É da autoria do afamado artista brasileiro Eduardo Kobra o primeiro mural permanente veneziano, um grafíti executado preenchendo nove janelas góticas que refletem uma visão do futuro de Veneza, mergulhada nas suas águas. Cada janela apresenta, num cenário de aluvião, um monumento veneziano, dentro de uma seleção efetuada pelo próprio artista durante o longo trabalho preparatório e que inclui, entre outros, a estátua equestre de Bartolomeo Colleoni de Andrea del Verrocchio (1435-1488), o monumento a Daniele Manin de Antonio dal Zotto (1841-1918) ou o monumento a Carlo Goldoni de Luigi Borro (1826-1880). As nove esculturas são retratadas como se tivessem sido apanhadas de surpresa pela enchente.
A grande obra mural foi realizada com técnica mista e caracteriza-se por uma série de elementos inspirados na Renascença italiana, com especial destaque para Miguel Ângelo e Rafael, nomeadamente no que se refere às cores, à luz, às sombras e aos contrastes. Portanto, quer os temas, quer a técnica remetem para a tradição artística italiana e local.
Esta nova obra de arte urbana, intitulada Arte Água Alta, é considerada um manifesto visual, poderoso e profético, contra a crise climática e atinge uns impressionantes 80 m2. A sua realização teve de ser previamente autorizada pela Superintendência da Arqueologia, Belas-Artes e Paisagem de Veneza. Tendo em conta o contexto específico de grande valor do património histórico e arquitetónico em que se insere, o mural não foi realizado pintando na parede, mas em tecido, aplicado com pregos entre os tijolos que a compõem.
O mural encontra-se numa espécie de museu ao ar livre que pertence a Spazio Thetis, uma empresa de engenharia e desenvolvimento sustentável que também promove exposições de arte contemporânea dedicadas, amiúde, a temas ambientais. O espaço localiza-se junto do Arsenal de Veneza, cidade onde parece que o street artist brasileiro, já autor de vários outros murais em diversas regiões italianas, pretende abrir um ateliê.


