O cérebro, as convicções e a liberdade de pensar – por Carlos Pereira Martins

O cérebro, as convicções e a liberdade de pensar por Carlos Pereira Martins   O cérebro humano é, porventura, o órgão mais extraordinário de que temos conhecimento. Mais do que complexo, é um universo de possibilidades, uma estrutura admiravelmente sofisticada, cuja capacidade de aprender, interpretar, sentir, recordar, imaginar e decidir continua a surpreender a própria ciência. Conhecemos já muito do seu funcionamento, mas estamos longe de lhe desvendar todos os segredos. É nele que se cruzam a razão e a emoção, a experiência e a expectativa, a memória e o esquecimento, a consciência e os mecanismos, tantas vezes inconscientes, que influenciam o nosso comportamento. Não nascemos, porém, com uma maneira definitiva de olhar o mundo. Vamos construindo-a ao longo da vida, moldados pela educação, pelo ambiente familiar, pela sociedade em que crescemos, pelas experiências que nos marcam, pelas pessoas que encontramos e também pelas circunstâncias que nos ferem. Os afectos, os medos, as frustrações, os recalcamentos e as ambições participam nessa construção. Tanto podem fazer florescer sentimentos da mais elevada nobreza, como a solidariedade, a generosidade e a fraternidade, como alimentar outros menos dignos, entre os quais a inveja, o ressentimento, o ódio e o desejo de vingança. É assim que, pouco a pouco, podemos construir uma espécie de couraça intelectual e emocional, uma estrutura de convicções que, em determinadas circunstâncias, deixa de nos proteger e começa … More