A propósito do depoimento de Henrique Neto (HN) ontem publicado, diz um amigo que nos é comum: «Excelente resumo desta mixórdia desprestigiante para o País. Isto é apenas uma excreção do regime de compadrio entre a política e os negócios», o que nos parece resumir bem a realidade que transparece deste corajoso testemunho. É todo um regime que está em causa, regime este que não pode deixar de estar próximo do seu fim.Poderia ficar por aqui neste comentário mas, de facto, não posso; nomeadamente, não me é possível esquecer a forma como os meios de comunicação vêm informando os portugueses. Se estivesse a imprensa interessada em informar os portugueses teria, no mínimo, de transcrever a totalidade deste documento.
Mais uma vez a intervenção no processo de uma empresa do Grupo Espírito Santo (GES), a ESCOM, aparece a ser questionada, Grupo este cuja acção total está longe de ser conhecida e não sei se há verdadeiro interesse em investigar até às últimas consequências o papel que desempenhou no empobrecimento do país e, sobretudo, o papel desempenhado nos principais desastres económico-financeiros em que os sucessivos governos se envolveram. Atrevo-me a dizer que o povo português ainda vai pagar uns tantos BPN’s com a falência do GES, opinião esta reforçada com a actual situação que se vive no Novo Banco. Como eu gostaria de estar errado nesta opinião!
HN protestou pública e atempadamente «junto da ESCOM, da Assembleia da República, do Presidente da República, dos Ministros da Economia, Defesa, Ciência e Tecnologia, …» sem qualquer resultado. Todas estas entidades lavam as mãos como Pilatos. Este processo das contrapartidas atravessou cinco (5) governos e nenhum deles soube defender os interesses nacionais. E a ESCOM? Essa soube defender bem os seus interesses, não devendo haver empresa nenhuma no Mundo tão bem paga para ser apenas conselheira no processo.
Leiam 10, 20 vezes o texto de HN e verifiquem se é possível que um regime como aquele que nos empobrece todos os dias –empobrecimento que se iniciou com os governos Cavaco Silva pelos erros clamorosos no aproveitamento dos dinheiros que, em quantidades astronómicas, chegavam de Bruxelas- continue a sua acção como se vivêssemos no melhor dos mundos.
Os portugueses têm de se unir e construir um novo regime, um regime em que as pessoas sejam o mais importante, um regime a que com propriedade se possa chamar democrático.