Dizia-me um amigo que os blogues, em geral, implodem devido a divergências entre os colaboradores – ideológicas, religiosas, clubísticas, quando não mesmo, dentro do blogue, surgem diferentes conceitos sobre o que este meio de comunicar deve ser. Acabar um blogue, não é grave – a blogosfera é um universo em permanente expansão. Neste momento estão a ser criados blogues, pois é o que acontece em cada segundo que passa; cinco mil por hora, 120 mil por dia… Em todo o mundo, devem existir cerca de 200 milhões.
O que é um blogue? Uma feira de vaidades onde se exibem habilidades ou um espaço plural onde se expõem opiniões, sujeitas depois, a críticas, favoráveis ou desfavoráveis? Será também um meio de aliviar tensões, deitando cá para fora o que nos aflige ou preocupa. A esta função catártica há mesmo quem chame blogoterapia. Um blogue parece ser um pouco de tudo isto. Fonte dinâmica de informação e de entretenimento, os blogues possuem também o tal poder catártico, pois dizem-se coisas que doutro modo ficariam sepultadas e, quem sabe, a remoer dúvidas, a adensar angústias dentro das cabeças dos bloguistas. Aliviando tensões, os blogues terão salvo vidas, evitando suicídios, embora quem viaje um pouco pela blogosfera encontre comentários, disputas, susceptíveis de provocar suicídios. Porque é preciso cuidado com as pulsões que se libertam – podem transformar-se em rottweilers à solta e sem açaimo.
Um dos problemas dos blogues é o da qualidade irregular e o da publicação de tudo o que aparece, nomeadamente textos apócrifos que circulam pela rede, com «autorias» famosas – García Márquez, Saramago, Ferreira Gullar… Pensamentos atribuídos a génios, sem que tenham alguma vez vivido na cabeça a que foram atribuídos. Pessoa é, nos blogues de língua portuguesa, a maior vítima destas citações – pensamentos imbecis ou lamechas de que o pobre Fernando está inocente. Agora, vejam esta definição:
A blogosfera é um saco de gatos que mistura o óptimo com o rasca e acabou por tornar-se um prolongamento do magistério da opinião nos jornais. Num qualquer blogger existe e vegeta um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso. Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, agora publicam-se as ejaculações. Mas, sem querer estar aqui a analisar a blogosfera e as suas implicações, nem a evidente vantagem dessa existência e da qualidade e liberdade que revela por vezes, destituindo do seu posto informativo os jornais e televisões aprisionados em formatos e vícios, o resíduo principal de tudo isto é que os jornais mudaram, e muito, e mudaram muito rapidamente. Clara Ferreira Alves teria supostamente escrito estas linhas no Diário Digital, texto que levantou a ira de muitos bloguistas. Soube-se depois que era apócrifo. Porém, sendo apócrifo, não é totalmente destituído de razão – os blogues transformaram-se em receptáculos de prosas absolutamente impensáveis – a iliteracia, a ignorância, ao fanatismo desbragado (político, religioso, futebolístico…), tudo é acolhido nos blogues. Há por aí verdadeiros contentores de lixo, dando-se vazão aos sentimentos mais primários, à obscenidade sem limites, à mais ordinária incontinência verbal, pois na blogosfera, liberdade é igual a impunidade. Nestas condições, de facto, separar o óptimo do rasca, não é fácil. Embora esse seja um problema que não afecta somente os colaboradores dos blogues, reconhece-se que neste meio ele assume uma maior acuidade. A blogosfera é livre e isso é bom enquanto todos se comportarem de forma civilizada. Oxalá a irresponsabilidade não obrigue a criar regras sem as quais até agora se tem vivido perfeitamente.
As ideias fizeram-se para ser debatidas, rebatidas e, se necessário, abatidas, mas deve respeitar sempre quem expende essas ideias com que não concorda. Porque, na nossa opinião, o (inexistente) código deontológico de quem colabora em blogues permite rebater ideias com que se não concorda, por mais sagradas que sejam para outros. Mas obriga a respeitar sempre os outros, mesmo que defendam ideias que nos parecem absurdas.

Quem merece hoje um agradecimento e um elogio muito especiais é a Carla Romualdo que, há dois dias, tem trabalhado para a optimização desta página.
E…. venham de lá essas palmas para a Carla Romualdo, venham de lá beijos e abraços pois tem sido ela a criação e paciência certamente para esta viagem,O meu obrigada e um beijo