Um dos maiores problemas com que nos deparamos nestes tempos, tanto aqui como em qualquer lugar deste planeta com excessos de uma desigualdade gritante, pelas diferenças entre os muito poucos têm tudo e a grande maioria que não tem nada, nada de nada e de quem eles, os que tudo têm, também não querem saber, por só lhes atrapalharem os negócios, permutas e golpes, que poderão ter vários nomes, a depender do ‘sítio’, do ‘patrão’ ou do ‘sistema’, financeiro ou não.
Talvez fosse bom uma auditoria global, feita por gente independente (ainda haverá pessoas assim?) para se poder pensar onde está o poder e a resistência, para todos saberem o que está a acontecer em todos os lugares, desde as cubatas às grandes metrópoles, onde há milhões de pessoas, que nem sequer conseguem pronunciar a palavra ‘futuro’.
Também não será pelo facto de a maioria das pessoas que por aqui fingem viver, acredita que o faz em países democráticos, governados por políticos eleitos por eleições a envolver toda a cidadania, por ser também isso que as práticas sugerem. Só que também há pessoas a afirmar que a democracia é apenas uma ilusão, comandada por quem nos governa realmente, dando e aproveitando, tal ilusão democrática. Assim, à medida que as condições de vida pioram, e desde o aparecimento do trumpa e dos seus memes, o tal cidadão limita-se a acusar os que foram levados a escolher, ou outros que até nem lá estão, lá nos tapetes dos corredores que eles pisam.
De acordo com alguns dados tirados do ‘Diario 16’ daqui ao lado, já em Novembro de 23, e começando por referir as farmacêuticas, devido à pandemia da covid, o fundo de investimento ‘Vanguard’ é um dos principais accionistas das empresas farmacêuticas que mais se beneficiaram com a declaração de tal pandemia.
Ao mesmo tempo, as seis maiores empresas que reúnem 70% dos media mundial, todas sediadas nos states, são a Time Warner, a Disney, a NBC Universal, a NewsCorp e a fusão Viacom/CBS que, no conjunto, são donos de 1.500 jornais, 1.100 revistas, 2.400 editoras, 9.000 estações de rádio e 1.500 canais de televisão, ou seja, a ‘verdade oficial e verdadeira’ cá do planeta.
Falta dizer que a ‘Vanguard’ é a grande senhora desse mundo, pois, ainda de acordo com o mesmo jornal, os três principais accionistas das empresas mais poderosas e influentes do mundo são, por esta ordem, Vanguard , Blackrock e State Street e, as três empresas são a Apple, a Amazon, a Berkshire Hathaway, a Alphabet e a Microsoft, esta última fundada por Bill Gates, que por sua vez é o dono e senhor da OMS. Por onde andaria Musk? O ricaço que pôs o trumpa, a vender carros usados à porta da Casa Branca?
Mas para que a relação fique um pouco mais completa, acrescenta o ‘Diario 16’, os accionistas mais proeminentes são membros das cinco famílias mais poderosas do mundo, os Rothschilds, os Rockefellers, os Morgans, os DuPonts e os Bushes. O resto, mais ou menos minoritários, estará entre os 0,001% das pessoas mais ricas do planeta.
O linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, afirmou ao jornal cultural ‘El viejo topo’, em entrevista recente, ‘O que é chamado de capitalismo é basicamente um sistema de mercantilismo corporativo com vastas e incontáveis tiranias privadas, exercendo vasto controle sobre a economia, sistemas políticos, vida cultural e social, em cooperação com estados poderosos, que intervêm maciçamente na economia doméstica e na sociedade internacional. Os ricos não estão mais ansiosos do que antes para respeitar a disciplina de mercado, não importa o quanto a defendam diante da população. O momento actual apresenta maus presságios, mas também sinais de grande esperança. O resultado final depende de como usamos as oportunidades que temos’.
Ficará para outra oportunidade explicar a questão da identidade em todo este problema. Assim, termino esta Carta com uma ironia algo pesada, da autoria do jornalista Aimar Bretos, que conduz o programa da manhã da ‘Cadena Ser’, mas que bem pode servir para explicar tudo o que aqui deixo, ‘O capitalismo faz com que não se reivindiquem nem os traques’, qualquer coisa como isto ‘O traque que aquele fulano deu, não é dele, é meu’ e, por isso mesmo, não passa de uma reivindicação não autorizada!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor