o peito é a cotovia
onde esvoaça
uma lição de algarismos
uma tenda sem chão
que não morre na sebenta deste alfabeto desordenado
a que eu chamo
chama de água
aguarela mistela fogo de nenúfares com olhos de nuvem
sítio de quietude fosso de alvoroço… e mar de palavras.
eu não sou mais do que um país de mins desconhecidos
onde as sílabas têm o cheiro das árvores e das plantas anónimas
no corpo dos montes e nos desenhos com montes.
se quiseres saber qual a primeira coisa que me vem à ideia
todas as noites
em sendo vinte e duas horas e quarenta e cinco minutos
ou vinte e três horas e trinta e seis minutos…
eu digo-te:
é a mudez triste de não saber colorir os dias
que já tendo sido
ainda são hoje
(minuto após minuto)
longos instantes seculares
de espanto cor de lume.


Meu amigo, é ” marginal” o seu poema: busca palavras marginais, nasce à margem dos dias, ergue-se à margem dos versos e eleva-se , em MARGENS de espanto! PARABÉNS!! O meu abraço!!