A VIDA DÁ-NOS A FORÇA DE LUTAR PELA PAZ por Luísa Lobão Moniz

 

Muitas vezes se leu e se agitou de punho no ar cartazes, megafones e com as vozes em uníssimo que a última arma do Povo era o voto.  Com o decorrer da implementação de regimes democráticos, a alegria de escolher quem ia governar era a aceitação de que havia sociedades perfeitas, que a Humanidade vivia com dignidade, que os males do Mundo se iriam desvanecer.

Sonhava-se com a canção dos Beatles “Imagine”.

Mas por tanto sofrimento que os regimes totalitários tinham imposto ao Povo, o Povo agora sonhava que a Declaração dos Direitos Humanos iria reger a batuta da Liberdade, da Igualdade entre géneros, religiões, nacionalidades, modos de vida, educação, saúde, habitação, ou seja, conforto individual e coletivo.

Mas nada é perfeito e a democracia também não, até os inimigos do Povo têm assento na Assembleia da República!

Mas onde está o regime político que seja verdadeiramente justo, cumpridor das suas promessas, defensor das legítimas necessidades de todos os humanos, para que todos possam nascer, viver e morrer com dignidade?

Os regimes políticos não nasceram do nada, são fruto dos desejos dos humanos que foram aprendendo a dar rebuçados ao Povo quando este se indigna com decisões pseudodemocráticas: abrir comissões de inquérito, mandar polícias para a rua para colmatar uma insegurança fabricada por alguns políticos, comentadores e comunicação social, dizer que vão aumentar o rendimento mínimo, dar melhores condições aos trabalhadores (sabem lá eles quais são as melhores condições de trabalho. Já estiveram numa fábrica durante uma semana, já foram de transportes coletivos para o trabalho, já estiveram a trabalhar no campo, já trabalharam por turnos, já estiveram numa escola?) Ai, tanta coisa que estes deputados não conhecem!

Bem, não é bem assim, estes deputados sabem discutir a maneira como falam, o que disseram, sempre a acusar os outros do que não foi feito ou que foi mal feito, mas não sabem expor as suas ideias para melhorar a vida das pessoas, acreditam que a economia é mais importante do que as pessoas, que aumentar as verbas para material de guerra é mais importante do que tirar os sem-abrigo das ruas, do que saber o que precisam aqueles que não conseguem alugar casa, do que melhorar a vida dos elos mais fracos da sociedade ( crianças, idosos, deficientes, doentes que ficam para sempre nos hospitais porque ninguém os vai buscar, dos que têm medo do dia seguinte, das violências, da guerra…dos que estiveram na guerra colonial e que sofrem de stresse pós traumático…não haveria nem tinta, nem papel para falar dos esquecidos do propósito das democracias).

O modelo desta democracia não incluída nestas novas sociedades, neste modo de organização social. É necessário criar outro paradigma de sociedade. Como? Quem sabe? Muitos certamente, mas a probabilidade de se fazerem ouvir é bem mais baixa do que daqueles que espalham sub-repticiamente o medo da mudança.

Mudem-se as regras de quem detém o poder político e económico, mudem-se as regras de decisão de quem habita em bairros, todos os sociais e os outros, acabe-se com a xenofobia e a discriminação que são aprendidas e perpetuadas , são socialmente aprendidas.

Cidadãos, cidadãs está nas nossas mãos mudar o rumo em que este mundo está a navegar.

“É mais provável que uma pessoa esteja a pensar nos pijamas do gato do que no gato propriamente dito”(António Damásio, in O Livro da Consciência, 2010, Temas e Debates).

A Vida dá-nos a força de lutar pela Paz

Imagine all the people

Gracias A La Vida

 

 

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