Pentacórdio para Domingo, 26 de Maio

por Rui Oliveira

 

   Podemos, sem dificuldade, optar para destaque deste Domingo, 26 de Maio o concerto com que a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu encerrar, nesta temporada, o Ciclo “Músicas do Mundo”. amjad ali khanFá-lo com a vinda ao seu Grande Auditório, às 19h, de Ustad Amjad Ali Khan, um dos mais destacados intérpretes do sarod (o instrumento de cordas característico da música clássica indiana do Norte), que ali vem apresentar o espectáculo “Uma Noite de Ragas do Norte da Índia”.

   Tendo aprendido a tradição deste cordofone descendente do antigo rabab do Irão (e “rival” do sitar do Sul indiano) com o pai Ustad Hafiz Ali Khan, Amjad desenvolveu uma técnica própria e inovadora desde o seu primeiro recital aos doze anos, sendo autor duma série numerosa de “ragas” que certamente trará ao concerto, bem como constituido parcerias inesperadas com quem tem actuado.

   «Num gesto de perpetuação da sua arte (diz a Gulbenkian Música) este guru faz-se acompanhar neste espectáculo por dois filhos (que são também seus discípulos) Amaan Ali Khan e Ayaan Ali Khan, ambos tocadores de sarod»… bem como de Sanju Sahai amjad ali khan e filhose Anubrata Chatterjee, tocadores de tabla.

   Quase com a mesma formação (apenas Stephanie Bosch em tampura substitui um tocador de tabla) mostramos-lhe um excerto dum concerto em Colónia (Alemanha) em Março de 2008 (o leitor mais entusiasmado tem aqui acesso a um concerto de cerca de 90 min em que o sarod de Amjad Ali Khan, acompanhado pelas tablas de Rashid Mustafa e Mithilesh Kumar, toca as ragas Shree, Kedar e Zila Kafi )

 

 

 

   Entretanto, no Coliseu dos Recreios, comparece neste Domingo, 26 de Maio, às 21h30, o guitarrista espanhol de flamenco Vicente Amigo que, além de temas do seu mais vicente amigo 1recente trabalho, não deixará de percorrer a sua carreira de mais de duas décadas de encontro das sonoridades flamencas com muitas outras linguagens musicais.

   Já com cinco álbuns editados e premiados, desde “De mi corazón al aire” (1991) a “Ciudad de las ideas” (Grammy de 2001), fez sair agora, após três anos de pausa, o CD “Tierra”, com produção de Guy Fletcher, teclista e colaborador habitual de Mark Knopfler, tierravamigoe a colaboração de alguns músicos da banda deste guitarrista, cantor e compositor britânico.

   O álbum compõe-se de nove temas considerados inovadores, acentuando a fusão particular do flamenco com a matriz celta. De entre eles, “Tierra” e “Roma” farão parte da banda sonora de um filme japonês que chegará aos cinemas em 2013.

   É este último tema “Roma” que aqui lhe mostramos em baixo (ao leitor interessado em ouvir um recital em Córdoba em 2012 com outros instrumentistas e cante por Blas Córdoba de cerca de 1 hora, aconselha-se que clique aqui )  :

 

 

 

   Em música dita mais clássica, há três recitais neste Domingo, 26 de Maio que se prevê de boa qualidade, curiosamente todos de entrada livre (dois deles integrados nos “Sons pela Cidade”).

sonspelacidade 

   Às 16h, no Museu da Marinha, a Orquestra Clássica Metropolitana (sob a direcção musical de Reinaldo Guerreiro), com Carla Duarte em oboé, irá tocar de :

 

         Felix Mendelssohn  –  Abertura para Instrumentos de Sopro, op. 24

         Alessandro Marcello  –  Concerto para Oboé e Cordas em Ré menor

         Joseph Haydn  –  Sinfonia n.º 100, Militar

 

 

   Dado não haver ainda registo destes intervenientes, mostramo-vos a peça integral de Alessandro Marcello tocada por “I Cameristi della Scala” acompanhados por Fabien Thouand (oboé) em Outubro de 2011 :

 

 

teresa palma pereira

   Às 17h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há um Recital de Piano de Teresa Palma Pereira onde serão interpretadas obras (a precisar) dos seguintes compositores : Franz Schubert, Ludwig van Beethoven, Carlos Seixas e Claude Debussy.

3q8c_teresadapalmapereira   Esta aluna de Tania Achot (para a licenciatura na ESML) e depois de Artur Pizarro, Grigory Gruzman,Filipe Pinto-Ribeiro, Jan Michiels e, actualmente, de Claudio Martinez-Mehner, já foi laureada com vários prémios nacionais e internacionais (como p.ex. 1º prémio no Concurso Internacional Maria Campina).

   Lançou recentemente, em Abril, o seu primeiro CD “A Valsa Transfigurada” onde toca de F. Schubert Fantasia em Dó Maior, op. 15, “Wanderer” e de Robert Schumann  Carnaval op. 9.

   O leitor curioso pode ouvir aqui os vídeos das peças tocadas em concertos diversos.

 

 

   Às 18h, no Cinema São Jorge há um dos habituais Concertos ao Domingo (comentado por Paulo Pacheco)249113_10151600448574486_44553025_n em que a Orquestra Académica Metropolitana, sob a direcção musical de Jean-Marc Burfin, irá tocar, com a presença e participação de Sérgio Coelho (foto), clarinete (vencedor do Prémio INATEL 2013), de :

 

         Richard Wagner  –  O Idílio de Siegfried

         Wolfgang Amadeus Mozart  – Concerto para Clarinete, KV 622

         Zoltán Kodály  –  Danças de Galanta

 

   Claro que não há registo do jovem instrumentista vencedor. Quem tenha ficado curioso por conhecer esta peça do concurso escrita por Mozart para o conhecido clarinetista Anton Stadler, oiça abaixo uma boa interpretação (mas não atribuída) : 

 

 

 

Como NOTÍCIAS EM ATRASO mas ainda oportunas, lembra-se que :

 

   Irá decorrer ainda HOJE, Sexta-feira 24, a “Noite da Literatura Europeia”, cuja estrutura organizadora informa :

 

imagesCA74AK3Y   Neste dia oito locais emblemáticos entre o Chiado e o Rato recebem obras de oito escritores europeus contemporâneos. Neste serão  (as sessões de leitura terão lugar entre as 18h30 e as 22h30) será possível fazer um passeio pela literatura europeia contemporânea, com oito paragens literárias, onde será possível assistir a leituras de obras de oito escritores de renome que marcam a atualidade da literatura europeia.afonso cruz

   Portugal estará representado pelo escritor, ilustrador e músico Afonso Cruz (*1971) (na foto). Da sua obra vastamente premiada e publicada também fora de Portugal, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, escolheu “O livro do ano”. A leitura será feita pela actriz Isabel Abreu sob a direção de Tiago Guedes e terá lugar na Galeria Zé dos Bois, acompanhada por ilustrações e música interpretada por Afonso Cruz.

eletrico_28-1   O Goethe-Institut elegeu “Adeus, Berlim” de Wolfgang Herrndorf (*1965) para esta noite literária. Formado em pintura e com estreia literária em 2002, o autor conta a história de dois jovens que, numas férias de verão entediantes em Berlim, roubam um carro velho e embarcam numa viagem que remete para As Aventuras de Huckleberry Finn. As leituras serão feitas pelo actor Ulisses Ceia a bordo do eléctrico nº 28, entre o Largo Camões e o Jardim da Estrela.

   O Museu da Farmácia será palco das leituras de “No último Azul” de Carme Riera (*1948), autora de uma vasta obra traduzida para diversas línguas que estará em Lisboa a convite do Instituto Cervantes. A sua obra gira em torno da vida e morte dos cripto-judeus maiorquinos do século XVII e baseia-se em acontecimentos históricos ocorridos em Maiorca entre 1687 e 1691. Os excertos serão lidos em espanhol pela própria escritora e em português por um aluno da ESTC. convento dos cardais

   O Institut Français du Portugal convidou o escritor e tradutor Mathias Énard (*1972) para estar presente no Convento dos Cardaes, onde será encenada a leitura de trechos do livro “Fala-lhe das batalhas, reis e elefantes”, que transporta os visitantes para uma Constantinopla do século XVI, onde o pintor Michelangelo, a convite do sultão Bajazet, deve construir uma ponte sobre o rio Bósforo para unir o Ocidente cristão e o Oriente muçulmano. A leitura será feita pelo actor Miguel Fragata na presença do autor.

   Rosa Liksom (*1958) foi a autora escolhida pelo Instituto Ibero-Americano da Finlândia. No Quartel do Carmo será possível conhecer “Os Paraísos do Caminho Vazio e Outros Contos”, no qual a vencedora do prestigiado prémio literário “Finlândia“ (2011) lança um olhar impiedoso sobre a sociedade, as suas ilusões, o seu conforto, a misoginia e a violência latente. A autora irá ler algumas passagens em finlandês e um aluno a tradução portuguesa.mãe de água

   A Itália estará representada por Massimo Gramellini (*1960). O escritor, jornalista e vice-diretor do jornal “La Stampa” estará no Reservatório da Mãe d’Agua a convite do Instituto Italiano de Cultura, onde serão lidos trechos do seu livro “Tem bons sonhos”, uma história de um segredo fechado num envelope durante 40 anos, de uma criança que irá enfrentar a dor da perda da sua mãe. O autor Massimo Gramellini irá ler da sua obra em italiano e um aluno da ESTC em português.

   O Centro Nacional de Cultura acolhe as leituras de “The Spectacular” de Keith Ridgway (*1965). O protagonista do livro deste autor irlandês escolhido pelo British Council é um escritor falhado que quer finalmente escrever um bestseller e decide inventar um thriller sobre uma história terrorista que se desenrola em Londres no ano de 2012. Keith Ridgway irá presenciar a leitura em português de um aluno da ESTC.Orpheucaffe

   O Instituto Cultural Romeno elegeu o Orpheu Caffé como cenário das leituras de poemas de Lucian Vasilescu (*1958). Este poeta, “mensageiro de uma outra forma de ser na poesia” (Romul Munteanu), também é jornalista, colaborador de várias revistas literárias, sendo presentemente editor da publicação cultural “Ziarul de duminica” (“O Jornal de domingo”). A atriz Luminita Pereira irá ler na presença de Lucian Vasilescu.

   Todas as sessões têm entrada gratuita e uma duração de 15 minutos, repetindo-se a cada meia hora para que o público tenha oportunidade de visitar os outros locais do percurso literário delineado para esta noite.

 

 

   Quanto a conferências/debate de potencial interesse, referimos três de índoles bem diversas, todas a decorrer no Sábado, 25 de Maio, logo amanhã :

 

 

   “Music, Poetry and the Brain – Celebrating Wagner’s Bicentennial” é o título dum simpósio a decorrer na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Campolide) das 9h às 18h30, de entrada livre mediante inscrição prévia no site.música e cérebro 1

   O bicentenário do nascimento do compositor Richard Wagner dá o mote à conferência que trará a Lisboa alguns dos maiores especialistas mundiais em neurologia, neuropsicologia e música, entre os quais se destaca o neurocientista António Damásio.

   Nas últimas décadas, houve muitos avanços científicos na compreensão da base cerebral da música e da sua relação com os mecanismos da linguagem e das emoções, tendo-se demonstradoreitoria da NOVA, através das ferramentas modernas da neurociência, ser um poderoso caminho para entender a mente e o comportamento humanos.

  A filosofia artística e os dramas musicais de Richard Wagner (para quem a plena expressão do ser humano necessita duma união da “linguagem das palavras” com a “linguagem da música”) representam uma profunda reflexão sobre a mente e o comportamento humano. Os sons da música influenciam directamente os processos cerebrais das emoções e sentimentos duma forma independente da linguagem. Wagner não ficaria surpreendido se soubesse que a neurociência comprova que a música pode influenciar o desenvolvimento cerebral e o próprio modo do cérebro funcionar no indivíduo.

 

 

   Também neste dia se realiza “Pop, Crítica e Política Seminário Pensamento Crítico Contemporâneo”, a partir das 10h30 com entrada condicionada a inscrição,  na Faculdade de Belas‐Artes da Universidade de Lisboa e no vizinho Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado, numa organização da Unipop e Revista Imprópria e da Secção de Investigação Unipopem Arte e Multimédia do Centro de Investigação e de Estudos em Belas‐Artes da Universidade de Lisboa.

   Dizem os organizadores que «o seminário procurará, ao longo de um dia, promover o encontro entre a pop e o pensamento crítico contemporâneo (convocando o contributo de autores como Walter Benjamin, Marshall MacLuhan ou Jacques Rancière, entre outros) e explorar estudos de casos (que vão da música ao cinema, passando pelas artes plásticas). Diligenciará assim abrir espaço a uma discussão em torno da pop que contrarie a desconsideração a que o tema sido muitas vezes votado no campo académico, onde persistem as divisões entre alta e baixa cultura, erudita e popular, moderna e tradicional ou nacional e global».

 

 

   Como terceira conferência, lembraríamos a que pertence ao ciclo “Quando as galinhas tinham dentes e os porcos tiverem asas”, no Pavilhão do Conhecimento 618_coloquio-trex-banner– Ciência Viva aos Sábados com entrada gratuita, e que neste 25 de Maio se intitula “O nosso património paleontológico.

   Proferida por Galopim de Carvalho (prof. aposentado da UL) e Sofia Castel-Branco da Silveira (ICNF), pretende chamar a atenção, sobretudo dos mais jovens, que «Portugal está entre os sete países do mundo com mais géneros de dinossauros identificados. Temos também as mais notáveis jazidas com pegadas de dinossauros e preparamo-nos para submeter trilhos de pegadas ibéricas a Património da Humanidade».

 

 

 

 

   Por último, alerto para que terminam neste Sábado 25 de Maio duas exposições com crítica muito favorável.

 

   Da mostra fotográfica de Paulo Nozolino  intitulada “Gloom”, ao público na Galeria Quadrado Azul Paulo-Nozolino_Gloom_08Paulo-Nozolino_Gloom_01(Rua Reinaldo Ferreira, nº 20 A) diz o crítico N.C. (Ípsilon, 19 de Abril) que «nesta nova série (de fotografias feitas entre 2010 e 2012 na Bretanha, França) não há exterior e o fechamento, muito próprio das trevas materializadas nas imagens, é relativo à falta de luz que caracteriza o presente.

   Não que estes trabalhos falem exclusivamente do nosso tempo, mas a sua condição é a de serem presenças desse universo onde já quase nada se pode distinguir e este é o tempo da sua respiração. A esta consciência crítica sobre o tempo, a decadência e o mundo à beira do seu abismo, junta-se o rigor com que Nozolino usa a fotografia e que faz com que estes trabalhos pareçam poemas porque nascem da utilização precisa, cirúrgica e simbólica da sua linguagem e que é o mecanismo poético por excelência».

 

   A exposição de Rui Chafes que ele designou “Tranquilidade ferida do sim, faca do não” e para que escreveu (como é seu uso) um pequeno ensaio sobre o espaço sacral, é a estreia do artista na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção, nº 80). São cinco peças de metal negro, dispostas na vertical e em parui chafes1ralelo numa das paredes maiores, que recordam as nervuras dos ntigos arcos góticos das catedrais. Há uma iluminação mínima, quase inexistente, que torna difícil a visita do espaço.

   Dela diz a crítica L.S.O. (Ípsilon, 22 de Março) que «sendo uma exposição sobre a morte (segundo R.C.) … de facto o arquétipo da impossibilidade de ver é o nada, o sono sem fim de olhos bem fechados. A errância cuidadosa a que o artista obriga cada espectador na nave da galeria, transformada em ruína de uma catedral talvez há muito soterrada, a própria inacessibilidade das esculturas, montadas bem acima da altura de um corpo, acaba por transformar esse mesmo espectador no protagonista principal da exposição. É que a morte é a morte dos corpos, não das coisas, e é em torno desses corpos que tudo gira».

 

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

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