Escrevo hoje do mundo dos jornalistas de qual também fiz parte, sindicalizado, com Carteira Profissional; lembro a quem me ler, que a Caixa de Previdência e Abono de Família de Jornalistas, assumiu essa qualidade em 15 de Dezembro de 1924, devido à acção de Jaime Brasil e Artur Portela, dois nomes grandes do jornalismo português, por terem conseguido que o Cofre de Beneficência ficasse agregado ao Sindicato, e a 21 desse mesmo mês, a Assembleia Geral aprovou uma outra proposta de Júlio de Almeida, considerada hoje como início daquela Caixa.
Dizem os estudos ‘As ‘caixas de previdência’, no sentido de instituições que geriam os regimes de segurança social de funcionários respectivos, não acabaram, mas foram sendo reformadas e adaptadas ao longo do tempo, mas para unificar os sistemas de pensões e segurança social e reduzir as disparidades entre diferentes grupos de trabalhadores’.
É hoje claro que aquelas Caixas, tinham Cofres de Beneficência que depois um Governo ‘apanhou’, para financiar a Caixa Geral de Aposentações, numa unificação que representou (senti-o bem!), a perda de benefícios diversos, por não se ter aproveitado para beneficiar os mais desprotegidos, mas para encolher os dos mais beneficiados, tanto pelo trabalho, como pela posição e, fundamentalmente, pelo já ‘armazenado’; e hoje vêm-se e sabem-se de aumentos de reformas da ordem de uma ou duas dezenas de euros, uma ‘enorme valia’ nas exigências da vida actual.
O grande problema é que parece é que a natureza provisória dos protagonistas governamentais, as suas diferentes visões do mundo, as rivalidades e alternâncias que, quase sempre, arrastam e contribuem para que a crise por vezes se aprofunde, bem como se mantenha por difícil de combater, a não ser pelas noções de resistência, solidariedade e pertença, numa sociedade aberta à mudança, para se poderem mudar os actores das visões mais negativas.
Mas esta natureza provisória, sem conhecimento da História também é apoiada por ‘comentadeiros’ vários, em alguns órgãos da comunicação dita social, como um senhor Silva que se atreve a dizer ‘o modelo actual de Estado social é profundamente imoral, por serem as actuais gerações a pagar opções que não fizeram’, imoralidade que começou (a meu ver) quando o tal Governo resolveu arrebanhar tudo o que havia nos tais Cofres, que Artur Portela e outros ‘Portelas’ de outras Caixas, se tinham encarregado de acautelar, devidamente autorizados pelo Parlamento português.
E o senhor Silva defende que a solução para (este imbróglio) ou mais esta esta crise é ‘alterar o modelo de Estado social’; eu que nada percebo de finanças, colectas de dinheiros, negócios e outros apelidos que lhe queiram pôr, a não ser o que perdi e continuo a perder há já mais de 20 anos, pergunto-me também porque não ‘reintegram’ o que havia nos tais Cofres, para depois se fazer aquela alteração; é só um aparte meu, mas há ainda uma outra questão, que também parece ‘incomodar’ muita gente.
É a de um novo termo da língua portuguesa, a gerontofobia –ou a aversão às pessoas idosas e ao processo de envelhecimento– que, em palavras mais simples, diz haver muitas pessoas a considerar os idosos como um incómodo. Na época do Natal do ano passado, o sociólogo e empresário Alfons Durán-Pich, a um jornalista que perguntou ‘A sociedade que expulsa do mercado de trabalho as pessoas mais qualificadas, por causa da idade cronológica, ou está doente e desorientada?’, respondeu de uma maneira quase radical, ‘A sociedade de hoje é governada por pessoas medíocres. Não há líderes como os dos anos 60 e 70. E nem vamos falar dos líderes históricos, os de depois da Segunda Guerra Mundial. Agora é como uma associação de bairro, onde às vezes, alguém menos preparado, actua como presidente’.
Só que nas palavras de Xavi Ayén, editor-chefe da ‘Culture’, de Barcelona, no último ensaio do cientista político americano Mark L. Haas, publicado pela Oxford University Press, a maioria dos países do mundo está a ter um aumento de pessoas com mais de 65 anos; daí os problemas com o crescimento económico, a produtividade e aumento dos gastos sociais, mas também com um lado positivo, a redução do risco de guerra: por haver cada vez menos pessoas entre 18 e 23 anos, há exércitos com problemas de recrutamento já graves, no Japão, na China e até mesmo na Rússia, com dificuldades na Ucrânia, ligadas à falta de mão de obra militar qualificada.
O filósofo Daniel Innerarity escreveu, já em Abril passado, ‘A crise –o questionamento das estruturas políticas, a modificabilidade das instituições, a natureza provisória do consenso, as possibilidades de mudança disponíveis para vários actores, a rivalidade alternada entre visões de mundo, valores e interesses– é o estado normal da sociedade. Não é de todo crítico que a sociedade esteja em crise: numa democracia, a condição normal das coisas é a crise’.
E a democracia? Onde está?
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor


