Vasco Lourenço é uma das figuras centrais da história recente de Portugal, não apenas pelo seu papel no Movimento das Forças Armadas (MFA), mas sobretudo pela ética, seriedade e espírito republicano com que desempenhou as suas funções antes, durante e após o 25 de Abril de 1974. Com uma liderança firme e sempre deixando revelar o seu espírito fraterno e de autêntica camaradagem para com os seus iguais, Vasco Lourenço destacou-se como um dos Capitães de Abril que devolveram ao povo português aquilo que lhe havia sido negado durante quase meio século: Liberdade e Democracia.
Como membro activo do MFA, Vasco Lourenço foi uma das vozes determinantes na elaboração do programa revolucionário que visava não apenas derrubar a ditadura do Estado Novo, mas também estabelecer os alicerces de um regime democrático. A sua capacidade de organização muito rigorosa e ao mesmo tempo visionária para conduzir operações complexas, combinada com uma visão ética e estratégica e com uma forte determinação que lhe conferia autoridade mesmo perante os mais altos governantes, revelou-se crucial nos momentos decisivos da Revolução dos Cravos. A sua liderança no MFA, e mais tarde no Conselho da Revolução e no comando da Região Militar de Lisboa e de relevo no Grupo dos Nove, foi pautada por uma conduta exemplar, demonstrando sempre uma profunda preocupação em cumprir os compromissos assumidos com o povo português.
Uma das características mais notáveis de Vasco Lourenço e dos Capitães de Abril foi a recusa em perpetuar o poder militar no governo do país, pois não se tratou de um golpe militar pela conquista do poder como os conhecemos tradicionalmente na América Latina ou noutras ditaduras.
O 25 de Abril de 1974 foi uma acção militar mas não militarista.
Desde o início, o MFA tinha objetivos claros: derrubar o regime ditatorial, garantir a liberdade de expressão, devolver aos partidos políticos a capacidade de elaborar uma nova Constituição e convocar eleições livres. Vasco Lourenço e os seus camaradas sempre compreenderam que a sua missão era transitória. Após cumprirem os pontos essenciais do Programa do MFA, recusaram-se a ficar no poder, na grande maioria, devolveram os galões das mais altas posições militares que envergavam e preferiram regressar aos quartéis ou à vida civil, numa demonstração inequívoca de elevada ética republicana.
Enquanto comandante da Região Militar de Lisboa e no Conselho da Revolução, Vasco Lourenço desempenhou um papel fundamental no período de transição que se seguiu ao 25 de Abril. Sob a sua liderança, foi possível manter a estabilidade numa época de grande efervescência social e política. Foi também um dos defensores mais firmes da devolução, como já referido, do poder aos órgãos civis e do respeito pelas instituições democráticas. A sua postura, sempre orientada pela fraternidade e pelo respeito pelo outro, granjeou-lhe o reconhecimento não só dos seus pares, mas também de amplos sectores da sociedade portuguesa e além fronteiras, por todo o mundo democrático.
A ética e a seriedade de Vasco Lourenço são um exemplo raro de liderança responsável e comprometida com o bem comum. Num tempo em que tantos líderes ao redor do mundo cederam às tentações do poder, Vasco Lourenço mostrou que a verdadeira grandeza reside em saber retirar-se quando a missão está cumprida. Ele e os seus companheiros do MFA foram os alicerces de uma nova era para Portugal, construindo uma democracia que, embora imperfeita, devolveu ao povo português a capacidade de decidir o seu destino.
A história de Vasco Lourenço é, assim, não só a de um homem que participou ativamente na transformação de um país, mas também a de um líder que personificou os ideais mais nobres da República: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. O seu exemplo, forjado na ética e na determinação, permanece como um farol para todas as gerações que acreditam no poder transformador da ação coletiva em nome do bem comum.
Concordo absolutamente com esta posição de Carlos Martins. Sempre disse que Vasco Lourenço é o mais importante capitão de Abril, antes e depois do 25 de Abril. Jorge Sales Golias, capitão de Abril.
Concordo absolutamente com esta posição de Carlos Martins. Sempre disse que Vasco Lourenço é o mais importante capitão de Abril, antes e depois do 25 de Abril. Jorge Sales Golias, capitão de Abril.