Sinais dos Tempos – Joaquim Magalhães dos Santos

 

Já não é a primeira vez – e cheira-me que não será a última – que me arrependo de não fazer na hora certa o que tenho para fazer.

 

Um exemplo (que a muitos parecerá ridículo): Em agosto de 2010, vésperas de início do Campeonato da I Divisão de Futebol, tencionava eu escrever uma carta aberta ao meu Jesus. Este meu Jesus é (ainda é, 14 de agosto de 2011) o treinador do meu Benfica. Bem sucedido, na altura, meritório vencedor do Campeonato Nacional.

 

Tencionava pedir-lhe que… nem ele (nem o presidente L.F.V.) falassem tanto! Se adiantassem tanto! Prometessem tanto! Garantissem tanto! Contassem tanto com o ovo no tutu da galinha!

 

E que não dessem (nenhum) troco às graças, principalmente às piadas e graçolas de gente (principalmente dirigente) de outros clubes. São armas que os bons Benfiquistas não devem esgrimir… Deixem isso para os outros!!! Que os outros se atasquem, se enlameiem, por muito que as graçolas façam sorrir ou rir quem as ouve!

 

Calma, eficiência e discrição!

 

E mai nada!

 

Esse momento passou, a oportunidade perdeu-se, não me fiz ouvir e… vejam-se os resultados, que…não se viram…

 

É preciso ouvir os oráculos………………………………………

 

Outro assunto há em que receio ir já um pouco tarde! Já estou a ficar um tanto ultrapassado, mas não quero que o meu farol deixe de evitar, de tentar evitar naufrágios de terríveis consequências.

 

Outras vozes estão a fazer-se ouvir, seja a minha mais uma! Assim nos ouçam!

 

Do Evangelho de S. Mateus (16.2-3) copio estas palavras:

 

Quando os fariseus e saduceus tentaram o Senhor Jesus pedindo-Lhe que mostrasse um sinal do céu, Ele lhes respondeu: “Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”

 

Parece-me que são bem patentes os sinais dos tempos que tentam avisar-nos do que está para acontecer.

 

Vejam-se as alterações registadas, desde o princípio deste fatal ano de 2011 (fatal deriva de fado=Destino, o cego Destino, talvez não tão cego assim).

 

Olhem para o Norte de África: Tunísia, Egito, Líbia, Marrocos. Ao lado a Síria, o Iémen. As coisas estão seguras no Iraque? No Irão? Em Israel, há reivindicações por vida mais barata, mais confortável, mais… humana. Em Espanha há os Indignados. Em Londres e noutras grandes cidades inglesas foi o que se sabe, quem sabe quando se repetirá aquilo de que tivemos conhecimento! E os horrores que por lá aconteceram explicam-se mas não se aceitam. Não se aceitam mas é preciso entender o que está na sua raiz. Também entre nós há revoltados. E se eles têm razão para estarem revoltados!

 

Na minha opinião – dou-a sem me propor para encabeçar nenhum movimento, nenhum partido, nada disso! – é preciso uma vaga de fundo, de muito fundo, para mudar mentalidades!

 

Para fazer com que o dinheiro, o poderio económico, deixe de ser – tão rapidamente quanto possível – a atração-mor, a única alavanca, o maior e mais poderoso fator na vida de tanta gente, de uma tão grande percentagem de gente.

 

É ou parece uma utopia! Mas uma utopia – ensinava o Prof. Agostinho da Silva – não é o que nunca acontecerá, é o que ainda não se atingiu.

 

Há que tirar importância ao dinheiro, à posse do dinheiro! Há que retirar importância, deixar de dar importância às pessoas que só são importantes porque têm muiiiiiiito dinheiro. Porque, mesmo que façam muitas obras de caridadezinha para deitar poeira nos olhos do Povinho, não passam de insaciáveis sanguessugas que só conseguem viver da morte de não lhes importa quantos milhões de seres humanos, que os vampiros não consideram seus semelhantes. E realmente não são.

 

A coisa não vai lá com uma revolução. Revoluções faz a Terra todos os dias, trezentos e sessenta e cinco vezes em cada ano (dos baratos). E tudo volta à primeira forma. Revoluções poderão revolver mas não resolvem!

 

Uma convulsão? É o que o Mundo está a prometer. Muitos dos acontecimentos que estão a impresssionar-nos e a amedrontar-nos é o que prenunciam. Muitos deles desorganizados, sem obedecerem a nenhum plano, a nenhum cérebro mais ou menos discreto ou oculto. Mas a revelarem um imenso descontentamento, um espírito kamikaze, de que mais vale morrer destruindo – mesmo cegamente – o que nos oprime do que viver miseravelmente, sem um vestígio dessa coisa tão desconhecida e tão calcada e recalcada, que é a DIGNIDADE.

 

“Nem só de pão vive o homem”. É também a fome que move multidões mas não é só a fome que as impele, que  as faz dar o peito às balas.

 

Elas têm o direito não de pedir mas de exigir um Novo Mundo!

 

Não se trata de lho dar como quem concede uma esmola regateada. Trata-se de criar uma nova Sociedade, sem os ídolos, sem os fétiches que têm cegado e ensandecido as populações.

 

E não creio que qualquer das figuras ou dos figurões da atual proa do poder possa servir para conduzir os destinos do Novo Mundo.

 

Cá, lá, pelo caminho… Não servem! Não prestam!

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