noutros dias
acreditávamos na eternidade de certas pessoas.
foi-nos possível catalogar tranquilamente os breves gestos
das plantas no jardim da casa
e a paixão silenciosa dos leitores de livros
sentados nas mesas de cafés cheios de fumo e crepúsculo.
noutros dias
o tempo andava descalço sobre a vida
e nenhuma tempestade vencia
o brilho dos teus olhos.
hoje
não há sequer uma rua onde uma casa nos espere.
já esquecemos o espaço das conversas sem relógio
em que não receávamos o frio.
hoje
a eternidade de certas pessoas já não é uma certeza
e o brilho dos teus olhos nunca teve um rosto.



A erosão do tempo, a erosão das antigas certeźas…Quanta nostalgia! Que beleza! Obrigada!