CARTA DE BRAGA -“de 2025 ao futuro do século” por António Oliveira

Já está a andar –espero que não seja a desandar!– o ano de 2025 e, a ter em atenção as palavras de Luís de Castro Mendes numa das suas crónicas no DN, ‘O ano passado mostrou-nos em Gaza o que julgávamos impossível atingir em destruição e crueldade… A Europa deveria estar do lado da vida e não do belicismo reinante. Isso não significa ceder às chantagens de Putin ou de outros, significa apenas manter a lucidez no meio da irracionalidade ambiente’.

Outro cronista e redactor chefe do ‘La Vanguardia’, Ramon Aymerich, parece apontar para a continuidade desta situação, indicando este ano como ‘O ano dos homens duros’, pois o autoritarismo ganha cada vez mais força nas relações internacionais, e ‘Trump, Putin e Netanyahu, são três bons exemplos disso mesmo; Trump despreza os que considera débeis e aprendeu a gostar de Putin, por desprezar Gorbatchov, mas Putin é um homem feito no KGB e sabe meter medo sem levantar a voz. Netanyahu é outro duro que aproveita as oportunidades, e Israel tem uma capacidade fogo superior à de todos os inimigos juntos, e não duvida em exercê-la’.

Só que a maioria dos comentadores chamam a atenção para uma quarta figura, ‘O sapo Pepe’, a imagem do perfil de Musk na rede X, ‘Personagem criada pelo cartoonista Matt Furie, em 2005, que depressa se transformou num meme partilhado por celebridades e anónimos, mas acabou por se tornar num símbolo da extrema-direita americana’, nas palavras da jornalista Helena Tecedeiro, também no DN, apesar de Musk ter assumido o apodo de Kekius Maximus, como numa espécie de chacota.

Curiosamente, todo este processo de crescente fascínio autoritário e mesmo fascista que, na Europa, não deu origem a uma esquerda um pouco mais forte e, nas palavras de Luís de Castro Mendes, ‘Por sermos mais fracos, deveríamos ser mais sábios’, pelo menos como reacção, que outros comentadores atribuem ao facto, ‘Fomos muito bem deseducados para desentender a história’.

Lembro Cícero (106 anos a.C.) por afirmar repetidamente que a literatura tem um valor intrínseco que transcende a utilidade imediata, a mesma que conseguimos ligando e falando com todos os ‘sapos pepe’ que nascem e se multiplicam nas redes, com este ou outros nomes, por mais risíveis que sejam. Reduzir a leitura a uma simples anotação no currículo, torna paupérrima a formação intelectual de qualquer pessoa, e priva a sociedade de cidadãos críticos, daqueles que não sabem os nomes dos jogadores de uma qualquer coisa, mas são capazes de imaginar um futuro melhor.

Um outro cronista diz ser tempos de homens fortes de cartão, pelos instintos autoritários à margem das instituições, comunicando directamente com as massas sem os necessários filtros dos órgãos de comunicação, que também desprezam, às vezes por se ajoelharem demasiado, mas que podem conduzir a imagens como esta, ‘tirada’ do blog ‘A dita e o balde’.

‘American way of life’‘aditaeobalde.blogspot.com’, 25.01.03

Lembro também, e para terminar, o que disse sobre este assunto, o escritor norte-americano Alvin Toffler, bem conhecido pelos seus estudos sobre a chamada revolução digital, ‘Os analfabetos do século XXI, não serão aqueles que não sabem ler nem escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender’.

Para que conste!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impo

 

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