Pentacórdio para Sábado, 1 de Junho

por Rui Oliveira

 

   Neste Sábado, 1º dia de Junho, um concerto interessante poderá ser o que ocorrerá no âmbito da comemoração do “Ano Brasil Portugal”, às 21h, no Auditório da (Universidade) NOVA (Campus de Campolide), numa co-produção Embaixada do Brasil – OML.oml%205

   Sob a direcção musical de Claudio Cohen (foto), actual maestro titular da Orquestra Sinfónica de Brasília, vindo expressamente para dirigir a Orquestra Metropolitana de Lisboa, ouvir-se-á :

 

      Claudio Santoro       Ponteio

      Caio Facó                   O último tema (obra em estreia)

      Ney Rosauro             Três episódios sinfónicos

      Felix Mendelssohn  Sinfonia Italiana

 

   Segundo as notas do programa de Rui Campos Leitão, que salienta estarmos na presença de “representantes de gerações distintas da composição brasileira”, « … ao lirismo da música 20130528162405_TT1X70GJ75389YWAN0K0de Rosauro (percussionista nascido em 1952) de que será tocada a obra Três episódios sinfónicos, junta-se aqui a estreia absoluta de O último tema de Caio Facó (1991 -), um muito jovem compositor natural de Fortaleza, que com ela pretendeu homenagear Haydn .

   Completam o programa brasileiro (aliás, abrindo-o) as sonoridades rústicas do Ponteio, de Claudio Santoro (1919-89), esse músico natural de Manaus, escrita em 53 e bem representativa da então Escola Nacionalista Brasileira (como se apreciará no vídeo abaixo). A encerrar, soará a Sinfonia italiana, de Mendelssohn, curiosamente nunca publicada em sua vida, inspirada numa prolongada viagem por Veneza, Roma, Nápoles, Génova e Milão em 1830.        

   Eis a Orquestra de Câmara de Brasília com Claudio Cohen a tocar “Ponteio” :

 

 

 

   Quem entretanto venha, às 16h, à Sala dos Espelhos do Palácio Foz (na Praça dos Restauradores, Lisboa) beneficiará dum Recital de Piano de entrada livre em que as pianistas portuguesas Margarida Andrade e Mariana Godinho, ambas alunas da Escola Superior de Música de Lisboa na classe do Professor Jorge Moyano, abordarão obras (a precisar) de Ludwig van Beethoven e Frédéric Chopin.

 

 

 

   No campo de outras músicas, António Zambujo vai neste Sábado, 1 de Junho à Galeria Zé dos Bois (ZDB), às 22h, divulgar o seu último álbum “Quinto”, 20120328124627_12354903Z27X8Z4171MHonde “volta a namorar insistemente com as duas linguagens do fado e do jazz, contando para isso com as contribuições do cavaquinho de Jon Luz e – no sublime “Não vale mais um dia” – da guitarra eléctrica de Mário Delgado mais a bateria de Alexandre Frazão”.

   E a ZDB lembra bem, citando a crítica de Gonçalo Frota no Ípsilon, que «… em Zambujo não há desperdício; há antes uma ideia de cúmulo, de novas peças que se encaixam num tronco sólido que, por sua vez, se vai tornando mais robusto pouco a pouco. Se ao seu fado rapidamente se lhe juntaram as referências da bossa nova de João Gilberto e do jazz de Chet BakerAntonio Zambujo Quinto, contrariando a ideia de que a autenticidade de uma interpretação fadista passa necessariamente por deitar a alma pela boca num canto-refluxo vindo das entranhas, … a presença de Luz serve ainda para explorar a ligação à morna cabo-verdiana (“Milagrário pessoal”, com letra de Agualusa), ao mesmo tempo que o trombone em “A casa fechada” faz a vénia a um Tom Waits que Zambujo sempre colocou num pedestal. E fá-lo com o mesmo recato e a mesma subtileza que aplica a tudo, tornando a sua música cada vez mais preciosa».

   Este é um vídeo curioso do fazer de uma melodia “Pelo toque da viola” :

 

   Para apreciar o mérito de, p.ex., a canção muito musicada “Não vale mais um dia” clique aqui .

 

 

 

katiaguerreiro   E ainda na canção portuguesa reconhecida “património da Humanidade”, assinale-se, entre outros serões, o de Vicente da Câmara comemorando 50 anos de carreira, acompanhado por vários familiares músicos, às 21h30 no Coliseu dos Recreios,Katia_Guerreiro_Olympia_260 enquanto no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h deste Sábado, 1 de Junho a fadista (médica) Katia Guerreiro aproveita o lançamento em Maio do registo do seu concerto no palco do “Olympia” de Paris em Janeiro de 2012 que muito propulsou o seu reconhecimento internacional, para revisitar esse momento único e partilhá-lo com o público.

   Este foi o registo na altura do tema (“profissional”) “Vodka e Valium 10” :

 

 

 

   No cinema extra-circuito, demos relevo (ATRASADO) à rubrica mensal regular da programação de 2013 que a Cinemateca disponibiliza, as “Escolhas de Alberto Seixas Santos”, em que na sessão especial a projecção é antecedida de uma apresentação do filme eleito, por aquele realizador. As escolhas seguem o critério da vontade de falar de filmes pessoalmente considerados por Seixas Santos entre “os mais belos da história do cinema mas não suficientemente amados”.aYdl7

   No caso de Maio, é nesta Sexta-feira, 31 de Maio que na Sala Dr. Félix Ribeiro, às 19h, é exibido o filme “How Green Was my Valley” (O Vale Era Verde) (Estados Unidos, 1941 – 118 min, legendado em português) de John Ford, com Maureen O’Hara, Walter Pidgeon, Donald Crisp, Sara Allgood, Roddy McDowall e Barry Fitzgerald nos papéis principais.

   «A história é a de uma família de mineiros do País de Gales, evocada por alguém que recorda a sua infância. Da nostalgia dos tempos da inocência à amargura da separação dos vários membros da família, quando a crise económica se abate sobre a região. Algumas das mais belas cenas do cinema de Ford encontram-se neste filme: o casamento da filha (Maureen O’Hara), a greve dos mineiros e o conflito com o pai. “Há quem diga que tudo o que vive é sagrado. Ford, que o não disse, filmou-o. E não há filme que faça mais saudades” (escreveu João Bénard da Costa, falecido director da Cinemateca)».

   E se essa foi a escolha, o leitor que não puder ir à Cinemateca, tem-no aqui , agradecendo mais uma vez ao YouTube :

 

 

 

   Por último, o Goethe-Institut possibilita que se visionem neste Sábado, 1 de Junho (e no subsequente Domingo 2) no Centro Mário Dionísio/Casa da Achada (Rua da Achada,n° 11, Lisboa) (bem como em outras cidades noutras datas) quatro obras cinematográficas singulares de Solveig Nordlund raramente vistas (a entrada é livre).

   Fazendo a história :Cartaz _ E na_o se pode extermina_-lo_WEB

   Entre os anos 70’ e 80’, duas estruturas partilhavam as mesmas instalações no Teatro do Bairro Alto (Lisboa): uma delas, Teatro da Cornucópia fundada em 1973, mantendo-se até à data como companhia residente, e a outra Grupo Zero, cooperativa fundada pós-25 de Abril de 1974. Durante este período de grande actividade, e com apoio da RTP, foram transpostos para a tela, três textos dramáticos escritos de F.X.Kroetz, e vários textos curtos escritos por Karl Valentin.

   A transposição destes textos resultou em 4 filmes realizados por Solveig Nordlund, assinando a realização conjuntamente com Jorge Silva Melo no filme de 1979 a partir de textos do alemão Karl Valentin – “E Não Se Pode Exterminá-lo?”, a exibir no Domingo 2, às 18h.

   Na véspera, Sábado 1, serão projectados :

      − às 18h30 “Novas Perspectivas“– 1980, pb, 45’22 de Solveig Nordlund

                         “Viagem para a Felicidade” – 1978, cor, 37’16 de Solveig Nordlund

      − às 22h    “Música para Si” – 1978, pb, 54’44 de Solveig Nordlund

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

 

 

 

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