A madrugada de hoje trouxe-nos a notícia da morte de Eduardo Gageiro. O fotojornalista que denunciou o Portugal do Estado Novo e nos deu a conhecer as primeiras fotos dos Capitães de Abril.
Eduardo Gageiro tinha 90 anos. E uma vida inteira como fotógrafo de jornais. Tinha apenas doze anos quando uma foto da sua autoria foi publicada na primeira página do “Diário de Notícias”.
Natural de Sacavém, Eduardo Gageiro cresceu entre operários fabris e artistas plásticos. Por isso a sua obra é marcadamente humanista.
Iniciou a sua carreira no “Diário Ilustrado” e, pouco tempo depois, passou a colaborar em “O Século Ilustrado”, “Eva”, “Almanaque” e “Match Magazine”.
Em 1975 venceu o World Presse Photo com uma fotografia de António de Spínola, “em cujo semblante emergia o sinal dos velhos tempos” num país que acabara de se livrar de 48 anos de ditadura.
Mas foram as fotografias que fez durante “o dia inicial, inteiro e limpo” que o guindaram ao Olimpo, que acolhe os eleitos.
O assalto à Pide, com um agente em cuecas rodeado por militares em plena “António Maria Cardoso”, e o momento em que Salgueiro Maia percebe que a revolução triunfara são fotografias, a preto e branco, que testemunham as cores alegres do “25 de Abril”.
Obrigado, Senhor Eduardo Gageiro.
Nota – Eduardo Gageiro faleceu na quarta-feira passada, 5 de Junho.
O autor do texto acima enviou-o no próprio dia da morte de Eduardo Gageiro. Por dificuldades de quem colocou o post, só foi hoje possível publicá-lo.
João Machado


Sempre a tempo. Obrigado João e obrigado Soares Novais. Longa vida à memória de Eduardo Gageiro.
Grande fotógrafo e grande cidadão. Com a simplicidade dos grandes homens, e sem nos conhecer, lembro a cedência de uma sua foto, depois trabalhada pelo Carlos Loures, e que foi capa da 1.ª edição de “O Canto e as Armas” (1967), a edição da “Nova Realidade. Obrigado, Soares Novais.