CARLOS PATRÃO – 25 DE NOVEMBRO – A VINGANÇA DOS CORIFEUS

 

Aproxima-se aquela data em que temos que fazer uma limpeza de “amigos” do mural do Livro das Caras, a propósito da institucionalização do 25 de Novembro.

A direita nacional, mais ou menos liberal, consoante as conveniências do momento, mas herdeira da União Nacional, sempre teve uma malapata com o 25 de Abril. O poder popular que emergiu após 1974, mesmo que hoje seja apenas uma memória, assustou muita gente na época, e ainda hoje pelos vistos, os que estiveram ligados ao antigo regime e uma certa elite que dele beneficiou, que foi e é (quer os seus herdeiros biológicos ou os ideológicos) o núcleo duro da direita nacional, a populista ou a tradicionalista, e que ao longo destes 50 anos fica inquieta com as celebrações da Revolução de 74, com os desfiles na Av. da Liberdade, com a Grândola a fazer de banda sonora um pouco por todo o lado, e sobretudo o controlo da História por parte da Esquerda.

A necessidade da direita celebrar o putsch de Novembro, serve para fazer a catarse desses tempos e para fazer o seu ajuste de contas com o 25, mas de Abril, não vá o povo ter veleidades de recuperar alguma ideia dessa época, como as nacionalizações dos monopólios estratégicos, a democracia directa, as ocupações de casas vazias, ou de qualquer outra mais emancipadora.

Num tempo em que a Esquerda não consegue lutar com as mesmas armas da direita, no plano político, já que esta detém o controlo da comunicação social e das redes sociais, e se arrisca a ser varrida do mapa da representação parlamentar, o controlo da narrativa histórica é uma espécie de último bastião, daí que a direita queira transformar o putsch de Novembro na data da liberdade, mesmo que essa seja a liberdade dos monopólios, dos oligarcas e corporações em detrimento da liberdade das pessoas.

A institucionalização do putsch de 25 de Novembro de 1975 é a revanche da direita ao 25 de Abril de 1974.

Quando se deu o 25 de Novembro de 1975, tinha 7 anos, mas lembro-me que o ambiente em minha casa foi de tristeza, os meus pais lutaram muito para acabar com o fascismo, o meu pai até fez parte do COPCON, a guarda da revolução, pelo que sempre me considerei um derrotado do putsch de Novembro.

A direita, com a facharia a fazer de sua guarda avançada, tem hoje poder para a institucionalização do 25 de Novembro, como garante dos seus privilégios, mas no meu coração, e do povo português será sempre uma data triste, o ambiente desse dia é o de um funeral, o dia em que nos cortaram o sonho do país solidário, igual e fraterno que nasceu a 25 de Abril de 1974.

25 de Abril sempre, Fascismo nunca mais!

PS:
Carlos Patrão, 24 de Novembro de 2024, algures no Alentejo em fuga do odor a bafio das celebrações do 25 de Novembro.

2 Comments

  1. Subscrevo em absoluto. Fui marinheiro em Abril e estive na linha da frente para receber armas no 25 de novembro para combater os fachos

  2. Basta ver o nome dos outros, que vinham de Setembro e do 11 de Março; dar conta do seu palavreado nestas datas e do medo que sempre mostram!

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