PÓLVORA
o ruído dos dias amamenta
o tiquetaque das folhas secas.
depois de nos termos perdido
continuamos a perder-nos.
os pontos cardeais são territórios
que estremecem nas bússolas.
há poças de água que são feridas
à procura de um rio.
a luz que se levanta é uma luz armada
um vulto cheio de pequenez doente.
este ruído dos dias cola-se à pele.
os vermes rasgam postais ilustrados.
todos os países são ruas perigosas.


