Por muito poderosa que seja qualquer justificação moral dos massacres humanos, materiais e patrimoniais em Gaza, se não conseguirmos ver nem isolar a natureza política (e mesmo tecnológica) de tudo o que está a acontecer na Palestina, desde a Nakba, (a catástrofe da limpeza étnica dos árabes iniciada em 1947) que levou à fuga ou à expulsão de mais de setecentos mil da Palestina, talvez metade da população, só nos restam as palavras mais ou menos boas, que nem sequer têm a importância que também deviam ter as que se trocam nas Nações Unidas, mas quem somos nós?
E refiro a parte tecnológica por também serem muitas as afirmações contra as grandes corporações tecnológicas a auxiliar as pretensões e os objectivos de Netanyahu que, com todos os conflitos a acontecer agora no mundo (mais de meia centena), nos levam a poder concluir que a história do homem se pode reduzir a uma sucessão de episódios desprezíveis e repulsivos, de que nunca poderão ser afastados a ganância financeira, o lucro com a venda das armas e o silêncio cúmplice das curvaturas de ‘espinha’ ou da coluna, que todos os dias vemos ou lemos.
Só que, disse alguém ‘Nada grita mais alto que o som do silencio…’ e, se pensarem bem e olharem os senhores do mundo, saberão quem está por detrás desta ignomínia, do cerco e assalto a uma cidade onde mal vive cerca de um milhão de pessoas, famílias inteiras que não têm para onde ir, entre as ruínas e a escuridão das noites, com mais de sessenta mil mortos, das quais vinte mil crianças. Mas, a partir de agora, o mundo já não poderá dizer que não sabia, que não tinha visto nem lido!
Mas esta história parece ser cópia de uma outra descrita no capítulo 6 do ‘Livro de Josué’, no Antigo testamento, que conta e pormenoriza a queda da cidade de Jericó (Josué 6.21), “Votaram-na ao anátema, tudo o que nela encontraram, homens e mulheres, crianças e os velhos, e os bois, as ovelhas e os jumentos”. E no ‘Livro de Samuel’, o profeta Saul transmite-lhe uma ordem clara sobre Amaleque, depois de Samuel ter dúvidas, por ter ouvido balidos de ovelhas, “É a presa tomada aos amalecitas, pois o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao SENHOR, teu Deus; destruímos o resto”.
E se tiver o cuidado de ler algo da História desta humanidade carcomida, poderá ler na Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, aprovada nas Nações Unidas em Dezembro de 1948, mas que só entrou em vigor em Janeiro de 1951 e, no artigo 2, ‘os actos perpetrados com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso são entendidos como genocídio’.
Iñaki&Frenchy, ‘História e genocidas’
‘Publico.es’, 25.08.20




António Oliveira traz-nos palavras dolorosas, mas sábias. “…guerras de extermínio total em que a violência não é uma consequência colateral, mas sim um objectivo explícito e legitimado como um mandato divino. Neste contexto, o inimigo não é considerado um adversário militar, mas alguém condenado à sua destruição total ordenada por Deus”. “….Na realidade, não demoramos a reconhecer o genocídio, mas a admitir que sempre soubemos que o era. A diferença entre adiar por ignorância ou covardia, é a mesma que entre erro e cumplicidade. Em Gaza, estamos involuntariamente escolhendo ser cúmplices’.”. “….. Ninguém está interessado na complexidade do passado. O que é politicamente lucrativo são os mitos. Os mitos fazem as pessoas votarem. E eles também confrontam as pessoas, levam-nas a matarem-se umas às outras”.
Sinceramente, muito obrigado pelas suas palavras caro Francisco.
Um abraço
António Oliveira