São tempos bem complicados, estes que agora vivemos! Nem sabemos bem a que regime estamos amarrados, lendo de trumps. putins, mileis, rosas, esteves, boçalnaros, partidos sem símbolos indicativos a acompanhar, por nem sabemos qual o que lhes juntar, ou que arranjam denominações que nem é bom aqui citar, pelas imagens ‘bem antigas’ que nos trazem ou querem trazer de volta, pois a democracia liberal (!?!) em que dizem vivermos, tem uma coisa que incomoda muita gente (parte desta, até nem sabe o que é), uma coisa bem pequena, ‘a soberania residir no povo’.
Contrapõem um individualismo apoiado num conceito que se veio impondo nas últimas décadas, a ‘meritocracia’, ajudado pela tecnologia de mão, de teclas e pequenos ecrãs, sempre disponíveis, coleccionadores de amigos e normas impostos pelos algoritmos de um messianismo capitalista, a soprar aos ouvidos, e outras vezes a atirar-nos à cara, ‘nada tens, nem mérito tens para sair dessa!’
Às vezes penso mesmo (e as últimas eleições parecem demonstrá-lo) que tal messianismo tecnológico visa pôr de lado o sistema antiquado e ultrapassado da tal democracia ‘residir’ no povo, porque a inteligência artificial adapta-se muito melhor ao sistema de negócios e movimentação de capitais a nível global, que uma qualquer Assembleia ou Casa do Povo que o represente, está bem longe de vir atingir.
Quem o defende são Elon Musk e Peter Thiel, os ‘papas’ do chamado capitalismo tecnológico libertário, que querem criar uma aristocracia com base nas teclas e no ciberespespaço, bem longe da aristocracia política, ou outra qualquer semelhante, que abrangia todos o que governaram este mundo nos últimos dois séculos, e deixou figuras como o trumpa, o putin, o netanyahu, o boris, o milei, o boçalnaro e outros abencerragens que ainda por aí andam e, só de pensar neles, até faz ficar com dor de barriga, e só para citar alguns (mas poucos) dos ‘piores’.
Repare-se no que, escrevia no ‘La Vanguardia’ do passado dia 18, o cronista Xavier de Xaxàs, ‘A fortuna do presidente dos EUA passou de US$ 3 bilhões para 7,3 bilhões num só ano. O sistema sociopolítico que nos governa precisa de um profundo reajuste para corrigir os desequilíbrios que levam à insegurança de uma cidadania perdida num labirinto de incógnitas e ansiedades, que apenas movimentos radicais parecem ajudar’.
Mas parece também que tal sujeito não quer perceber porque terá de perder privilégios. E o que acontecerá quando Gaza tiver de ser reconstruída?
Por outro lado, todas as situações apontam para que o trumpa não seja uma anomalia do sistema, mas sim o próprio sistema, onde tem e ocupa a magistratura toda; basta olhar e contar os líderes mundiais, que lhe prestam homenagem, a ver pela cerimónia de Sharm-El Sheik.
Vê-se, sabe-se e sente-se, pelo número incontável de vítimas, como o sistema sociopolítico que nos governa, precisa de um profundo reajuste, para acabar com a insegurança que os desequilíbrios trazem a uma cidadania perdida num labirinto de incógnitas e ansiedades, que apenas os tais movimentos radicais parecem ajudar. Observamos, cada dia que passa, como aumenta a subversão das normas de conduta nas comunidades e sociedades, que possam garantir uma convivência natural, justa e, acima de tudo, ética.
Ainda há quem chame a isto ‘valores humanos’, mas lembrando o que disse uma vez o antigo árbitro Vítor Correia, ‘desde que vi um porco a andar de bicicleta…”, também sei que esta nova aristocracia, não gosta nem sabe de cultura humanística, nem de História, preferindo uma eficiência que possa ser avaliada e quantificada, a maior parte das vezes bem longe das realidades morais e materiais, de quem só os possa servir e mesmo da população em geral.
Tudo fica sob a responsabilidade do algoritmo, onde já reina a IA que, rainha, faz o que bem entender, interpretando, todas as coisas a seu modo, mas seguindo as normas (algoritmos) que lhe foram ‘metidas’ nos circuitos. Só não sei onde incluir aí a palavra ‘LIBERDADE’: a depender totalmente de um poder tecnológico ou, à maneira dos humanos que dela fizeram bandeira, de uma vida autónoma, compartilhada e atenta ao bem-estar social, humanístico, cultural e político.
Nas Assembleias e Casas do Povo, e suas diversas formas, ou numa central de computadores?
Não pela tecnologia em si, mas por quem a controla e para que fins, rarissimamente de acordo com as primeiras!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor