(Continuação)
Tempos de uma falta de ética e estética muito pesadas. A maior parte da população não sabia nem ler nem escrever, não tinham, porém, direito a sufrágio, como as mulheres, que o ganharam apenas em 1949. Doñas o não, as mulheres eram as chinas dos seus maridos. Bem sabiam as Senhoras que eles, seus maridos, tinham amantes do mesmo ou do outro sexo, mas nada diziam para evitar desencontros em casa de Senhores. Este hábito, diagnosticado por Freud em (1906) 1926[1] e em (1920) 1981: Au dela du príncipe de plaisir[2], Payot, Paris.
Freud debatia que o consciente estava guardado pelo inconsciente, que, pela sua vez, tinha um isso ou Id que orientava a libido, sendo a libido a que orientava o comportamento social e sexual.
Um facto é necessário destacar. Pai e Filho viviam nas suas terras, que até a conquista do Chile eram terras do clã picunche da Nação Mapuche que habita no Chile e Argentina. Pai e filho eram chilenos, desses aristocratas louros, olhos azuis, em fim, os primeiros que chegaram a colonizar o País do frio, ou Chili ou Chile, finalmente Havia uma lei especial: podiam casar até com sete mulheres. Eles não eram picunche, mas os hábitos e os costumes ficam vivos e tornam-se hábitos: eles não tinham sete mulheres, mas, e huachos? Haveria huachos? É uma temática que tem sido estudado por Sonia Montecinos, no seu livro Madres e Huachos[3] Não apenas uma temática, é um facto do Chile ser um país de filhos sem pais, até o Libertador do Chile era um huacho, Bernardo O´Higgins, filho do vice-rei da coroa espanhola, sedeado em Lima, desde donde dominava todas as colónias do Sul do Novo Continente. Era Irlandês, dai a cor do cabelo do seu filho: encaracolado e ruivo. A sua mãe era uma Senhora de Alta Alcunha, como li na acta de nascimento do Libertador, que por causa da sua classe social, o nome foi emitido da Acta, apenas o nome do pai, que o reconheceu como o seu filho. Filho que fora criado pelos portugueses de Corte, Albano Pereira e a sua mulher, na fazenda Quepo, entre Talca e Pencahue, todo a geografia era território Picunche. Este criollo[4] reparou que governava com ferocidade e aleivosia, matando ou mandando matar quem passara depois a ser o governante do Chile com o título criado por ele, tanta era a sua soberba e arrogância, Director Supremo. Governou entre 1818 e 1833. A sua mãe, soube-se depois ao casar, era Dona Isabel Riquelme María Isabel Riquelme y Meza (* Chillán Viejo, Región del Biobío, Chile 1758 – † Lima, Perú 21 de abril de 1839), fué la madre de Bernardo O’Higgins, uno de los protagonistas del proceso de Independência de Chile.
Fue hija de Simón Riquelme de la Barrera y Goycochea, y de María Mercedes de Meza y Ulloa, pertenecientes ambos a antiguas familias de la nobleza en Chillán. Sus hijos fueron Rosa O’Higgins y Bernardo O’Higgins. Eran descendiente de vascos.
Os bascos foram uma importante rama espanhola, que comerciavam, eram proprietários de terras e de outras posses.
Pai e filho eram bascos e teimosos como eles. Eram mulherengos e sabia-se das suas corridas libidinais porque a Rainha Avó sabia levar bem as contas. Farta já das voltas do seu marido com outras mulheres, esperou e esperou à porta da casa de campo. Ao voltar o marido, após vários dias de ausência, como era o seu hábito, com uma desculpa qualquer, apesar dela saber das outras casas que tinha e sustentava regaladamente, apontou com a carabina e disse-lhe: vou matar-te. Eram crimes que aconteciam amiúde na população rural, especialmente entre os de alta alcunha. O marido acreditou, porque a Avó onde punhas o olho, metia a bala. Estavam em casa o único filho legal e vários primos directos. Parecia festa. Ela mandou a todos agarrar no corpo do avô, ata-lo na leito matrimonial e com a espingarda baixo o braço, mandou tirar calças e roupa interior, ficou nu. Com calma, abriu as tesouras, desinfectou com álcool e acrescentou: matar, não o mato, mas vou castrá-lo para que acabem as felonias. A história como me foi contada por ela, era bem mais comprida e divertida. O avô prometeu que nunca mais, que o deixasse em paz, que seria um marido fiel e obediente. As risadas, era boa para isso, acrescentou que não tinha remédio, já estava velho demais e em casa nenhuma de enteados, era recebido. Todos tinham crescido, ganhavam o seu dinheiro e não precisavam do velhote para nada. O único descende-te que o adorava, era o seu único filho, o Engenheiro, que tinha aprendido a ser um mulherengo, do seu pai: o imitava em todo, até no respeito pela liberdade.
Foi assim que fugiu a Valparaíso, foi assim que teve raiva por ter sido colocado como Engenheiro na indústria eléctrica e foi assim que perdoou a sua mulher e sogro. Aliás, o sítio onde foi colocado, era uma baia preciosa e percorrer de carro desde a casa até a usina, era uma delícia, como a casa onde morava.
Todo tinha que ser feito, era uma indústria nova: as máquinas; trabalhava a carvão: construir cais. A casa tinha terra mas nenhuma flor. O pai da mãe começou um dia a excavar para semear batatas: adorava a agricultura e pensava que o seu genro também, porque tinha imensos hectares no sul do país, mas ele sabia o que era casa e que era horta. O Avô fartou-se de trabalhar, sempre com o seu fato preto, camisa branca e gravata, a roupa de advogado.
Apareceu o senhor engenheiro e disse de forma amável: meu caro, este é um jardim, não uma horta. Com esse mal humor dos que não conseguem mandar, largou azada com que cavava e disse, se é assim, façam como entendam, que já não me meto mas nestas terras, e ficou mudo. Foi andar pela praia para se acalmar. Era ele quem me tinha levado no carro do engenheiro, com motorista e o meu ano e meio de idade. Armando o motorista, só sabia rir e brincar comigo. Para segurança, ia sentado no colo da enfermeira de Laguna Verde, dona Ema Cubillos. Enquanto eram vivos e eu estava na nossa casa, sempre lembravam o facto de eu ser bebe e muito calmo e tranquilo.
Após anos de trabalho, o sítio das batatas que o pai da mulher queria plantar, ficou convertido em um jardim com imensas flores e árvores.
[1] Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1906) 1926. Pode ser acedido em http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/sexualidadeinfantilfreud.html
[2] Au dela du principle du principle de plaisir ihttp://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_de_psychanalyse/Essai_1_au_dela/au_dela_prin_plaisir.html
[3] 1996. Madres y huachos. Alegorías del mestizaje chileno. Editorial Sudamericana. A autora: Estudió antropología en la Universidad de Chile, y se recibió en 1980. Casada con el antropólogo Rolf Foerster. Doctora en Antropología de la Universidad de Leiden en Holanda 2006. Actualmente es profesora asociada del Departamento de Antropología, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Chile. Es titular de la Cátedra Género de la UNESCO con Sede en el Centro Interdisciplinario de Estudios de Género de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Chile. Además es una de las fundadoras del Centro Interdisciplinario de Estudios de Género de Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Chile, [1] y, actualmente, subdirectora de dicho centro. Es editora de la Revista Chilena de Antropología, Departamento de Antropología, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Chile. Es directora del Magíster en Género y Cultura, Mención en Ciencias Sociales y Humanidades, Facultad de Ciencias Sociales y Facultad de Filosofía y Humanidades, Universidad de Chile.
En el mes de agosto de 2007 fue nombrada Directora del Archivo Central Andrés Bello de la Universidad de Chile.
Ha publicado ensayos y obras de ficción, y numerosos artículos. Se ha dedicado al estudio de las identidades de género y étnicas, así como a las relaciones entre antropología y literatura. En 1992 la Academia Chilena de la Lengua la galardonó con el Premio Academia por su libro Madres y huachos, alegorías del mestizaje chileno. En 2005 recibió el Premio Altazor en la categoría ensayo por Mitos de Chile: diccionario de seres, magias y encantos.
En el mes de agosto de 2007 fue nombrada Directora del Archivo Central Andrés Bello de la Universidad de Chile.
Ha publicado ensayos y obras de ficción, y numerosos artículos. Se ha dedicado al estudio de las identidades de género y étnicas, así como a las relaciones entre antropología y literatura. En 1992 la Academia Chilena de la Lengua la galardonó con el Premio Academia por su libro Madres y huachos, alegorías del mestizaje chileno. En 2005 recibió el Premio Altazor en la categoría ensayo por Mitos de Chile: diccionario de seres, magias y encantos.
[4] Criollo é a pessoa filha de espanhóis, mas que nasceram no Chile ou levavam já muitas gerações de espanhóis coloniais. Não existia a nacionalidade chilena, que foi criada pelo Director Supremo em Talca, em 1820. Bernardo O’Higgins Riquelme (Chillán, 20 de Agosto de 1778 — Lima, 24 de Outubro de 1842) foi um militar e estadista chileno, considerado o pai da pátria.
Foi uma das figuras militares fundamentais da independência e o primeiro chefe de estado do Chile independente, sob o título de Director Supremo, entre 1817 e 1823, quando renunciou voluntariamente ao cargo para evitar uma guerra civil, exilando-se no Peru até a sua morte. Foi repatriado em caixa fúnebre, em 1869, com todas as honras de Chefe de Estado.




