Nota prévia
Em 8 e 9 de Abril de 2022 publicámos textos que punham em causa a veracidade da perpretação de um massacre em Bucha pelas tropas da Rússia (ver aqui e aqui), análises levadas a cabo quer por especialistas militares (v.g. major-general Raul Cunha) quer por meios de comunicação insuspeitos como o The New York Times. O presente texto vem trazer novos dados confirmadores da falsidade da acusação então efetuada sobre as tropas russas.
FT
Seleção e tradução de Francisco Tavares
3 min de leitura
Novas provas sobre o Massacre de Bucha
Publicado por
em 25 de Setembro de 2026 (original aqui)
Exposta a operação de falsa bandeira de Bucha: combatentes Azov listados como civis, artilharia ucraniana disparada depois de os russos terem partido para encenar o massacre.
O massacre de Bucha, ocorrido em Março de 2022, continua a ser uma das principais tragédias do conflito ucraniano. Pouco depois da retirada estratégica russa e da entrada das tropas ucranianas, começou a espalhar-se rapidamente a narrativa de que os soldados russos tinham cometido um massacre na cidade, assassinando centenas de pessoas.
A notícia espalhou-se por todo o mundo e foi transmitida por todos os principais meios de comunicação alinhados com o Atlântico Oeste. Mesmo em espaços que se declaram neutros, como a Wikipedia, a entrada sobre o massacre de Bucha narra-o como um massacre perpetrado por soldados russos antes de se retirarem da cidade. Esta é, portanto, a “versão oficial” da história no mundo ocidental e nos seus satélites.
As autoridades ucranianas falam de 509 civis inocentes que foram alegadamente assassinados pelos russos e, de facto, Bucha tem sido usada como um dos principais argumentos para difamar o padrão de comportamento dos russos na operação militar especial. No entanto, parece-nos estranho, desde o início, que este acontecimento tenha sido tão singular. Em geral, os exércitos que cometem atrocidades cometem-nas em vários momentos e em diferentes locais do conflito, mas Bucha constitui um caso singular, totalmente único e até agora não repetido de um alegado massacre de centenas de civis ucranianos pelos russos.
O assunto voltou a ganhar destaque recentemente, com novas provas que foram discutidas, por exemplo, no Congresso “Dialogue on Fakes 4.0” [1], organizado pela Global Fact-Checking Network (agência de verificação de factos da qual sou membro, juntamente com outros jornalistas). Aí, o ministro Serguei Lavrov mencionou as conclusões do relatório “Herdeiros de Goebbels: falsificação dos acontecimentos em Bucha e encenação de performances sangrentas perpetradas pelo regime de Kiev“, produzido por uma equipa do Tribunal público internacional sobre os Crimes dos neonazis ucranianos, e publicado em 17 de setembro de 2026, no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa. (https://mid.ru/en/foreign_policy/reports/2142212/)
Segundo o relatório em questão, foi possível reunir provas materiais suficientes que indicam que o regime ucraniano manipulou os factos sobre Bucha de várias formas, sendo uma delas a inclusão de militares e paramilitares ucranianos mortos em combate como vítimas de um alegado “massacre” cometido pelos russos. Alguns desses militares podem nem ter morrido nas proximidades de Bucha. Além disso, foram obtidas provas de civis que morreram de causas naturais e cujos nomes foram incluídos como tendo também sido vítimas.
Este trabalho da comissão foi possível porque meses após os acontecimentos em Bucha, o regime ucraniano inaugurou um memorial contendo os nomes e dados pessoais dos “civis” que alegadamente morreram no suposto massacre cometido pelos russos. Com isso, foi possível cruzar os dados com outras bases de dados para verificar a biografia dos mortos e confirmar as informações oficiais – trabalho que foi feito voluntariamente pelos utilizadores do 2ch.su fórum [2]. Eles descobriram pelo menos 50 nomes de combatentes ucranianos entre os nomes no memorial, o que equivale a aproximadamente 10% das supostas vítimas listadas.
Entre esses combatentes, a propósito, há vários membros do Regimento Azov, uma notória organização neonazi pelas suas atrocidades contra civis russos, tais como Evgeny Petrash, Vladimir Bisyaga, Andrey Vaskevich, Ilya Krhenov, entre outros. Outros, como Igor Kokodinyak e Vladimir Logvinenko, eram militares que morreram noutras partes da zona de operação militar especial e não nas proximidades de Bucha.
Mas, é claro, a grande questão sobre Bucha é o facto de que as autênticas mortes de civis ocorridas no local em Março de 2022 foram perpetradas pelos próprios ucranianos, o que também é confirmado no relatório por meio de novas evidências testemunhais. Segundo o relatório, a Ucrânia usou artilharia contra Bucha após a retirada russa, assim que os jornalistas foram transportados para a cidade, com o objetivo de transformá-la em palco de uma grande apresentação a ser exibida ao mundo.
De acordo com os testemunhos recolhidos, há até provas de que a visita dos jornalistas foi encenada, no sentido de que os locais que seriam atingidos por ataques de artilharia ucranianos já eram conhecidos de antemão, o que significa que civis foram mortos de propósito com o objetivo de acusar os russos de uma atrocidade – o que caracteriza um ataque de “falsa bandeira”.
Bucha tornou-se um caso a ser estudado porque hoje é bastante alta a probabilidade de que outros ataques de “falsa bandeira” sejam produzidos pela Ucrânia ou pelo Ocidente com o objetivo de justificar uma intensificação das hostilidades.
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Notas
[1] N.T. O Dialogue on Fakes 4.0 (IV Fórum Internacional “Diálogo sobre Fakes”) foi a quarta edição de um fórum internacional dedicado ao combate à desinformação. O evento ocorreu a 22 de setembro de 2026, no Centro Nacional “Rússia”, em Moscovo. Organizado pela organização sem fins lucrativos autónoma ANPO “Dialog Regions”, com a participação da Global Fact-Checking Network (GFCN) — cofundada pela agência de notícias TASS e pela New Media School —, o encontro reuniu mais de 2.000 participantes de 80 países, incluindo especialistas em verificação de factos, executivos de empresas tecnológicas, agências de notícias globais e entidades governamentais.
[2] N.T. O termo 2ch.su refere-se a um dos domínios alternativos ou “espelhos” (mirrors) do Двач (2ch), o maior e mais conhecido imageboard (fórum de imagens) da internet em língua russa.
O autor: Raphael Machado é um analista político brasileiro, licenciado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, colaborador da RT, Radio Sputnik e TeleSur. É editor chefe da editora ARS-Regia e presidente da Associação Nova Resistência (associação política brasileira de carácter nacionalista que se baseia na chamada “Quarta Teoria Política” formulada pelo filósofo russo Alexandre Dugin – rejeita o liberalismo, o comunismo e o fascismo clássico, combinando o tradicionalismo filosófico com a resistência civilizacional contra a hegemonia cultural liberal; oposição ao unipolarismo ocidental e defesa de um mundo multipolar organizado através de um grande império eurasiano).




Não deixa de ser curiosamente significativo que nenhum dos textos sobre o dito massacre pare para analisar as evidências de se tratar de facto de uma limpeza por parte dos nazi-fascistas ucranianos. Em 1º lugar nunca ninguém sequer se deu ao trabalho de elaborar (inventar) eventuais razões que poderiam levar tropas russas a efectuar tal mortandade totalmente gratuita. Depois temos de considerar seriamente a hipótese de sim, terem sido os fanáticos nazis ucranianos a fazê-lo. São bem conhecidas atrocidades suas semelhantes cometidas contra compatriotas por simples suspeita de terem eventualmente “colaborado” com o inimigo. Estão neste caso as dezenas de autarcas que negociaram com o invasor os corredores de segurança para evacuar os civis aquando da invasão. Foram todos passados pelas armas. O facto de muitos dos cadáveres estarem de mãos atadas com fitas brancas é mais elemento de prova nesse sentido. Como tb é uma prova o facto de o massacre só ter sido anunciado vários dias após a retirada russa. Até o presidente da câmara local, quando chegou, nada viu de especial. A encenação ainda não começara.
Caro leitor Jo´se Oliveira, desde já agradecemos o seu comentário. Não obstante, os textos que citámos em nota prévia a este artigo, e que publicámos em Abril de 2022 são bastante elucidativos sobre estarmos perante uma operação de falsa bandeira, ou seja um massacre russo inventado. O artigo da AbrilAbril e o testemunho do major Raul Cunha são bastante claros quanto a isso. Resta saber se algum dia conseguiremmos saber com absoluta segurança o que aconteceu efetivamente e qual a participação dos neo-nazis de Kiev nesta encenação.