No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vay,
ca já moiro por vós, e ay,
mia senhor branca e vermelha!…
Queredes que vos retraya?
Quando vos eu vi en saya,
mao dia me levantey
que vos enton non via fea!
E, mia senhor, des aquelha,
i me foi a mi mui mal, ay!
E vós, filha de Don Paay
Moniz, e ben vos semelha
d’aver eu por vós guarvaya?
Pois eu, mia senhor, d’alfaya
nunca de vós ouve nen ey
valia dũa correa.
Esta cantiga é tida como o texto poético mais antigo em língua portuguesa. Rodrigues Lapa, na Crestomatia Arcaica (Textos Literários, 3.ª edição, Lisboa, 1960, onde a fui buscar) informa-nos que 1189, 1198 e 1206 são datas sobre as quais há fundamentos para atribuir a esta cantiga. Foi dedicada a Maria Pais Ribeiro, conhecida pela Ribeirinha, moça muito formosa, que terá sido amiga de D. Sancho I.
