Maria Teresa Horta, morreu hoje, aos 87 anos, em Lisboa. Partiu hoje a última das “Três Marias”, uma das maiores referências do Feminismo em Portugal. Partiu hoje uma das Grandes. Feminista, inconformada, ousada, corajosa. A que foi considerada uma das 100 mulheres mais importantes do século a nível mundial.
Não é preciso apresentar Maria Teresa Horta. Tem sido muitas vezes recordada neste blog.
Para além de todo o seu contributo, que para sempre ficará, para a literatura portuguesa, ficará, também lembrada pela sua intervenção política, nomeadamente nos acontecimentos ocorridos após a publicação em Abril de 1972 de “Novas Cartas Portuguesas” (em co-autoria com Maria Isabel Barreno e maria Velho da Costa). Acusado o livro de pornografia e ultraje à moral pública, retirado do mercado, as autoras foram acusadas e levadas a tribunal. Ficará também na história do movimento de luta das mulheres pela igualdade.
Acontecia Maria Teresa Horta acordar sobressaltada com a ideia de que a PIDE lhe estava à porta. Tinha que se voltar a surpreender com a recordação do 25 de Abril. “Continua a ser o dia mais feliz da minha vida.” A propósito do aniversário da Revolução, pedimos-lhe um poema. Chamou-lhe Liberdade.
Mas escolho outro que indica o futuro.
Para o ano que aí vem…
Há sempre um acreditar
maior, levando-nos
na teima a prosseguir
Firmados nas raízes fundadoras
prontas a tecer a ventania
feita de ideais e de porvir
de vontade, de sonho e poesia
Pois existe um voo e um lutar
uma batalha pronta a impedir
a violência, o medo, o proibir
Há sempre um acreditar
maior, levando-nos
na teima a resistir
Exigindo o direito a inventar
um outro futuro a construir
apesar do vender e do roubar
Pois existe uma constância
em desagravo, outros modos
de amar, outra maneira
a fazer da vida um canto aberto
E da liberdade uma bandeira
A obra que deixou é imensa, estendendo-se por vários géneros literários.
A nossa gratidão.



Lamento.
Não a conheci, mas certamente temos uma relação familiar. O meu sobrenome ‘Horta’ tem origem portuguesa, do qual, mestiço que sou (libanês, português, indígena e africano), tenho muita honra em carregar.
Abraço fraterno.
Amor, compaixão, solidariedade.
Obrigada pela leitura. Aproveite para conhecer a obra da autora. E no ano passado, foi editado o livro “A Desobediente”, biografia escrita por Patrícia Reis. Boas leituras!
Farei isso.
Algum dia, quem sabe, ainda poderei ir a Portugal conhecer a terrinha. Gostaria de ir até à ilha com a cidade Horta
Quem sabe?
Abraço
Respeito por esta Maria e não esqueço as outras duas.