Hoje é o centenário do nascimento do grande poeta português Políbio Gomes dos Santos

 

 

 

 

 

Leiam o seu poema Voz que Escuta:

 

 

Chamam-me lá em baixo.

São as coisas que não puderam decorar-me:

As que ficaram a mirar-me longamente

E não acreditaram;

As que sem coração, no relâmpago do grito,

Não puderam colher-me.

Chamam-me lá em baixo, 

Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,

Onde a multidão formiga

Sem saber nadar.

Chamam-me lá em baixo

Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante

E transparente e desgraçado e vil

Quando a noite vem, criança distraída,

Que debilmente apaga os traços brancos

Deste quadro negro – a Vida.

Chamam-me lá em baixo:

Voz de coisas, voz de luta.

É uma voz que estala e mansamente cala

E me escuta. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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