HORAS RUBRAS, quadro de Dorindo Carvalho inspirado em poema de Florbela Espanca

Imagem1Óleo sobre tela (80 cmX80 cm)

Horas profundas, lentas e caladas

Feitas de beijos rubros e ardentes,

De noites de volúpia, noites quentes

Onde há risos de virgens desmaiadas…
ee

Oiço olaias em flor às gargalhadas…

Tombam astros em fogo, astros dementes,

E do luar os beijos languescentes

São pedaços de prata p’las estradas…

eee
Os meus lábios são brancos como lagos…

Os meus braços são leves como afagos,

Vestiu-os o luar de sedas puras…
eee

Sou chama e neve e branca e mist’riosa…

E sou, talvez, na noite voluptuosa,

Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca, in “Livro de Sóror Saudade”

 

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