a Europa; mais adianta o cronista que se não houver qualquer reacção, acabaremos por ter de escolher entre ser uma colónia americana ou, entre outras coisas, uma colónia chinesa, isto enquanto as nossas democracias se vão deteriorando ao calor de líderes como o ‘dito cujo’, condenado por mais de uma trintena de delitos graves, mas que até ganham eleições, com muitos outros do mesmo estilo à espreita para, se o conseguirem, acabar com o Estado de Direito e se auto-indultarem também.
Mas não deixa de ser curioso, adianta David Torres, também cronista e escritor, ‘Quando o povo, pelo menos em teoria, tem a capacidade de eleger o líder mais íntegro e decente, opta inevitavelmente pelo mais duvidoso: um Calígula ruivo, idoso, grotesco e libidinoso, que quando fala parece estar peidando’, acabando a crónica a escrever, estar só à espera que também nomeie um cavalo senador, como fez o romano.
De qualquer maneira e para além de Musk, o dono da X, e dos milhões que investiu na eleição do seu protegido, estão entre os já nomeados para o governo do tal ‘cujo’, um congressista investigado por assédio sexual e uso de drogas, dois trânsfugas democratas e um oficial da guarda nacional também suspeito de crime sexual (como o trumpa e Stormy Daniels), apresentador da Fox com alma de nazi e disposto a dar ao seu chefe ‘esse tipo de generais que Hitler teve’, exactamente como ele afirmou em entrevista recente –diário ‘Publico.es’, em 18 do corrente mês. E, a propósito o procurador de Manhatan, congelou a sentença que deveria proferir dia 26 contra o trumpa por tal caso, até acabar a presidência.
Mas as ditas nomeações, seguindo as opiniões de órgãos de comunicação não alinhados com o ‘Make America Great Again’, têm na sua maioria, um manifesto deficit de preparação académica e de experiência profissional (a magnata do wrestling Linda McMahon, secretária da educação!), ajudando a entender o perfil revanchista e os propósitos autoritários do Trump 2º, concebido também pela ‘Heritage Foundation’ para o Grand Old Party, desde o tempo de Ronald Reagan.
Iñaki&Frenchy, ‘Trump’
‘Nueva Tribuna’, 18.11.24
Também o ‘New York Times’ recorda, que as verbas recebidas por Musk para a Tesla (quando era startup), são irrisórias se ao lado dos 10.000 milhões de dólares nos últimos dez anos, que recebeu para a Space X, (La Vanguardia, 18.11), num momento que cristaliza o papel do magnata na administração Trump; a saber ainda, que não há nenhuma empresa aeroespacial que não receba dinheiro público, por nos EUA e em todos os países, se considerar estratégica a indústria do espaço e graças à Space X, os EUA superaram a China.
E o cronista, escritor e poeta Antoni Puigverd, lembra também, ‘O preocupante em Musk é a sua visão da humanidade. A Terra esgota-se, e temos que nos apressar a colonizar, primeiro Marte e depois os planetas onde se pode viver. Musk dá por certo que a maior parte da humanidade se extinguirá estorricada na Terra, mas as elites conseguirão fugir e até fundar um novo mundo’.
Não quero terminar sem um aforismo que me ocorreu há uns dias, a propósito do X e quejandos ‘Tudo o que é, é; e tudo o que não é, também é, se houver um “meio” bom para o divulgar!’
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
Há por aqui um equívoco. A escolha foi dos Estados Unidos que, em tempos idos, decidiram colonizar a Europa, com o consentimento desta. Quanto às críticas à Trump e às suas nomeações, afigura-se que vão no sentido da judicialização da política, a coberto da palavra de ordem -conceito de Estado de Direito, mais ou menos tautológico e privilegiando o sistema hierárquico judicial em detrimento da democracia. Lá como cá…
Custa falar de judicialização, quando se suspende a sentença de um criminoso, até ele perder o tempo de “imunização” que criou para ele mesmo, e quando tem poder sobre os domínios todos daquela Associação de Estados, com a supervisão de um ex-passarinho, transformado numa incógnita.
A.O.
São difíceis esses dias. Civilização ou barbárie.
Estou consigo!
Um abraço
A.O.
Há por aqui um equívoco. A escolha foi dos Estados Unidos que, em tempos idos, decidiram colonizar a Europa, com o consentimento desta. Quanto às críticas à Trump e às suas nomeações, afigura-se que vão no sentido da judicialização da política, a coberto da palavra de ordem -conceito de Estado de Direito, mais ou menos tautológico e privilegiando o sistema hierárquico judicial em detrimento da democracia. Lá como cá…
Custa falar de judicialização, quando se suspende a sentença de um criminoso, até ele perder o tempo de “imunização” que criou para ele mesmo, e quando tem poder sobre os domínios todos daquela Associação de Estados, com a supervisão de um ex-passarinho, transformado numa incógnita.
A.O.