Parece que deu ‘a louca’ nos mandões deste sítio! Não me refiro aos deste lugar ‘duma austera, apagada e vil tristeza’, como dizia o Poeta –embora por aqui também haver gente que, lendo, ouvindo ou vendo-a, logo apetece chorar, mesmo sem me dar ao trabalho de a nomear– por um dos grandes do tal sítio, querer parar ‘o esbanjamento do orçamento mesmo que seja centavo a centavo’ e, por isso, ordenou ao Tesouro dos states que deixasse de cunhar as moedas de um centavo de dólar, como escreveu na sua rede social.
Só que é o mesmo fulano que quer assumir o controlo de Gaza, para a ‘comprar e possuir’, repetindo o mesmo desejo expansionista já antes manifestado com a grande ilha atlântica da Groenlândia, como se ninguém soubesse do gás, petróleo, metais raros e domínio das rotas marítimas, mais tudo o que isto representa.
Do outro lado, o mandão instalado num refúgio qualquer, mas com sede em Moscovo, que gosta de receber cada um dos seus convidados numa mesa descomunal, que quase obriga ao uso de telefone para conseguirem falar, afirmou aos cientistas da Agência estatal russa ‘Roscosmos’, estar interessado em levar vacas para Marte. Quis saber das possibilidades de para ali levar um animal como, uma vaca, um coelho ou um gato!
Creio mesmo e até parece, que os autocratas já se desligaram de entretenimentos como o ‘Monopólio’ ou ‘campos de golf’ tamanho XXL, para poupanças de centavos, ou para ver vacas com escafandro a voar no espaço –do gato já tenho mais dúvidas por também exigir fornecimento de ratos saborosos– mesmo só para a viagem, por não acreditar no uso de Livro de Reclamações.
Mas aqui no meio dos dois, Stanley Pignal, um dos pensadores do ‘The Economist’, sugere na nova rede social Bluesky, ampliar a União Europeia ao continente americano, como defesa frente aos ‘vaivéns’ do mandão do lado de lá do charco, e acrescenta ser difícil dizer não, ‘O Canadá é grande e dotado de recursos naturais, mas com poucos habitantes, e a Europa está abarrotada de gente e é pobre em minerais’, salientando que o Canadá e a Dinamarca compartem fronteira na ilha de Hans, no Árctico, pelo que, tecnicamente, o Canadá tem fronteira com um país europeu.
Mas o verdadeiro chefe, o assessor das tecnologias, transformou-se, diz o investigador de filosofia, Álvaro San-Román, ao ‘El País’, na imagem da consagração do aparato tecnológico como autêntico administrador da nossa geo-história –a história da evolução da Terra como astro– pelo ‘Anseio do domínio tecnológico, sobre as naturezas humanas e extra-humanas como verdadeiro artífice do Tecnoceno’.
J.R.Mora, ‘El acessor’
Publico.es, 25.01.17.
E San-Román explica ainda, ‘Trump aparece como o arcaísmo de um mundo que desaparece, um mundo em que a tecnologia serve apenas para ser a viatura com que se saltam os obstáculos, que dificultam a acumulação de capital’, como o real exemplo da grande maioria das pessoas ancoradas à última etapa do Holoceno, o período de tempo que assistiu ao crescimento do homem e das civilizações, até aos dias de hoje.
Mas o assessor aparece, diz ainda San-Román, como o perfeito exemplo do que supõe o objectivo tecnológico: a proeminência do domínio sobre a acumulação.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor