MONTE DAS OLIVEIRAS por Adão Cruz

MONTE DAS OLIVEIRAS

por Adão Cruz

 

Pintura de Adão Cruz

 

Não sei o que entra em mim

no cálido fim desta tarde alentejana.

Não sei ao certo o que me diz

o silêncio aberto destes campos sem fim

nem sei se procuro o lugar seguro

para abrir o pensamento.

Há qualquer coisa para lá do horizonte

entre a angústia e a Esperança

estranha esperança de futuro

no silêncio aberto destes campos sem fim.

Qualquer coisa que arde no cair da tarde

entre a magia da vida

e a dor contida no monte das oliveiras.

Para lá do horizonte

no fim de La Codozera

não havia ninguém à minha espera

no cálido fim desta tarde alentejana.

Nesta tarde alentejana

feita de silêncio aberto

e de campos sem fim

parei o carro na berma da estrada

que vinha do nada de onde parti

à procura da cidade

com as ruas que há dentro de mim.

Há anos que não me adormecia um sono tão profundo

nem o sol trigueiro me dourava a figura

quase azul

pintando um sonho perdido no fim do mundo.

 

 

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