Já estamos em 2025! Não é novidade para ninguém, até por já terem passado os dias de exageros, comemorações sentidas ou não, das promessas de quem as podia ou devia fazer, das vigílias interiores, particulares e reservadas, ou de outras em grupo, se calhar comunitárias, mas há uma pergunta que cada um se faz e nunca consegue resposta –como é que se acaba com o medo que me ultrapassa, que nos ultrapassa, que parece um desígnio dos deuses, ou dos homens que se julgam como tal, dia após dia?– como se este fosse um lugar de maldição!
E viremo-nos para onde pudermos, para os poucos amigos com quem falamos ou a quem telefonamos, (nunca para os que coleccionamos apenas no telemóvel) também encontramos incerteza e mágoas, quando de um lado temos a nova empresa ‘Musk & Trump, SA’, e do outro nos aparece uma outra empresa ‘Putin, Jong-il & Barcos Fantasmas’, ambas especializadas em comunicações.
A primeira, a do lado de lá do ‘charco’, pertença do homem mais rico deste mundo, é líder no negócio da disseminação de ódio e boatos, quase sempre falsos e sem resistir ao contraditório, para nos manter agarrados à sua máquina de fazer dinheiro e comandar as nossas preferências, ao mesmo tempo que o seu líder, manifesta sem peias, o apoio ao AfD, o partido da extrema direita alemã, deitando abaixo um dos ‘mandamentos’ pós II Guerra Mundial, ‘Proteger a democracia na Alemanha, acima de todas as coisas’, com o outro sócio sempre na ‘sua’!
A segunda empresa, de carácter internacional, pôs as armadas do mundo ocidental a vigiar navios já fora de uso, mas a transportar mercadorias russas diversas, em zonas onde proliferam os cabos submarinos das comunicações, mas as do lado de cá; ‘há três anos o número de acompanhamentos que fazíamos à passagem de navios russos, era inferior a uma dezena por ano, e só no ano passado fizemos 46’, afirmou ao DN o almirante Gouveia e Melo. E acrescentou que tais navios podem eventualmente ‘meter um aparelho de prospecção para saber onde estão os nossos cabos submarinos ou meter uma carga explosiva que pode ser activada mais tarde’.
Os impérios, os da política, os tecnocratas e os financeiros, não têm em grande conta as normas ou leis que as vigiam, ou vigiam a sua própria sobrevivência. São comuns e largamente noticiados diversos casos onde, até judicialmente, tentam ‘desmontar’ em seu benefício essas situações, bem como outras com características que ultrapassam a dimensão de qualquer país, por se tratar de corporações que têm por sede ou cofre, lugares de escassa fiscalização, em que se movimentam à vontade.
Lamentavelmente a duvidosa qualidade dos políticos e as suas tristes guerras internas, só vêm favorecer a também duvidosa e perigosa deriva populista, agora a preocupar e contribuir para a insegurança no mundo ocidental, muito por culpa do tal homem mais rico, o melhor vendedor da banha da cobra que os mercados conheceram.
O poeta Jorge Luís Borges, escreveu e salientou bem, no prefácio a ‘Crónicas Marcianas’, ‘Ray Bradbury, prevê neste livro, com tristeza e desilusão, a futura expansão do género humano no planeta vermelho’. Hoje a privatização do futuro, concebe a colonização de Marte, como sendo a salvação da humanidade, ainda de acordo com Musk. Um outro personagem semelhante, prognostica a imortalidade para 2050, mas só para quem puder pagar os tratamentos, de acordo com a empresa ‘Unity Biotechonolgy’, que até tem Jeff Bezos e outros multimilionários como accionistas.
Para o escritor Juan António Molina, isto que dizer apenas, ‘Para todos os outros, os que não têm fundos para pagar todas estas aventuras, e cuja ideia de progresso é morrer rápido para quem não puder pagar a farmácia, e viver na rua para quem não puder pagar um tecto para viver, também o futuro para as maiorias sociais’.
Talvez seja bom não esquecer, que há sempre gente que vê a democracia como um instrumento, para consolidar privilégios de um grupo cada vez mais pequeno, tanto de um lado como do outro do ‘charco’!
Mas… Bom e Feliz Ano!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor